A estranha história do Almirante Othon, que dedicou a vida à soberania do Brasil (via Fernando Brito/Tijolaço)

http://tijolaco.com.br/blog/?p=28545

29/7/2015

othon

O Vice-Almirante Othon Pinheiro da Silva, mandado prender hoje por Sérgio Moro, é o mais legítimo sucessor do também Almirante Álvaro Alberto, que pôs em risco a própria carreira para desenvolver o conhecimento brasileiro sobre a energia nuclear e sua aplicação prática.

Othon – como fizera Alberto em 1953, quando conseguiu o apoio de Getúlio Vargas para que o Brasil importasse secretamente centrífugas para enriquecimento de urânio, bloqueadas pelos EUA à última hora – também recorreu a expedientes bem pouco ortodoxos para superar os boicotes,  as dificuldades e a incredulidade e fazer o Brasil dominar o ciclo de enriquecimento do urânio.

Obter para o nosso país o domínio do ciclo da energia nuclear é semelhante ao que fez Prometeu fazendo o fogo deixar de ser privilégio dos deuses do Olimpo.

Desta história, porém, saltam situações muito estranhas.

Othon, hoje com 76 anos, já tocou projetos milionários e até bilionários: além do enriquecimento de combustível nuclear, o projeto brasileiro de submarino, construção de navios, obras de infra-estrutura e muitos outros.

Tem um currículo técnico e operacional invejável, que inclui pós-graduações em engenharia mecânica e nuclear no famosíssimo  Massachusetts Institute of Technology, nos EUA.

Enfrentou, ao longo da carreira, indizíveis pressões norte-americanas contra a absorção de tecnologia nuclear por países de sua zona de influência e resguardou segredos pelos quais, com facilidade, alguém que estivesse disposto a lesar seu país poderia ter vendido por uma pequena fortuna.

Agora, o MP diz que Othon teria recebido R$ 4,5 milhões como vantagens por um contrato aditivo de R$ 1,24 bilhões para a construção de Angra 3. Ou 0,36% do valor.

A Folha publica que sua empresa de consultoria teria recebido, em sete anos, R$ 6,1 milhões.

Isso dá R$ 870 mil por ano.

De faturamento bruto, é menos do que está sendo proposto para a fixação de limite para a classificação como microempresa, segundo o Sebrae.

Muito menos do que alguém com a sua história profissional poderia ganhar com consultoria empresarial no mercado.

Bem menos do que muitos oficiais militares e policiais, depois de aposentados, obtém com empresas de segurança privada.

Ninguém, militar ou civil, está imune a deslizes e se os praticaram devem ser punidos. Como todos devem ter a presunção de que são inocentes e o Almirante Othon sequer foi chamado a explicar os valores faturados por sua empresa de consultoria.

Esta história, construída a partir de um delator de fundilhos sujos que quer livrar sua pele dizendo o que lhe for mandado dizer não pode  ser suficiente para enjaular um homem, muito menos um que tem uma extensa folha de serviços ao país.

As coisas na Operação Lava jato são assim, obscuras e unilaterais, com um juiz mandando prender como alguns militares mandavam prender na ditadura.

É indispensável que o país ouça, como o Dr. Moro não se interessou em ouvir, a versão do Almirante Othon sobre os fatos – se é que existiram – que a Polícia Federal e o MP dizem ter ocorrido.

E é estranho que se tenha escolhido justamente uma área tão sensível como a da energia nuclear para que o Dr. Moro detonasse suas bombas de fragmentação, que ferem e destroem honra e empresas nas áreas mais estratégicas para este pobre Brasil.

O eletrizante reality show paranaense

Comentário do Vinicius B. Vicenzi, sobre a realidade brasileira:

Ah, eu esqueci! É que as empreiteiras só tem contratos com governos do PT. E todos os seus executivos são “amigos” do Lula. Não é isso? Ah, também esqueci: a corrupção é uma chaga que só existe a partir de 2003 e, como toda chaga  (né procurador Darlei?) deve ser extirpada do seio da sociedade pela espada do Ministério Público. Pode? Pode, claro! Nesse país de “patriotas” americanos vale tudo pelo moralismo do Tea Party! Pode esquecer! Só refundando o Código Penal e retirando o artigo de que “tucanos são inimputáveis”. Tá lá, pode procurar. Em alguma cláusula escondida, mas tá. Do restante, vamos continuar a assistir o eletrizante “reality show” paranaense! Ainda vai nos render “boas” histórias!

Governo e oposição, para quem não vê diferenças

Com o maior respeito por quem pensa diferente, discordo que o governo que aí está – apesar de tudo – não se diferencia da oposição. Acho que muitos se locupletaram, sim, outros tantos se acovardaram e que houve erros, mas, pelo menos para mim, são nítidas, ainda, as diferenças. E é a partir delas que é preciso avançar.

Desconsiderar que houve avanços, que 40 milhões de brasileiros mais miseráveis melhoraram de vida, que houve mais acesso ao ensino para quem nunca teve oportunidades, que praticamente erradicamos a fome, que se levou médicos a milhões de brasileiros que nunca tiveram qualquer assistência, que houve mudança na política externa, muito mais crédito e apoio para a agricultura familiar etc etc é perder o foco sobre o que de fato aconteceu nos últimos 12 anos e que ainda podem impactar o futuro desse país.

É cedo para ter certezas, mas não são poucos os intelectuais idôneos que apontam essa década como de grandes mudanças para o país. Essas diferenças, por mais que em alguns aspectos também haja semelhanças e até consensos com o campo da direita, pode ser um erro grave acreditar que não existe diferenças. E abre portas para a ascensão de forças políticas reacionárias, ditatoriais, que podem jogar o país num cenário perigoso e de enorme retrocesso. Se considero que o atual e outros governos do PT e a oposição que trama um golpe jurídico-midiático são a mesma coisa, certamente não farei nada para defender os avanços duramente conquistados, posto que não os reconheço.

Defendo esse governo menos pelo que é e muito mais pelas perspectivas perigosas que se projetam no horizonte. A partir disso que aí está, com todas as contradições, é possível avançar. Se houver retrocessos – e talvez mais graves do que possamos imaginar -, inclusive democráticos, iremos comprometer, novamente, várias gerações. Se acontecer o que de pior está projetado, saberemos reconhecer, mais adiante, o quanto perdemos.

Os (des)caminhos do jornalismo

Boa parte de nossos veículos de comunicação fazem de tudo para esconder certos fatos e realçar outros. Não raro, não distinguem o que é principal do que é secundário. Em alguns casos, por incompetência mesmo, em outros por má-fé. Sem falar que não é fácil sugerir pautas, hoje em dia, se o assunto não render “boa foto”. Estão viciados em imagem. Há palestras, debates, seminários, eventos muito bons sobre temas cruciais para a sociedade, mas experimente sugerir aos colegas…

Uma pesquisa recente sobre conteúdos de telejornais mostrou que uma parte considerável do tempo é dedicada ao uso de câmeras de vigilância, essas que ficam ligadas 24 horas. Jornalista pra quê? Jornalismo pra quê? Mostram 500 mil imagens de flagrantes de assaltos, mas pouco se atrevem a explicar o fenômeno da violência (onde é produzida, como é produzida, por que é produzida, que forças a alimentam etc etc). Jornalismo superficial, barato e estimulador do senso comum, por vezes reacionário, ao dar cada vez menos espaço para a reflexão e cada vez mais para a espetacularização da notícia.

“A ambição desenfreada pelo dinheiro é o esterco do diabo” (via Carta Maior)

Um discurso que é o mais importante documento político dos últimos tempos e um dos mais importantes de toda a história. Num momento em que boa parte da humanidade está anestesiada e alienada por valores que promovem a exploração dos seres humanos e a destruição do planeta, o papa Francisco não economiza palavras para apontar que outro mundo é possível. E que todos os movimentos populares, todas as pessoas, estão convidados a enfrentar as ditaduras ideológicas da economia e da mídia alienante e manipuladora. Leia o discurso, na íntegra. leia mais →

Por que o Papa envelheceu tão bem e FHC tão mal? (Por Paulo Nogueira/via DCM)

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-o-papa-envelheceu-tao-bem-e-fhc-tao-mal-por-paulo-nogueira/

Todos os livros escritos por FHC não valem o discurso do Papa Francisco na Bolívia.

Não apenas os livros. Inclua aí os discursos, as entrevistas, as cartas, os emails e o que mais for.

Faço esta comparação porque ambos são senhores de idade avançada, o Papa com 78 anos e FHC com 82.

Os anos fizeram bem ao Papa e mal a FHC.

O Papa, desde que chegou, se pôs a combater como um gladiador o grande câncer do mundo: a desigualdade social.

O resto foi consequência disso.

Francisco retrata, à perfeição, o Zeitgeist, a palavra alemã que designa o espírito do tempo.

Rapidamente, ele venceu a resistência de progressistas que não acreditavam que de uma Igreja Católica corroída pudesse brotar um Papa como aquele.

Hoje, Francisco é provavelmente a voz mais admirada, mais reverenciada e de maior repercussão em todo o mundo.

A pregação igualitária lhe dá tanta força que ele parece um adolescente octogenário.

Poucos notaram isso, mas uma de suas maiores virtudes é o constante sorriso.

Ele combate o bom combate, para usar as palavras de São Paulo, com um sorriso nos lábios.

É um exemplo para todos nós.

Da luz, passemos para a sombra.

Quantas vezes você viu FHC falar em desigualdade? E estamos falando de um homem de um país que é recordista mundial em iniquidade.

Não me lembro de tê-lo visto falar nisso uma única vez.

Em compensação, FHC demagogicamente fala compulsivamente em corrupção, ele que comprou a sua reeleição.

Por que ele fala tanto?

Por duas grandes razões, ambas canalhas.

A primeira.

Historicamente, corrupção tem sido uma cortina de fumaça para encobrir a tragédia da desigualdade nacional.

Você fala tanto nela que a iniquidade cai, automaticamente, para um segundo plano, ou terceiro, ou quarto.

A segunda.

A classe média – composta majoritariamente de pessoas pouco politizadas — é facilmente manipulada com o uso de denúncias (tantas vezes falsas) de corrupção.

É uma receita velha: a plutocracia matou Getúlio com isso em 54, derrubou Jango em 64 e vem buscando loucamente liquidar Lula e Dilma, em nossos dias.

FHC se juntou à plutocracia, e age como um serviçal dela. Em vez de iluminar o debate, como faz Francisco, ele ajuda no embuste.

A corrupção deve ser atacada, é claro. Mas de verdade – não de mentira, como sempre fez a plutocracia.

O uso demagógico da corrupção impede que ela seja extirpada.

Desconfie de quem fala, o tempo, todo em corrupção. Assim como você com certeza já faz em relação aos que, como os Malafaias, vivem falando sobre a moral e os bons costumes.

É o mesmo tipo de demagogia, de falácia.

Francisco faz bem ao mundo, com seu empenho desmesurado pelos pobres e sua crítica constante aos gananciosos.

FHC faz mal ao Brasil, e à própria biografia, com seu discurso repetitivo e enganador sobre corrupção.

Na velhice, Francisco é um homem puro. E FHC é uma alma corrompida e corruptora.

Quando o fascismo cresce, silenciar é ser cúmplice, por Jorge Furtado (via jornalggn.com.br)

http://jornalggn.com.br/blog/jorge-furtado/quando-o-fascismo-cresce-silenciar-e-ser-cumplice-por-jorge-furtado

Fiquei muitos meses sem escrever por aqui, por excesso de trabalho e por achar que o debate político estava tão alterado que a atitude mais sábia era o silêncio. Esperava que os derrotados das eleições fizessem o mesmo, deixassem passar os primeiros meses do novo governo para cobrar resultados. Meu volume de trabalho não diminuiu, na verdade cresceu, e os derrotados não esperaram nem um dia para subir ainda mais o volume e a grosseria das críticas, muitos pregam em voz alta, sem qualquer pudor, a volta da ditadura militar ou qualquer outro golpe que lhes devolva o poder que perderam nas urnas.

Volto a escrever sobre política porque o crescimento da direita, da intolerância, do fascismo, da ignorância e da homofobia, transforma os calados em cúmplices. A história ensina que os inimigos da democracia se utilizam da frustração e dos anseios legítimos da sociedade, das pessoas de boa fé, para chegar ao poder, e então passam a exercê-lo com tirania, perseguindo minorias, promovendo a intolerância e a violência. E aí é tarde demais para combatê-los pacificamente.

Não é possível ficar quieto quando o congresso é dominados pelo que há de pior na sociedade brasileira, bandidos e falsos pastores, achacadores em nome de Cristo, picaretas envolvidos em todo tipo de falcatrua, legislando em causa própria, manobrando votações, chantageando empresários para garantir seu butim, promovendo cultos religiosos no plenário, fomentando a homofobia e a ignorância. O atual congresso brasileiro, comandado por Renan Calheiros e Eduardo Cunha, ambos investigados por uma dúzia de crimes e toda sorte de imoralidades, é uma vergonha para o país.

Não é possível aceitar calado que o ministro Gilmar Mendes, uma única pessoa sem um único voto, por uma manobra rasteira, mantenha engavetado, por mais de um ano, um projeto de mudança da legislação eleitoral já aprovado pela maioria dos juízes, projeto este que, se não impede, dificulta em muito a roubalheira nas eleições e na política. A quase totalidade dos escândalos que entravam a vida nacional e sangram os cofres públicos está relacionada com a doação de empresas aos políticos, que retribuem o favor legislando contra o interesse da maioria da população e superfaturando obras, ambulâncias, remédios. Sem o fim da doação de empresas para políticos a roubalheira nas eleições será eternizada.

Não é possível silenciar quando a presidente Dilma, eleita legitimamente pela maioria da população brasileira para manter e aprofundar os avanços dos governos populares, concede a tal ponto em nome de uma suposta governabilidade que entrega a economia aos banqueiros, a agricultura aos latifundiários do agronegócio e a política aos sanguessugas do PMDB, um partido que é eternamente governo porque sua única convicção é ser eternamente governo. Se eu imaginasse que e Katia Abreu, Levy e Eliseu Padilha poderiam ser ministros de Dilma teria votado em Luciana Genro.

Infelizmente, quem deveria fiscalizar o governo, o legislativo e o judiciário é a imprensa, que tornou-se irrelevante quando abriu mão de fazer jornalismo para fazer oposição partidária. A imprensa brasileira, que sempre foi ferozmente governista, descobriu sua vocação oposicionista quando a Casa Grande perdeu um pouco o seu poder. É constrangedor ver jornalistas ou similares pensando exatamente como seus patrões mandam. Talvez pela profunda crise que o setor atravessa, com jornais e audiências minguando, velhos jornalistas e jovens sedentos de poder e fama se agarrem aos seus empregos com unhas e dentes, repetindo bobagens até a náusea. A verdade não agrada o patrão? Esqueça! O bandido disse que também deu dinheiro aos tucanos? Ignore! O patrão esconde dinheiro na Suíça e sonega fiscais para não pagar impostos? Não é comigo! O mensalão foi criado para eleger o presidente do PSDB? Concentre-se no plágio petista! A acusação contra um petista não faz sentido? O que importa? A antiga imprensa, que já estava seriamente ameaçada por conta da revolução digital, acelerou seu caminho para o fim abrindo mão do princípio básico do jornalismo: a defesa da verdade factual. Quando a história da antiga imprensa brasileira for contada descobriremos que ela não morreu, suicidou-se.

Você pode achar esta conversa de política uma chatice, e é mesmo. O problema é que os que não gostam de política são governados por aqueles que gostam. Ontem, pela segunda vez, imbecis agrediram o ex-ministro Mantega num restaurante. Outro dia foi num avião, um jornalista – sozinho – que lia uma revista, foi atacado por um punhado de trogloditas. Jô Soares foi ameaçado de morte por entrevistar a presidente da república, eleita democraticamente. Os sinais de intolerância crescem, tornam-se mais frequentes e mais violentos, é de se esperar que a ignorância dos mal informados covardes que andam em bando logo produza vítimas. Silenciar é ser cúmplice deste fascismo crescente.

Votei no Lula e na Dilma na esperança de promover a inserção social, a melhor distribuição de renda, para garantir a geração de empregos, o acesso dos filhos dos trabalhadores às universidades, na esperança de melhorar a vida dos mais pobres, para ver a corrupção ser investigada e punida. Tudo isso aconteceu, menos do que eu esperava, porém mais do que nunca. 40 milhões de pessoas passaram a ter uma vida mais digna, a fome foi praticamente erradicada, os níveis de emprego se mantém altos, milhares de jovens passaram a ter acesso ao ensino superior, a mortalidade infantil no Brasil caiu pela metade.

O combate à corrupção também avançou muito. Uma lei promulgada por Dilma permite que hoje os corruptores também sejam punidos. A Polícia Federal investiga, o Procurador Geral da República não engaveta as denúncias e vemos, pela primeira vez, empresários, políticos e banqueiros graúdos serem investigados e presos. É bom lembrar (já que ninguém lembra) que Renan Calheiros, que hoje é investigado pela Polícia Federal, no governo de Fernando Henrique era o Ministro da Justiça e, portanto, chefe da Polícia Federal! E foi neste momento (segundo o Ministério Público e segundo vários bandidos delatores), no final do primeiro mandado de FHC, que a quadrilha de Youssef começou a roubar a Petrobrás. Mas também é fato que a continuidade no poder atraiu toda espécie de picaretas que, somados aos picaretas já existentes no PT, sugam os recursos públicos que faltam para os hospitais, para a escolas, para a segurança pública. E os avanços do governo popular começam a ser comprometidos.

Felizmente – talvez pela cretinice evidente dos seus apoiadores na mídia – a direita brasileira tem perdido eleições com agradável regularidade, foram quatro, em dois turnos, nos últimos 13 anos. Oito vezes o povo brasileiro foi às urnas dizer não à intolerância, ao egoísmo e a hipocrisia. Espero que eles percam outra vez em 2018, mas se até lá o PT não se livrar desta direita truculenta, homofóbica, picareta e ignorante, pode até ganhar as eleições, mas não terá mais o meu voto.

Afinal, até quando vamos aceitar calados as agressões dos derrotados nas urnas, uma elite iletrada, egoísta, ignorante e preconceituosa, que ficou 500 no poder e transformou o Brasil no país mais desigual do planeta?

A corrupção e o bode expiatório

A mídia faz de tudo para mostrar que a corrupção nunca foi tão grande e que ela acontece sobretudo desde que o PT assumiu a presidência. O nome disso é manipulação, pois basta informar-se um pouco melhor para saber que ela atinge todos os partidos e toda a sociedade (empresários, servidores, organizações, cidadãos). Está presente em todo o país, em todo lugar. Por isso não cabe transformar um segmento, seja qual for, como bode expiatório. Isso é um desserviço à democracia. Uma simplificação de um problema complexo. Uma demagogia. Aliás, acho que a mídia exagera, de propósito, no problema da corrupção, que é universal, para esconder algo muito pior, como já declarou o economista Ladislau Dowbor: “O que se rouba ilegalmente não é nada comparado com o que se rouba legalmente”.

A Fiesp calcula que o país perde com a corrupção cerca de 1,3% do PIB. Mesmo que seja o dobro ou o triplo disso, ainda é insuficiente para explicar a enorme desigualdade que existe no Brasil. A desigualdade é construída legalmente, dentro das normas (injustas) que não exclui nenhum dos poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) e todas as instituições (sindicatos, associações, Ongs, etc) que atuam no dia a dia dos brasileiros e brasileiras. Somos todos responsáveis pelo que há de bom e ruim em nossa sociedade.