Leandro Karnal:O pecado envergonhado a inveja e a tristeza sobre a felicidade alheia – cpfl cultura

Vale a pena assistir a essa aula, muito bem-humorada e ao mesmo tempo reflexiva, do historiador Leandro Karnal, sobre “O pecado envergonhado – a inveja e a tristeza sobre a felicidade alheia”.

A CPFL Cultura é um dos mais importantes programas nacionais de reflexão sobre o mundo contemporâneo, fruto da experiência acumulada ao longo de 10 anos de palestras e debates sobre os mais variados temas. Primando pela pluralidade, pelo diálogo e pela diferença, promove a conexão de artistas e intelectuais de renome com diversos públicos, organizando teorias, transformando informações em conhecimento, além de proporcionar novas experiências ao incentivar as artes por meio de exposições, peças teatrais, cinema e concertos de música erudita.

Veja, a seguir, o link com a palestra, de 2h12 (incluindo o debate).

Fernando Morais e as babás que não têm nome (por Fernando Brito)

Isto traduz o Brasil e sua elite.

http://tijolaco.com.br/blog/?p=27036

babas

No Facebook, o escritor Fernando Morais chama a atenção para o “infográfico” que  O Globo publica na cobertura – que virou novela – do acidente – felizmente sem graves consequências – do apresentador Luciano Huck e sua família.

Como você vê, todas as pessoas que estavam no avião e que correram riscos iguais não são iguais.

A família Huck e os pilotos têm nome, as babás, não, embora, provavelmente, tenham pais, mães, irmãos e, talvez, filhos. leia mais →

Frente Nacional Pela Legalização do Aborto lança panfleto informativo. Por Jarid Arraes/Portal Fórum

A Frente Nacional Pela Legalização do Aborto é formada por diversas instituições e coletivos feministas do Brasil; sua proposta é promover a conscientização a respeito da questão do aborto e lutar pela conquista do aborto legal, seguro e gratuito para todas as mulheres.

Como o próximo dia 28 de Maio é o Dia Internacional da Luta Pela Saúde da Mulher, a Frente produziu um folheto informativo que tira dúvidas básicas e derruba vários mitos a respeito do aborto. Entre os temas abordados, o folheto menciona que o número de abortos realizados costuma diminuir quando o procedimento é legalizado no país, tendo como exemplo o Uruguai, Cuba e e outros. Fica evidente que a legalização do aborto é a única opção viável e realmente efetiva para a saúde pública das mulheres. leia mais →

Meninas relatam casos de violência sexual em escolas (via portal Vermelho)

Não deixe de ver. Dois vídeos sobre violência nas escolas. Um deles, principalmente, que relata casos de assédio sexual e estupros contra estudantes, merece o repúdio de toda a sociedade e o empenho para garantir que meninas não sejam violentadas em seus mais elementares direitos, como o de acesso a uma educação de qualidade e com segurança.

No outro, a dura realidade brasileira, em que a violência das ruas invade e se reproduz, também, nas escolas. E que igualmente precisa da mobilização de todos para pôr um fim a tanta brutalidade. Iniciativas como a dos próprios criadores do vídeo, alunos do quarto período do curso de Licenciatura em Ciências Sociais da Univasf (campus Juazeiro/PE).

http://www.compromissoeatitude.org.br/meninas-relatam-casos-de-violencia-sexual-em-escolas-vermelho-24052015

O Rubem Fonseca falou! (mas não com repórteres) e uma pequena digressão sobre os horrores e as delícias do jornalismo. Por Geneton Moraes Neto.

goo.gl/0asBN9

Um dos mais “reclusos” escritores brasileiros faz noventa anos amanhã. Aproveita a data para lançar um livro – “Histórias Curtas”. Não estará em jornais ou nas tevês. Como se sabe, Rubem Fonseca recusa há décadas pedidos de entrevista.

Pelo menos uma vez, “captei” declarações do grande mudo. Aconteceu em Paris. Já, já, os detalhes – mas, antes, pausa para uma pequena digressão. Ponto. Parágrafo. Parênteses.

( Por falta de talento e vocação para exercer tarefas mais nobres, faço parte da tribo dos que passam a vida, lastimavelmente, fazendo perguntas de todo tipo a exemplares da espécie humana. É fácil, não exige tanto. O difícil é estudar física nuclear ou aprender a fazer cirurgia num cérebro. Diga-se, então, em nome da honestidade e do senso de ridículo: uma jaguatirica amestrada seria perfeitamente capaz de aprender, em quinze minutos, os rudimentos do jornalismo. É uma profissão que, guardadas as exceções, alimenta-se de um monstro: a “medianice”. Vive bajulando o “gosto médio” e, em último instância, alimentando a mediocridade com doses maciças de mediocridade – produzidas com comovente afinco por burocratas de todos os tipos. “Deus do céu, Deus do céu” – sussurra meu demônio-da-guarda. O que atrapalha o jornalismo, também, é a ilusão de grandeza, a vaidade descabida e a pretensão risível. “Quá-quá-quá. Que coisa patética, que coisa patética!” – contorce-se meu demônio-da-guarda, entre espasmos de riso.

……Há, no entanto, o “outro lado da moeda”, porque assim caminha a humanidade, movida a contradições: poucas profissões podem ser tão “fascinantes”. O “horror” jornalístico pode, sim, ser eventualmente apaixonante. Que outro ofício dá a seus praticantes a chance – ainda que fugaz – de ver e ouvir tanta gente interessante e de testemunhar tanta coisa inesquecível?

Feitas estas sinceras declarações de “amor e ódio” ao jornalismo, declaro-me insuspeito para falar: um artista, um intelectual ou seja lá o que for pode perfeitamente querer que suas obras sejam o único “ponto de contato” com o distinto público. Por que não? Assim, é perfeitamente compreensível que não queiram jamais se encontrar com um repórter. Se esta é a intenção de Rubem Fonseca – a de que seus livros sejam o canal exclusivo de contato com os terráqueos – palmas para ele. E às favas os repórteres e assemelhados! Feitas as contas, o que vai ficar de Chico Buarque é a música que ele fez. Não é a entrevista que ele deixou de dar. O que vai ficar de Rubem Fonseca é a literatura que ele produziu. Idem com Carlos Drummond e outros reclusos. O que dizer de J.D. Salinger?

É óbvio que artistas e intelectuais de todo tipo podem dar
( e dão ) entrevistas que eventualmente lançam belas luzes sobre o que eles próprios fazem e sobre o tempo em que vivem. Ainda bem! Mas o gesto de dar entrevista não pode ser “obrigatório”. Fugir de repórteres pode ser uma bela atitude, também. Independentemente de qualquer coisa, basta olhar a paisagem jornalística….

Termina a digressão.

Recupero, em algum escaninho virtual, um texto sobre três “flagrantes” de Rubem Fonseca – no Rio de Janeiro, em Londres e em Paris:

Cena 1

Rio de Janeiro, 2005

Os detetives dos livros de Rubem Fonseca são espertíssimos. Notam tudo. Quem navegou deliciado pelas páginas de um livro como Bufo & Spalanzanni certamente se surpreendeu com a argúcia dos investigadores criados pela imaginação de Fonseca. Mas lamento informar que o próprio Rubem Fonseca não é tão atento : não notou que eu segui seus passos sorrateiramente pelas ruas do Leblon. Fonseca nem desconfiou. O criador não é tão arguto quanto suas criaturas.

Faz pouco tempo: Rubem Fonseca estava na fila do Supermercado Zona Sul, na rua General Artigas. Sozinho. Anônimo. Silencioso. Usava um boné, não para se proteger do sol – porque já eram sete da noite -, mas certamente para se resguardar da investida de algum leitor inconveniente ou, pior, algum repórter intruso, como eu. O horror, o horror, o horror.

Pensei “com meus botões”: vou fazer uma foto de Rubem Fonseca, a Greta Garbo das letras, o homem que devota um consistente horror a repórteres e fotógrafos. O problema é que minha máquina – amadora – estava em casa. Resolvi acompanhar, à distância, a caminhada de Fonseca pelas ruas, na saída do supermercado. Quem sabe? Se ele passasse em frente ao meu apartamento, eu teria trinta segundos para correr, pegar a máquina lá dentro e voltar para a rua, a tempo de eternizar o flagrante num disquete.

Rubem Fonseca saiu do supermercado, entrou à direita na General Artigas, dobrou à esquerda na Ataulfo de Paiva e seguiu, anonimamente feliz sob a lua do Leblon. Guardei uma distância prudente: fiquei sempre a uns dez passos do homem, para não perdê-lo de vista. Não perdi.

Rubem parou diante de uma banca. Bela imagem: o homem célebre e solitário contemplava as manchetes dos jornais pendurados na banca como se fossem roupas num varal. Mas lamento informar que perdi a foto perfeita. Não deu tempo de ir buscar a máquina.

O homem sumiu de vista, entrou à direita na rua General Urquiza, caminhou em direção ao mar do Leblon. O repórter ficou a ver navios.

É tudo o que Rubem, o fugidio, sempre quis.

Cena 2

Londres, 1997

Quando cruza o Atlântico para falar a plateias estrangeiras, Rubem Fonseca se torna extraordinariamente falante, brincalhão, nada tímido. O Rubem Fonseca que enfrentou uma platéia de leitores – a maioria, brasileiros – num salão do Royal Festival Hall, às margens do rio Tâmisa, em Londres, em junho de 1997 – era o oposto da fera inacessível que ele parece ser.

O palco parecia a materialização de uma miragem: ao lado de Fonseca, outra celebridade arredia, o suposto tímido Chico Buarque de Hollanda, lia trechos do livro que acabara de lançar em terras inglesas.

Temeridade: quando foi concedida à platéia o direito de abordar as estrelas, perguntei o que é que Chico Buarque achava dos críticos que o consideravam um “intruso” entre os escritores. Rubem Fonseca tomou as dores. Não deve ter gostado da pergunta. (anotei: ele vestia um paletó marrom claro, sem gravata. A barba branca e grisalha e a cabeleira rala davam-lhe um ar de ancião). Tirou o charuto da boca e disparou :

– Quero dizer que Chico Buarque sempre foi um escritor – a vida inteira. E é um poeta. Noventa e nove por cento dos críticos elogiaram os livros de Chico. Somente um crítico o tratou como um ”outsider”. Somente um! Nós, escritores, consideramos Chico Buarque um escritor. Em nome de todos os escritores, quero dizer que temos orgulho de ter Chico Buarque entre nós !

Lá fora, os dois ofereceram autógrafos aos leitores. Quando chegou a minha vez, Rubem Fonseca me brindou com uma exclamação que soou algo irritada (“Qual é, oh cara?”). Depois, escreveu no meu exemplar do livro de Chico Buarque:

– Chico é um grande escritor. June,1997.

Guardei a relíquia.

Cena 3

Paris, 1987

Quase, quase, quase. Como diria Geraldo José de Almeida, o locutor da Copa de 70, “por pouco, pouco, muito pouco, pouco mesmo”. Quase que consegui uma entrevista com Rubem Fonseca. De passagem por Paris, eu soube que ele iria participar de um debate sobre cultura brasileira num auditório do Centro de Cultura Georges Pompidou. Peguei o gravador.

Eis a fera diante de mim, num corredor que dá acesso ao auditório: de gravata, suéter vermelho, sobretudo azul. Faço formalmente, em nome do povo brasileiro, um pedido de entrevista (os repórteres passam a vida na ilusão de que estão falando em nome das multidões). Rubem Fonseca responde com um sorriso malicioso: “Sou tímido” – o que, obviamente, é mentira. Faço nova investida. “Nem sonhar” – ele decreta, para desconsolo do autor do pedido. Pousa a mão sobre meu ombro, faz uma concessão : “Por que é que você não escreve sobre o que ouviu?”. Parcialmente recompensado em minha teimosia, ligo o gravador assim que ele começa a falar.

De volta ao Brasil, transcrevo, vírgula por vírgula, as palavras da esfinge e encaminho tudo a Zuenir Ventura – grande amigo de Rubem. Dias depois, Zuenir me diz que Rubem Fonseca tomou um grande susto quando viu que o que tinha dito lá em Paris, a nove mil cento e quarenta quilômetros do Leblon, tinha rendido cento e quarenta linhas – um raríssimo depoimento de nossa Greta Garbo na primeira pessoa do singular.

Os principais trechos :

“Nasci em Juiz de Fora. Lá, aos dois meses de idade, eu tinha uma babá que me levava para passear de tarde. Mas, na verdade, ela ia ver o namorado, o lanterninha do cinema. Ela me sentava, ia namorar e eu via sessões atrás de sessões. Aos três anos, eu já tinha visto vinte mil horas de filme. Fui crescendo. E disse assim: “Quero fazer cinema!”. Eu deveria fazer cinema. Mas, quando eu tinha oito anos, me deram uma máquina de escrever. Fiquei com aquela máquina de escrever dentro de casa e querendo fazer cinema. Era difícil…”.

“As pessoas me dizem assim: “Ouvi dizer que você lê um livro por dia!”. É verdade. Mas vejo três filmes por dia! Vejo um filme atrás do outro”.

“Sou um cinéfilo que foi condenado a escrever. Uma vez, Arnaldo Jabor me disse: “Eu queria ser um romancista!”. E eu: “Vamos trocar? O que eu queria era ser cineasta!”.

“O que o bom diretor de cinema pretende é pensar de uma maneira criativa. Como romancista, sei que o romance cedeu o lugar como manifestação artístico-cultural de massa. Já se disse que Theodore Dreiser (romancista americano, autor de “Uma Tragédia Americana”) cedeu lugar nas salas de aula a George Pabst, o grande diretor. É ótimo, é interessante que aconteça. O problema é que, hoje, parece que as pessoas não têm paciência de ficar vendo um filme durante duas horas, sem que haja um intervalo comercial no meio. O Pabst foi substituído pelo anúncio do Creme Ponds! É uma coisa séria”.

“O problema principal – e o único que existe nessa coisa de o cinema substituir a literatura – é que a literatura tem mais significados. Do ponto de vista polissêmico, a literatura é superior ao cinema. Vou explicar. Cito um grande filme de um grande cineasta: São Bernardo – de Leon Hirzmann. Todos temos uma grande admiração por Leon Hirzmann, grande cineasta. Quandi vi São Bernardo, eu tinha uma idéia sobre o personagem principal, criado por Graciliano Ramos. Minha mulher tinha uma idéia sobre o personagem. Cada pessoa que tivesse lido o livro tinha uma idéia. Criava o personagem junto com Graciliano Ramos. Isso é a polissemia da literatura. Mas,no grande filme do grande Leon Hirzmann, o personagem era Othon Bastos. Se eu fosse ver o filme pela segunda vez, era Othon Bastos. Era sempre Othon Bastos! Da segunda vez que li São Bernardo, o personagem já era outro, no livro”.

“Há uma crença de que fazer um roteiro de cinema é mais fácil do que fazer um romance. Não é absolutamente verdade. É fácil fazer um mau roteiro de cinema. Você pode fazer um roteiro com facilidade. Mas fazer um bom roteiro de cinema é tão difícil quanto escrever um bom romance”.

“Um dia, depois de ter escrito alguns livros e ter visto mais cinema, fui fazer uma tradução de um livro de Joseph Conrad chamado “The Nigger of Narcissus”. Há, no prefácio, uma frase que não consegui esquecer: “My task is to make you hear. My task is to make you feel. And, above all, to make you see. That`s all. And everything”. Minha tarefa é fazer você ouvir. Minha tarefa é fazer você sentir. E, acima de tudo, fazer você ver. É só. E é tudo”.

leia mais →

Que pecado o cidadão de Itajaí cometeu para ter que pagar 60 mil reais por uma hora de Joaquim Barbosa? Por Paulo Nogueira.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/que-pecado-o-cidadao-de-itajai-cometeu-para-ter-que-pagar-60-mil-reais-por-uma-hora-de-joaquim-barbosa-por-paulo-nogueira

Postado em 9 mai 2015

Mau exemplo no STF e fora dele

E então temos o seguinte: o cidadão de Itajaí foi obrigado a pagar 60 mil reais por uma palestra de uma hora de Joaquim Barbosa.

Este é o Batman, o campeão da ética, “o garoto pobre que mudou o Brasil”, segundo a Veja, naquela que foi uma das mais idiotas chamadas de capa já produzidas por uma revista em toda a história em qualquer lugar do mundo.

Mil reais por minuto. Este, ficamos sabendo, é o preço de Barbosa. Vazou de alguma forma, porque segundo o contrato o valor era sigiloso.

Seria um assalto ao contribuinte de Itajaí de qualquer forma. Mesmo que a palestra fosse em praça pública, aberta a todos os interessados, há outras maneiras mais inteligentes de gastar 60 mil reais em 60 minutos, você há de convir.

Mas este é Joaquim Barbosa, o paladino que não hesitou em queimar 90 mil reais de dinheiro público numa reforma dos banheiros do apartamento funcional que utilizou por tão pouco tempo.

Repito: mas este é Joaquim Barbosa, o incorruptível que inventou uma empresa para sonegar impostos na compra de um apartamento em Miami.

Quando você prega moralidade e na sombra faz coisas impublicáveis, isso quer dizer que você é um demagogo.

Pois é exatamente este o título que deveria estar hoje no cartão de visitas de JB, ou nas propagandas de suas palestras: demagogo.

No STF, ele foi um péssimo exemplo para a sociedade. Deslumbrado com as lantejoulas cínicas da mídia, ele presidiu o julgamento mais iníquo do Brasil.

Joaquim Barbosa levou às culminâncias o conceito de justiça partidária, em que você julga alguém não pelo que fez ou deixou de fazer, mas pelo partido a que pertence.

Enquanto teve poder, foi mesquinho, intolerante – repulsivo. Não surpreende que seja admirado exatamente por pessoas com aquelas características, e abominado por progressistas de toda ordem.

Saiu do STF porque, com a chegada de novos ministros, ficou em minoria. Não teve sequer a coragem de defender suas ideias conservadoras e pró-1% em ambiente não controlado.

Estava na cara que ia fazer palestras.

A direita se defende e se protege: arruma palestras milionárias para aqueles que vão fazer pregações contra qualquer coisa parecida com a esquerda, e sobretudo contra Lula e o PT.

Mau exemplo no STF, Joaquim Barbosa continua a ser mau exemplo fora dele.

Entre palestras, arrumou tempo para fazer uma bajulação abjeta à Globo por seus 50 anos.

A emissora que foi a voz da ditadura se converteu, nas palavras de JB, na empresa generosa à qual os brasileiros devemos, pausa para gargalhada, a integração.

A emissora que é um símbolo da hegemonia branca, e que advoga ferozmente contra políticas de afirmação, foi colocada num patamar de referência em seu universo na inclusão de negros.

Joaquim Barbosa foi uma calamidade para o Brasil no STF, e longe dele, arrecadando moedas em palestras, continua a projetar sombras nada inspiradoras.

É, como Moro hoje, o falso herói, condição fatal de todos aqueles que a plutocracia, para perpetuar sua predação, tenta transformar em ídolo popular.

(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

leia mais →

Moro passa recibo de que não tem nada contra Vaccari. Por Miguel do Rosário.

http://www.ocafezinho.com/2015/05/08/moro-passa-recibo-que-nao-tem-nada-contra-vaccari

vaccari


 

Olha só que coisa absolutamente ridícula.

Reproduzo abaixo matéria da Folha sobre o novo arbítrio de Sergio Moro, o carrasco da Lava Jato.

*

Justiça dá prazo de cinco dias para Vaccari explicar depósitos
DE BRASÍLIA

08/05/2015 16h25

O juiz Sergio Moro, responsável por processo da Operação Lava Jato na Justiça Federal no Paraná, estabeleceu prazo de cinco dias para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto explicar os depósitos de R$ 583.400 feitos na conta de sua mulher.

O montante foi transferido em diferentes operações, em dinheiro, entre os anos de 2008 e 2014 para a conta em nome de Giselda Rouse Lima. Segundo Moro, o dinheiro, “aparentemente”, não tem origem comprovada.

O magistrado se pronunciou após o ex-tesoureiro pleitear a revogação de sua prisão preventiva. Vaccari está detido desde o dia 15 do mês passado.

Como a Folha revelou em março, a força-tarefa da Lava Jato apura se duas operações de recebimento e envio de R$ 400 mil em 2008 e 2009, usando a conta de Giselda, tiveram relação com o suposto pagamento de propina por parte da Toshiba no esquema de corrupção da Petrobras.

Vaccari, porém, argumentou na ocasião que as transações envolvendo os R$ 400 mil foram referentes a um empréstimo que ele fez a um amigo, o empresário João Cláudio Mente, para a compra de um imóvel.

*

Agora sou eu.

Como não achou nada nem nas contas bancárias, nem nas declarações fiscais do tesoureiro do PT, agora Moro quer que ele explique os R$ 583 mil movimentados por sua mulher, de 2008 a 2014.

A coisa é ridícula em vários níveis.

Em primeiro lugar, Moro passou recibo de que nem sabe porque prendeu Vaccari. Quer dizer, prendeu-o apenas para oferecer um espetáculo à Globo, pois se tivesse alguma acusação consistente contra ele não precisaria perguntar sobre a origem do dinheiro.

Aquela cena de Vaccari, um senhor gordinho e inofensivo, cercado de agentes federais armados de metralhadoras e fuzis posando para tvs e jornais, ficará na história como o retrato de uma era de violências midiáticas e judiciais.

Em segundo lugar, onde já se viu isso?

Manter um sujeito preso, sem prova, e depois dar cinco dias para ele explicar a movimentação bancária da… esposa!

Que eu saiba, a justiça nos condena separadamente. Eu sou eu, minha mulher é outra pessoa. Moro inovou. Condena a família em bloco. Talvez tenha se inspirado em algum ditador sanguinário. E ainda manteve encarcerada, por uma semana, a cunhada de Vaccari, “por engano”!

E agora quer que Vaccari explique a movimentação de R$ 580 mil da esposa, ao longo de 7 ou 8 anos? Pelo amor de Deus! O próprio Sergio Moro, os procuradores, os delegados, que nunca foram tesoureiros de partido ou sindicato, devem ter movimentado muito mais que isso no mesmo período!

Isso dá menos de R$ 7 mil por mês, o que é um valor irrisório para quem trabalha intensamente com política, e precisa viajar o tempo inteiro, e fazer infinitos pequenos gastos operacionais, próprios da atividade sindical, partidária, e política.

Ora, os médicos não acharam miserável o salário de R$ 10 mil que o governo oferecia no programa Mais Médicos?

Agora Sergio Moro, ídolo dos coxinhas, quer crucificar Vaccari porque a sua esposa movimentou menos de R$ 7 mil por mês nos últimos 7 anos?

Eu, a merda de um blogueiro duro, que não sou parente de tesoureiro nenhum, já devo ter movimentado metade disso, ou mais, no mesmo intervalo!

Moro não sabe que as pessoas compram e vendem coisas? Que fazem acordos, emprestam, pegam emprestado, emitem e recebem pagamentos, fazem trocas, negociações? Existem milhares de razões para movimentar dinheiro na conta bancária.

Nada disso é crime! É a vida privada de qualquer pessoa!

Moro tem a sua vidinha pacata de juiz federal, recebendo mensalmente o seu gordo salário, e acha que todo mundo tem de viver exatamente igual a ele?

A vida de um cidadão normal, que não é servidor público, que trabalha com política, é cheia de altos e baixos, de pequenas ou grandes desventuras financeiras.

Será que Moro nunca leu um romance, será que não tem imaginação?

A mulher de Vaccari deveria, no máximo, explicar à Receita, mas em liberdade, sem agressões da mídia, numa relação respeitosa e discreta entre ela e um auditor fiscal.

Por que Vaccari tem de explicar alguma coisa à Sergio Moro?

Se Moro tem alguma acusação, que o faça!

E se tem alguma acusação contra a movimentação da mulher de Vaccari, que acuse ela, não Vaccari. Não seria o certo a fazer?

Que loucura é essa, de fazer um cidadão explicar a movimentação de outra pessoa?

Será que Moro faz isso apenas para manter o nome do tesoureiro do PT sob os holofotes agressivos da mídia?

É incrível.

Moro quebra sigilos bancários, fiscais, telefônicos, expõem na mídia a vida da família Vaccari sem o mínimo respeito à sua privacidade ou dignidade, e ainda vem com essa arrogância de dar “cinco dias” para ele se explicar?

Por que cinco dias?

Por que não cinco horas, ou cinquenta dias?

Joaquim Barbosa fez escola. Tornamo-nos uma ditadura judicial, numa república de bananas.

Se Moro não tem nenhuma prova contra Vaccari, se não tem sequer nenhuma acusação concreta, deveria deixá-lo solto, respondendo a este processo kafkiano em liberdade. Qual o perigo que ele oferece à sociedade?

Se não há prova ou indício nenhum de crime, porque Vaccari tem que dar satisfação de sua vida para Moro?

Onde já se viu isso?

Olha que coisa surreal. E se a mulher de Vaccari, por exemplo, tivesse um amante argentino, que lhe desse dinheiro?

Vaccari tem que explicar isso para Moro? Tem de expor sua vida?

É lamentável o ponto a que chegamos.

É triste, além disso, constatar a covardia dos desembargadores do STJ e dos membros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que conhecem muito bem o histórico de violências judiciais de Sergio Moro contra cidadãos brasileiros, e não fazem nada para impedi-lo.

Nenhuma democracia é perfeita. Mas não existe nada pior do que esta sensação de impotência diante do arbítrio judicial, que aliás só se consuma por causa do apoio que recebe na mídia.

Com alguns programas na TV, a Globo derrubava facilmente as decisões de Sergio Moro.

Não, a Globo deu-lhe o prêmio Faz Diferença, mostrando que chancela este odioso golpe judicial, que manipula, com fins políticos escusos, uma investigação policial.