Guardião da língua Xokleng (por Guarim Liberato Jr.)

Nanblá Gakran defende tese de doutorado com fundamentos da gramática da língua de seu povo.

O linguista, professor e pesquisador Nanblá Gakran, 51 anos, defenderá nesta quinta-feira, 28/5, às 9h30min, no auditório Atos da Universidade de Brasília (UnB), a tese de doutorado em que resgata os elementos fundamentais para a elaboração de uma gramática da língua Laklãnõ, falada pelo povo Xokleng, de Santa Catarina.

A tese é, na verdade, resultado do esforço acadêmico e de vida de Nanblá Gakran para livrar da extinção a sua língua materna, a língua de seu povo. Desde muito cedo, Nanblá, que é professor bilíngue na Reserva Indígena de José Boiteux, auxiliou antropólogos e pesquisadores no resgate da história, das tradições, dos mitos e da língua falada pelos xokleng.

Um aspecto destas pesquisas que sempre inquietavam Nanblá era a visão externa e muitas vezes distante da compreensão e da interpretação de seu povo, principalmente sobre a língua. “Sentia a dificuldade para um não falante nativo de nossa língua expressar a riqueza e os significados de nosso vocabulário”, lembra Nanblá. “Foi então que resolvi estudar a nossa língua, para que ela não caísse no esquecimento e para que pudesse ser estudada em nossas escolas”, conta.

A tese de Nanblá é um estudo pioneiro sobre as classes de palavras identificadas na língua Laklãnõ, como tipos de predicados, tipos de orações, combinações de orações por coordenação e por subordinação. Descreve os aspectos fundamentais da gramática Laklãnõ. Sua preocupação maior é a morfologia e a morfossintaxe da língua, embora apresente um breve estudo sobre a fonologia segmental.

Os Xokleng são um dos povos indígenas mais antigos do Brasil e também um dos mais massacrados. Poucos restaram do genocídio praticado em nome da colonização do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, e da ideia de progresso. De hábito nômade, restavam apenas 400 índios em 1914, quando foram aldeados pelo Serviço Nacional do Índio (SNI), e apenas 106 índios em 1932, quando o antropólogo norte-americano Jules Henry iniciou a primeira pesquisa acadêmica sobre o povo xokleng. Hoje, são cerca de 1,5 mil índios que vivem na Reserva Indígena Duque de Caxias, em José Boiteux (SC).

Contatos:
Nanblá Gakran – (61) 8221-1633 – memoria.xokleng@gmail.com
https://www.facebook.com/ngakran
Guarim Liberato Jr. (61) 9817-2271

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