Governo e oposição, para quem não vê diferenças

Com o maior respeito por quem pensa diferente, discordo que o governo que aí está – apesar de tudo – não se diferencia da oposição. Acho que muitos se locupletaram, sim, outros tantos se acovardaram e que houve erros, mas, pelo menos para mim, são nítidas, ainda, as diferenças. E é a partir delas que é preciso avançar.

Desconsiderar que houve avanços, que 40 milhões de brasileiros mais miseráveis melhoraram de vida, que houve mais acesso ao ensino para quem nunca teve oportunidades, que praticamente erradicamos a fome, que se levou médicos a milhões de brasileiros que nunca tiveram qualquer assistência, que houve mudança na política externa, muito mais crédito e apoio para a agricultura familiar etc etc é perder o foco sobre o que de fato aconteceu nos últimos 12 anos e que ainda podem impactar o futuro desse país.

É cedo para ter certezas, mas não são poucos os intelectuais idôneos que apontam essa década como de grandes mudanças para o país. Essas diferenças, por mais que em alguns aspectos também haja semelhanças e até consensos com o campo da direita, pode ser um erro grave acreditar que não existe diferenças. E abre portas para a ascensão de forças políticas reacionárias, ditatoriais, que podem jogar o país num cenário perigoso e de enorme retrocesso. Se considero que o atual e outros governos do PT e a oposição que trama um golpe jurídico-midiático são a mesma coisa, certamente não farei nada para defender os avanços duramente conquistados, posto que não os reconheço.

Defendo esse governo menos pelo que é e muito mais pelas perspectivas perigosas que se projetam no horizonte. A partir disso que aí está, com todas as contradições, é possível avançar. Se houver retrocessos – e talvez mais graves do que possamos imaginar -, inclusive democráticos, iremos comprometer, novamente, várias gerações. Se acontecer o que de pior está projetado, saberemos reconhecer, mais adiante, o quanto perdemos.

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