Como startar o seu dia

Por Celso Vicenzi.

Um entrevistado do Bom Dia SC (RBS TV), hoje pela manhã – 25/3/2015 – (acho que era um delegado da Polícia Civil), disse que iria “startar” uma ação. Pobre língua portuguesa, que ninguém menos do que Miguel de Cervantes, o imortal autor de Dom Quixote, classificara como a “mais sonora do mundo”. Já essa nova sonoridade, recém-saída dos manuais de informática e das redes sociais, dói no ouvido e na alma. leia mais →

Tem razão quem se revolta

Artigo do professor titular de Ética e Filosofia Política do Departamento de Filosofia da USP, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo (25/3/2015). Via Unisinos.

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/541210-tem-razao-quem-se-revolta

“On a raison de se révolter”, dizia o filósofo francês Jean-Paul Sartre no fim da vida, quando, depois de maio de 1968, se cansou de esperar que o Partido Comunista se consertasse e fez causa comum com os maoistas. Não é fácil traduzir a frase de Sartre. Seria algo como “tem razão quem se revolta”. leia mais →

I’m brazilian with very pride and very love! Por Vinicius B. Vicenzi.

Por Vinicius B. Vicenzi

Desculpem o meu inglês “macarrônico”, mas apesar de ter vivido em terras anglo-saxãs por um curto período, meu forte nunca foi a tradução. Também não julgo necessário, já que esse não é um texto para os meus amigos ingleses, norte-americanos, australianos, sul-africanos, etc. É um texto destinado a brasileiros. Brasileiros que no último dia 15 foram às ruas portando cartazes em língua estrangeira. leia mais →

A profecia autocumprida. Por Sylvia Debossan Moretzsohn

“Contra a corrupção e o governo” era a frase mais repetida na cobertura das manifestações de domingo (15/3) na GloboNews. O professor Guilherme Nery, da Universidade Federal Fluminense, notou a insistência. Não era necessário ser estudioso do assunto, como ele, para perceber a associação semântica: governo = corrupção, e vice-versa. “É gritante a falta de responsabilidade”, concluiu.
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O fim apoteótico da aristocracia joanina. Por Ion de Andrade

Antevejo duas evoluções possíveis considerando a ucranização do Brasil pouco provável: a) o movimento declina e se enfraquece ou b) desenvolve vertente terrorista, de vida curta pela nossa cultura pacífica que não é fato menor e que produziria imediato consenso e repulsa de grande monta. Não enxergo no movimento força ou consistência para a cronificação necessária ao projeto de sangria, embora é certo que tentarão fazer outras manifestações que podem até ser numerosas.

Cabe ao governo agora assumir a governança com firmeza e humildade e prosseguir conduzindo a nação ao destino democrático, justo, próspero e soberano a que todos nós brasileiros aspiramos. O único risco que corremos é o governo não governar, pois para isso foi eleito pela maioria.

Definitivamente o Brasil não é um país para iniciantes. (Leia a análise de Ion de Andrade). leia mais →

Sonegação de impostos: Ricos brasileiros têm 4ª maior fortuna do mundo em paraísos fiscais. Por Rodrigo Pinto

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Rodrigo Pinto, via BBC Brasil

Publicado em www.limpinhoecheiroso.com – 31/7/2013.

http://limpinhoecheiroso.com/2013/07/31/sonegacao-de-impostos-ricos-brasileiros-tem-4a-maior-fortuna-do-mundo-em-paraisos-fiscais

Os super-ricos brasileiros detêm o equivalente a um terço do Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas do País em um ano, em contas em paraísos fiscais, livres de tributação. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nesta modalidade de conta bancária.

A informação foi revelada no domingo, dia 28, por um estudo inédito, que pela primeira vez chegou a valores depositados nas chamadas contas offshore, sobre as quais as autoridades tributárias dos países não têm como cobrar impostos.

O documento The price of offshore revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network, mostra que os super-ricos brasileiros somaram até 2010 cerca de US$520 bilhões (ou mais de R$1 trilhão) em paraísos fiscais.

O estudo cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de governos nacionais para chegar a valores considerados pelo autor.

Em 2010, o Produto Interno Bruto Brasileiro somou cerca de R$3,6 trilhões.

“Enorme buraco negro”

O relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais.

Henry estima que, desde os anos de 1970 até 2010, os cidadãos mais ricos desses 139 países aumentaram de US$7,3 trilhões para US$9,3 trilhões a “riqueza offshore não registrada” para fins de tributação.

A riqueza privada offshore representa “um enorme buraco negro na economia mundial”, disse o autor do estudo.

“Instituições como Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan e Citibank vêm oferecendo este serviço”

John Christensen, diretor Tax Justice Network

Na América Latina, chama a atenção o fato de, além do Brasil, países como México, Argentina e Venezuela aparecerem entre os 20 que mais enviaram recursos a paraísos fiscais.

John Christensen, diretor da Tax Justice Network, organização que combate os paraísos fiscais e que encomendou o estudo, afirmou à BBC Brasil que países exportadores de riquezas minerais seguem um padrão. Segundo ele, elites locais vêm sendo abordadas há décadas por bancos, principalmente norte-americanos, para enviarem seus recursos ao exterior.

“Instituições como Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan e Citibank vêm oferecendo este serviço. Como o governo norte-americano não compartilha informações tributárias, fica muito difícil para estes países chegar aos donos destas contas e taxar os recursos”, afirma.

“Isso aumentou muito nos anos de 1970, durante as ditaduras”, observa.

Quem envia

Segundo o diretor da Tax Justice Network, além dos acionistas de empresas dos setores exportadores de minerais (mineração e petróleo), os segmentos farmacêutico, de comunicações e de transportes estão entre os que mais remetem recursos para paraísos fiscais.

“As elites fazem muito barulho sobre os impostos cobrados delas, mas não gostam de pagar impostos”, afirma Christensen. “No caso do Brasil, quando vejo os ricos brasileiros reclamando de impostos, só posso crer que estejam brincando. Porque eles remetem dinheiro para paraísos fiscais há muito tempo.”

Christensen afirma que no caso de México, Venezuela e Argentina, tratados bilaterais como o Nafta (tratado de livre comércio EUA-México) e a ação dos bancos norte-americanos fizeram os valores escondidos no exterior subirem vertiginosamente desde os anos de 1970, embora “este seja um fenômeno de mais de meio século”.

O diretor da Tax Justice Network destaca ainda que há enormes recursos de países africanos em contas offshore.