Aécio, finalmente, será investigado?

O doleiro Alberto Youssef, em depoimento à CPI, confirmou nesta terça-feira (25), que o senador Aécio Neves recebeu dinheiro de corrupção de Furnas, subsidiária da Eletrobras.

Ora, ora, só os mais ingênuos, desinformados ou de má-fé para se surpreender com a confirmação do que há muito se sabe. Aécio sempre esteve envolvido em muitos casos de corrupção, mas a Justiça e a mídia sempre o blindaram. Mas com tão veemente confirmação do principal delator, será aberto processo contra ele? Fará, afinal, companhia a Cunha, com quem tanto se afina?

Investigarão, finalmente, um aeroporto construído em terras de familiares, com dinheiro público, e muito próximo de onde foi encontrado um laboratório de produção de cocaína e igualmente não muito distante de onde caiu o helicóptero com meia tonelada do produto, pertencente a um senador com quem tem estreitíssima amizade? Nestes casos a PF, o MP e o Judiciário brasileiro têm demonstrado uma enorme má vontade em investigar. Por que será?

Crônica de um roubo de um sonho! (por Rogério Maestri/via jornal GGN)

http://jornalggn.com.br/blog/rdmaestri/cronica-de-um-roubo-de-um-sonho-por-rogerio-maestri

20/8/2015.

Por Rogério Maestri.

Está provado por A mais B que Lula e Dilma claramente roubaram, e roubaram uma parcela da população, roubaram sonhos de manterem seus direitos adquiridos durante séculos por esta parte da sociedade, e por isso estão gritando, batendo panelas e fazendo o que geralmente o populacho faria, indo para as ruas para protestar contra estes ladrões, estes ladrões de sonhos e virtudes.

Ver senhoras bem vestidas ir às ruas com faixas e cartazes, ouvir de cidadãos de fino trato palavrões ditos insistentemente e atitudes agressivas contra possíveis opositores perigosos como damas de vermelho com idade avançada, prova que algo de muito grave foi feito por esta dupla de meliantes.

Atitudes grosseiras, palavrões na frente de crianças, gestos indecentes, e pior de tudo, uma fisionomia que se transforma quando fala o nome de um destes ladrões, comprova que algo de grave foi feita contra uma parte da sociedade, e este roubo este assassinato de uma esperança foi perpetuado pela gangue do PT.

Seria este roubo a retirada de uma pequena parte do patrimônio da Petrobras, talvez não, pois quando se rouba e se desvaloriza algo que não achamos importante e que com uma simples mudança de um esse para um xis torna-se vendável de dispensável para o povo e para o país. Uma Petrobrax é algo que pode ser vendido a qualquer um, afinal a ruptura do nome com a Terra Brasilis, torna-a mais fácil a passagem das ações da Bovespa para Wall Street, logo não é por aí.

Corruptos na política, ladrões nas empresas de construção ou em qualquer lugar que seja não é mais novidade, se fosse um roubo à bolsa ou na carteira de qualquer um, talvez a indignação e o sentimento de impotência ao ser privado mesmo de um pequeno valor justificaria toda esta indignação.

Mas uma corrupção que passou impune durante décadas e só foi encontrado porque um doleiro foi lavar o seu carro a jato, é algo para ser esquecido e incorporado à memória dos imensos desfalques feitos no dinheiro público. Bilhões aqui, bilhões ali, obras que não andam só servem para criticar os gestores destas obras e procurarem outro que ainda não teve a oportunidade de roubar. Afinal, segundo o discurso geral esta é a terra da corrupção e da impunidade.

Se não foi o roubo que incomoda, e não foi a corrupção logo pode ser uma reação aos fortes princípios morais e éticos que norteiam a sociedade.

Não, talvez não, o grau de tolerância às pequenas, médias, grandes e megas infrações é grande em todos os meios. No passado um roubava mais fazia, era tolerado, mais no presente no mesmo local e no mesmo posto ocupando a mesma cadeira outro roubou, levou o dinheiro para o exterior, quiseram os bancos estrangeiros que estão temporariamente desinfetando suas instalações, mandar o dinheiro de volta, mas ninguém fez questão de recebê-lo.

Um vizinho do andar de cima, quando era síndico usava os empregados do edifício para proveito próprio, mas como ele é simpático, bem falante e tem um belo carro na garagem é seguidamente convidado para jantares e festinhas no condomínio, e talvez umas das suas belas e ricas filhas possa casar com o filho de alguém e lhe proporcionar uma boa vida de madame. Logo a ética e moral é coisa de padres e pastores, e pensando bem nos dias de hoje nem é mais deles.

Retirando o roubo, a corrupção e a ética e o que sobrou para que ilustres senhoras e senhores tenham um comportamento tão inconveniente e tão distante de suas atitudes nos últimos cinquenta anos.

O Júnior! O querido e amado filho, aquele que durante anos a fio a boa Maria lhe tratou tão bem, foi no parquinho quando tinha sol, brincava com seus brinquedos eletrônicos importados de Miami a duras penas e sofrimento quando se passava na alfândega.

Durante seus intervalos de aulas de capoeira, inglês e seções intensas de videogame virando os mais incríveis e fantásticos jogos, até que ele estudava! Algumas vezes a megera de matemática colocou-o em recuperação, mas depois de várias aulas de reforço com professores particulares para compensar as aulas mal dadas ao Júnior, ele conseguiu passar. De forma sofrível, porém como o que conta é o diploma, tudo bem. Aquela professora megera de matemática teve o que merecia, depois do abaixo assinado voltou ao lugar de onde nunca deveria ter saído, a escola pública!

Agora, o amado, querido e desejado Júnior foi roubado. Sim ele foi roubado na sua chance de reproduzir o que há algum tempo a família tinha como direito adiquirido, o acesso a uma boa universidade. Diga-se de passagem de preferência uma boa universidade pública, pois depois de uns dois anos de cursinho talvez o Júnior consiga a entrada no seu curso desejado. Com o canudo teria o futuro garantido como o seu pai, independente do que ele soubesse, pois como todos sabem o importante é o diploma.

Mas agora vêm aqueles dois ladrões de sonhos e retiram a chance de Júnior, e pior mesmo que ele consiga seu diploma quando terminar seu curso haverá milhões de Zeferinos filhos de Marias que estarão concorrendo com este primor de rapaz.

Estes Zeferinos virão de escolas públicas, negros ou brancos encardidos, escolas que cursaram com aquela bruxa de matemática, ela doutrinou-os em comunismo ou em nazismo, tem diferença?

Estes malformados rapazes através das cotas ou dos Prounis da vida, ganharão o mesmo diploma, e como não tem NET em casa e nem conseguem namoradas como o Júnior, que vão fazer mais do que estudar? Que profissional que vai sair daí, conhecerá a Europa ou os Staites somente se aquela tal de Dilma lhe der uma bolsa passeio, são uns verdadeiros parasitas dos que recolhem impostos, vivem de bolsa família, bolsa disto e bolsa aquilo, e as safadas das Marias ainda querem aumento! Para que tanto dinheiro, será que para comprar uma nova TV?

E além do sapo barbudo, para não dizer outro nomes muito feios, que começou tudo isto, aquela, aquela mesmo, ainda insiste em falar em Pátria Educadora com o dinheiro do Pré-sal. Era melhor no lugar de gastar o dinheiro com esta gentalha, vender uma gasolina mais barata, pois afinal das contas a ida até a praia está saindo cara.

Roubaram o sonho de todos, do Júnior, do Sênior, da avó, do avô e de toda a família, somente a vizinha de baixo, aquela comunista, não acha nada de mal, afinal a sua, aquela horrível e desajeitada quatro-olhos estuda como uma desesperada e chegou a chamar o Junior de abostado, só porque ele nunca deu atenção para ela. Puro recalque, devia ir para Cuba.

Maria, pega a panela na cozinha que aquela vai discursar na TV, me traz também a colher de pau, não a nova, a velha, que uso para estas ocasiões.

O fascismo avança, disfarçado de democracia

Comentário do Vinicius B. Vicenzi, sobre o texto de Duvivier (Nossa fraternidade seletiva):

Realmente não havia amor nas manifestações, somente ódio. Essa fraternidade no ódio é o que há de mais perigoso em termos de política. Quando brasileiros pedem a exterminação do outro, do diferente, quando comungam apenas da vontade de ter exterminado toda esquerda em 64 realmente há alguma coisa muito errada acontecendo. O ovo do fascismo já foi chocado. E o pior, ninguém se choca! Os manifestantes acham conveniente levar as crianças para ver esse espetáculo de horror e ensiná-las a xingar, a querer ver pessoas mortas sob tortura, etc. A mídia louva as manifestações “populares” e democráticas. Até o governo, na sua tática de “não-confronto” mantém o relativismo de que todas as manifestações são iguais, todas igualmente “democráticas”. Se ninguém se indigna, a não ser nos blogs, nas redes sociais, as manifestações fascistas avançam, diretórios de um partido político podem sofrer continuamente intimidações e agressões e assim por diante. Não, não é pelo PT, nem contra ele. É pelo país! Por um mínimo de civilidade que exige a vida em comum. É pelo mínimo de democracia e respeito às diferenças que se pode esperar na convivência com o outro. Quem não consegue se indignar com as imagens de domingo, perdão, mas perdeu qualquer sensibilidade que nos faz humanos, isto é, diferentes.

Inocentes úteis dão potência ao discurso da truculência

Tão brincando com fogo! A direita anseia pela ditadura porque sabe que a matança, a tortura e as perseguições recairão sobre os mais pobres e os que defendem valores humanos e democráticos. É só abrir os livros de história. Não, essas passeatas não são inofensivas. Convivem muito bem com quem pede a morte de quem pensa diferente. Havia muito mais ódio do que amor. Como disse muito bem Duvivier (abaixo), nossa fraternidade é seletiva. No impeachment do Collor ninguém pedia a morte de ninguém, muito menos a volta da ditadura. Achar que esse discurso, no meio da massa, é exceção, é não entender quantos inocentes úteis hoje se prestam a dar mais potência ao discurso da truculência.

http://jornalggn.com.br/noticia/nossa-fraternidade-seletiva-por-gregorio-duvivier

 

Só por hoje

Por Celso Vicenzi.

“Só por hoje” é um princípio seguido à risca por alcoólicos anônimos, com resultados comprovados. Mas pode ser um mantra, também, contra qualquer tipo de vício. A ideia, simples, é dar um passo de cada vez. A cada 24 horas, uma batalha vencida. Os movimentos conhecidos por AAA – Associação dos Alcoólicos Anônimos –, surgidos na década de 30, nos Estados Unidos, e que se espalharam pelo mundo, praticam o lema ainda nos dias atuais, com bons resultados.

Sem abdicar dos antigos, novos vícios têm sido incorporados à sociedade, como a compulsão  pelo uso de aparelhos celulares. Há outros igualmente perniciosos: o vício por consumir informação de péssima qualidade, inclusive nas redes sociais, e o vício de entreter-se com programas de rádio e tevê que atrofiam a inteligência e a capacidade de análise. Incluem-se nesse rol comentaristas famosos de diferentes mídias.

Talvez, justamente por isso, as redes sociais estejam entulhadas de diálogos e debates de baixíssimo nível, em que os xingamentos e a desinformação sejam moeda corrente. E que, não raro, descambam para um superávit de ódio e um déficit de solidariedade. Graças às redes sociais, descobrimos que aquele cidadão (vale também para o sexo feminino) que parece tão fino e educado, cheio de gentilezas e que aparenta ser adepto de causas nobres, na verdade esconde um troglodita, machista, reacionário, egoísta,homofóbico, desinformado e mal-educado.  Não necessariamente nessa ordem.

Por isso, para pôr um pouco de água na fervura e, quem sabe, serenar os ânimos, pensei em  resgatar o lema que tem mantido longe do vício tantas pessoas que, no passado, estiveram às portas do inferno. Se não nos levar ao céu, pelo menos poderemos viver e dialogar mais civilizadamente.

Então…

Só por hoje não chamarei de petralha ou de coxinha nenhum de meus adversários políticos e  ideológicos. Categorizar conceitos pejorativos e reducionistas em nada colabora para a tentativa de manter um diálogo com respeito. Para aqueles casos em que a recíproca não for verdadeira, mantenha-se afastado. Não perca seu tempo.

Só por hoje não xingarei, não usarei palavrões, nem tentarei ganhar no grito um debate que só tem sentido quando  houver argumentos e informações fidedignas  e sensatas sobre aquilo que se procura demonstrar. Ou seja, vale a pena fazer um esforço para diversificar as fontes e informar-se melhor sobre o que acontece no país e no mundo.

Só por hoje não direi que “é tudo culpa da Dilma”, seja lá o que aconteça no país. Afinal, vivemos numa República Federativa e as principais instâncias de poder são o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, que, por sua vez, operam nas esferas federal, estadual e municipal. Farei um esforço para lembrar que a responsabilidade precisa ser dividida no mínimo com mais 27 governadores, 5.570 prefeitos, 81 senadores, 513 deputados federais, 1.059   deputados estaduais, cerca de 60 mil vereadores e 20 mil juízes espalhados por todo o país. Sem falar em milhares de importantes entidades representativas dos mais diversos setores da sociedade.

Só por hoje não direi que esquerda e direita são “tudo a mesma coisa”. Para esclarecer melhor tudo aquilo que não compreendo muito bem, melhor começar por ler o livro clássico de Norberto Bobbio sobre o tema. Há outros igualmente bons, é só procurar.

Só por hoje não direi que a política e todos os políticos não prestam e procurarei estudar um pouco mais, sobretudo ciência política, história e sociologia, para tentar entender as engrenagens do poder e, quem sabe, a partir daí, contribuir decisivamente para a criação de políticas públicas que visem ao bem comum, ao bem-estar coletivo.

Só por hoje não direi que a política de cotas (políticas afirmativas) é uma injustiça e vai prejudicar a qualidade do ensino. Primeiro, comprometo-me a ler com mais atenção a história dos negros no Brasil e, na sequência, divulgarei as pesquisas que demonstram que a maioria daqueles que entraram por cotas nas universidades brasileiras tem um desempenho igual ou superior aos que acessaram o ensino superior por outros meios.

Só por hoje não vou converter-me à ideia de que problemas de segurança pública devem ser resolvidos à bala. Consultarei a vasta bibliografia sobre o assunto que desmente, categoricamente, a ideia de que a ênfase na repressão e a criação e manutenção de um sistema de segurança baseado na discriminação possam pôr um fim à violência.

Só por hoje evitarei o uso de falas e comportamentos machistas, para que a relação entre duas  ou mais pessoas seja sempre baseada na igualdade, na dignidade e no respeito às diferenças. Igualmente repudiarei os estereótipos machistas da publicidade e me posicionarei contra atitudes cotidianas que reforçam esses hábitos.

Só por hoje não reclamarei do engarrafamento no trânsito se estiver sentado em um automóvel. Afinal, concluirei, é a minha presença ali, juntamente com milhares de outros condutores de automóveis, a razão de um trânsito que não anda. Aproveitarei o tráfego parado para refletir sobre a importância de apoiar a construção de ciclovias e dar prioridade ao transporte público de qualidade.

Só por hoje não vou ridicularizar e hostilizar pessoas com preferências sexuais diferentes da minha. Tentarei compreender que o desejo sexual independe de gênero e que não há nada errado nisso, ao contrário da homofobia. Se persistirem os sintomas homofóbicos, procurarei  ajuda. Talvez Freud explique.

Só por hoje buscarei novas formas de me manter informado, diferente das fontes habituais, para que não me torne refém de interesses particulares, não raro economicistas, que favorecem grupos minoritários, e que, no entanto, se apresentam como porta-vozes de interesses justos e igualitários.

Só por hoje não acreditarei que recentes investigações sobre ilícitos sejam parâmetro para afirmar que “nunca houve tanta corrupção no país”, sem questionar primeiro por que antes essas investigações eram tão raras e por que, ainda hoje, o mesmo dinheiro que foi distribuído aos principais partidos, por diferentes setores empresariais, é considerado ilegal para uns e absolutamente honesto e sem problema para outros?

Só por hoje entenderei que, num estado laico, como é o caso do Brasil, política e religião não se misturam e credos particulares não podem ser aceitos como objeto de leis e normas para o conjunto da sociedade.

Só por hoje, cada vez que começar uma reclamação contra os altos impostos cobrados pelo governo federal, tentarei lembrar-me de que alguns dos principais impostos que me afetam  diretamente, como o ICMS, o IPVA e o ISS são impostos estaduais e que o IPTU é um imposto municipal.  E decidirei reclamar, com a mesma intensidade, da sonegação de impostos, que desvia bilhões de reais que fazem falta às políticas públicas do país. De bônus, investigarei por que as camadas mais ricas pagam, proporcionalmente, tão poucos impostos no país, ao contrário do que acontece em nações sempre citadas como exemplo de sociedades desenvolvidas.

Só por hoje evitarei falar e publicar nas redes sociais a primeira ideia que me vem à cabeça, sem refletir, inicialmente, se não estou reproduzindo aquilo que me foi incutido por veículos de comunicação e instituições da sociedade com interesses muito particulares,  tendo como resultado um pensamento que não é necessariamente meu, mas orientado para reproduzir conceitos que interessam a outros, sem que eu nunca tenha me dado conta, ainda, disso. Como antídoto, buscarei bons livros e boas fontes de informação e conhecimento, na tentativa de me “deseducar” um pouco e compreender que o mundo e as relações podem ser muito diferentes do que hoje são e que mudar isso não é uma impossibilidade.

Só por hoje, não repetirei ideias-clichês do tipo “no Brasil não tem racismo”, “só é pobre quem não trabalha”, “direitos humanos só servem para proteger marginais”, “na ditadura era tudo melhor, não tinha corrupção”, “negros também têm preconceito contra os brancos”, “o mensalão é o maior escândalo de corrupção da história do país”, “político é tudo ladrão”, “tudo que é público não funciona”, “o mercado regula”, “o mundo está cada vez pior”, “no Brasil nada dá certo”, “bandido bom é bandido morto” etc. etc. Se quero compreender os fenômenos sociais, prometo, vou estudar e ler – ler muito –, para não dizer bobagens inconsistentes.

Só por hoje.

Lava Jato: Brahma ist kein Kaiser!

Por Vinicius B. Vicenzi

Não percam, não percam! “Buemba! Buemba!”, como diria um certo colunista. Cenas do próximo capítulo da novela Lava Jato acabam de vazar para a imprensa! Como se sabe, depois de 17 capítulos e mais de um ano em cartaz, a novela se aproxima de seus lances finais. Os jovens redatores paranaenses só não estão ainda certos do título desse último capítulo. Há ainda muita divergência entre eles, conforme nos confirmam fontes “seguras” de delatores. Há os latinistas, e entre eles os que preferem um título simples: “Brahma apprehendi” (Brahma é preso). Mas há também os mais “espiritualizados”, mais “devotos de Deus” que não estão muito certos que língua usar para falar com Deus, mas que, por ora, gostariam de batizar a fase de “Brahma se torna Shiva” (a Criação se torna Destruição), “Brahma siva bana jata hai” no original hindi. Há também entre eles os germanistas que querem preservar as raízes germânicas de Curitiba e que, assim, querem um título como “Brahma ist kein Kaiser” ((Brahma não é Kaiser – ou Imperador, caso não queiram o trocadilho). Há até os americanistas que, seguindo a preferência do redator-chefe, numa certa bajulação, batizariam: “Nine is not ten”. Certo mesmo é que, seja qual for a corrente vencedora, até mesmo se, numa reviravolta improvável de brasilianismo, batizarem de “camarão que dorme a onda leva”, o desfecho final é o mesmo: o preconceito da elite (seja qual corrente vença) levará Lula à prisão.

Não é ainda completamente certo também que o capítulo será exibido no formato que desejam redatores e as empresas de mídia detentoras da exclusividade da transmissão. Talvez nem sequer seja exibido. O que é certo, por enquanto, é que, como num thriller, mais importante que o gran finale é o suspense que antecede essa cena.

E nesse quesito, não podemos deixar de elogiar, o roteiro tem sido “campeão” de audiência. Um passo após o outro, toda “coerência” dramática tem levado certinho o público na direção que os redatores almejam. As paixões despertadas pelas ações dos personagens são de uma fidelidade à estrutura dramática digna dos melhores roteiristas de suspenses. Nem nos melhores sonhos e imaginações alguém poderia pensar, há alguns meses, que estaríamos próximos dessa cena. Presidente com a maior aprovação ao sair do governo, em poucos anos se torna o grande vilão dos problemas do país! Tchananan! A composição desse personagem realmente recebeu retoques de maquiagem das melhores empresas de showbiz americanas. Mas o melhor de tudo: parece tudo 100% nacional, 100% verde e amarelo.

Bom, se a história que nos contam é verdadeira ou não jamais saberemos. Com tamanha desenvoltura entre ficção e realidade a Lava Jato é uma dessas obras inclassificáveis. Mas também não há que esperar por “verdade”, já que o que conta numa Poética, da qual a Lava Jato é apenas mais um exemplar, é a verossimilhança, que a história seja crível, que o público acredite na história. E nesse quesito a dramaturgia tem sido muito bem amarrada desde o início.

Alguns achavam (talvez ainda achem) que os redatores paranaenses não estariam dispostos a ir tão longe no thriller, na exibição das cenas. Talvez tenham acreditado, como uma certa Senhora e um de seus justos auxiliares, que valores “republicanos” imperassem nas transmissões. Tudo isso desapareceu, como vimos, nos eletrizantes últimos capítulos da novela, em que alguns dos maiores empresários do país foram presos e, agora, em que o mítico José Dirceu foi parar atrás das grades, novamente. Quem desafia o dinheiro desafia uma biografia. Desafia até a própria narrativa, que muda o enredo no meio da novela, de um “cartel de empreiteiras para financiar partidos políticos”, agora sabemos que se trata de um “Mensalão II”. Bom, quem se importa com esses detalhes, não é mesmo? Melhor repetir um grande sucesso de audiência do que emplacar algo original, não é? Como toda novela, o que importa é o último capítulo e, nesse sentido temos certeza de que teremos boas imagens, e também belas fotos para a revista de fofocas que muitos confundem com jornalismo. O sucesso, os aplausos, são garantidos, não tenho dúvida.

É verdade que ainda não sabemos quando os redatores pretendem colocar no ar, mas tudo indica que não demorará muito. Afinal, como num bom suspense, o encadeamento do tempo é a grande chave da trama.

Quem viver, verá! Certamente será um espetáculo daqueles em que ninguém sairá imune. À direita ou à esquerda da trama.

A nova marcha dos insensatos e sua primeira vítima (por Mauro Santayana – via jornal GGN)

http://jornalggn.com.br/noticia/a-nova-marcha-dos-insensatos-e-sua-primeira-vitima-por-mauro-santayana

Do blog de Mauro Santayana
Mauro Santayana
Esperam-se, para o próximo dia 16 de agosto — mês do suicídio de Vargas e de tantas desgraças que já se abateram sobre o Brasil — novas manifestações pelo impeachment da Presidente da República, por parte de pessoas que acusam o governo de ser corrupto e comunista e de estar quebrando o país.
Se esses brasileiros, antes de ficar repetindo sempre os mesmos comentários dos portais e redes sociais, procurassem fontes internacionais em que o mercado financeiro normalmente confia para tomar suas decisões, como o FMI – Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, veriam que a história é bem diferente, e que se o PIB e a renda per capita caíram, e a dívida pública líquida praticamente dobrou, foi no governo Fernando Henrique Cardoso.
Segundo o Banco Mundial, o PIB do Brasil, que era de 534 bilhões de dólares, em 1994, caiu para 504 bilhões de dólares, quando Fernando Henrique Cardoso deixou o governo, oito anos depois.
Para subir, extraordinariamente, destes 504 bilhões de dólares, em 2002, para 2 trilhões, 346 bilhões de dólares, em 2014, último dado oficial levantado pelo Banco Mundial, crescendo mais de 400% em dólares, em apenas 11 anos, depois que o PT chegou ao poder.
E isso, apesar de o senhor Fernando Henrique Cardoso ter vendido mais de 100 bilhões de dólares em empresas brasileiras, muitas delas estratégicas, como a Telebras, a Vale do Rio Doce e parte da Petrobras, com financiamento do BNDES e uso de “moedas podres”, com o pretexto de sanear as finanças e aumentar o crescimento do país.
Com a renda per capita ocorreu a mesma coisa. No lugar de crescer em oito anos, a renda per capita da população brasileira, também segundo o Banco Mundial — caiu de 3.426 dólares, em 1994, no início do governo, para 2.810 dólares, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. E aumentou, também, em mais de 400%, de 2.810 dólares, para 11.208 dólares, também segundo o World Bank, depois que o PT chegou ao poder.
O salário mínimo, que em 1994, no final do governo Itamar Franco, valia 108 dólares, caiu 23%, para 81 dólares, no final do governo FHC e aumentou em três vezes, para mais de 250 dólares, agora.
As reservas monetárias internacionais — o dinheiro que o país possui em moeda forte — que eram de 31,746 bilhões de dólares, no final do governo Itamar Franco, cresceram em apenas algumas centenas de milhões de dólares por ano, para37.832 bilhões de dólares — nos oito anos do governo FHC.
Nessa época, elas eram de fato, negativas, já que o Brasil, para chegar a esse montante, teve que fazer uma dívida de 40 bilhões de dólares com o FMI.
Depois, elas se multiplicaram para 358,816 bilhões de dólares em 2013, e para 370,803 bilhões de dólares, em dados de ontem (Bacen), transformando o Brasil de devedor em credor do FMI, depois do pagamento total da dívida com essa instituição em 2005, e de emprestarmos dinheiro para o Fundo Monetário Internacional, quando do pacote de ajuda à Grécia em 2008.
E, também, no terceiro maior credor individual externo dos EUA, segundo consta, para quem quiser conferir, do próprio site oficial do tesouro norte-americano — (usa treasury).
O IED – Investimento Estrangeiro Direto, que foi de 16,590 bilhões de dólares, em 2002, no último ano do Governo Fernando Henrique Cardoso, também subiu mais de quase 400%, para 80,842 bilhões de dólares, em 2013, depois que o PT chegou ao poder, ainda segundo dados do Banco Mundial: passando de aproximadamente 175 bilhões de dólares nos anos FHC (mais ou menos 100 bilhões em venda de empresas nacionais) para 440 bilhões de dólares entre 2002 e 2014.
A dívida pública líquida (o que o país deve, fora o que tem guardado no banco), que, apesar das privatizações, dobrou no Governo Fernando Henrique, para quase 60%, caiu para 35%, agora, 11 anos depois do PT chegar ao poder.
Quanto à questão fiscal, não custa nada lembrar que a média de déficit público, sem desvalorização cambial, dos anos FHC, foi de 5,53%, e com desvalorização cambial, de 6,59%, bem maior que os 3,13% da média dos anos que se seguiram à sua saída do poder; e que o superavit primário entre 1995 e 2002 foi de 1,5%, muito menor que os 2,98% da média de 2003 e 2013 — segundo Ipeadata e o Banco Central.
E, ao contrário do que muita gente pensa, o Brasil ocupa, hoje, apenas o quinquagésimo lugar do mundo, em dívida pública, em situação muito melhor do que os EUA, o Japão, a Zona do Euro, ou países como a Alemanha, a França, a Grã Bretanha — cujos jornais adoram ficar nos ditando regras e “conselhos” — ou o Canadá (economichelp).
Também ao contrário do que muita gente pensa, a carga tributária no Brasil caiu ligeiramente, segundo Banco Mundial, de 2002, no final do governo FHC, para o último dado disponível, de dez anos depois, e não está entre a primeiras do mundo, assim como a dívida externa, que caiu mais de 10 pontos percentuais nos últimos dez anos, e é a segunda mais baixa, depois da China, entre os países do G20 (quandl).
Não dá, para, em perfeito juízo, acreditar que os advogados, economistas, empresários, jornalistas, empreendedores, funcionários públicos, majoritariamente formados na universidade, que bateram panelas contra Dilma em suas varandas, no início do ano, acreditem mais nos boatos das redes sociais, do que no FMI e no Banco Mundial, organizações que podem ser taxadas de tudo, menos de terem sido “aparelhadas” pelo governo brasileiro e seus seguidores.
Considerando-se estas informações, que estão, há muito tempo, publicamente disponíveis na internet, o grande mistério da economia brasileira, nos últimos 12 anos, é saber em que dados tantos jornalistas, economistas, e “analistas”, ouvidos a todo momento, por jornais, emissoras de rádio e televisão, se basearam, antes e agora, para tirar, como se extrai um coelho da cartola — ou da “cachola” — o absurdo paradigma, que vêm defendendo há anos, de que o Governo Fernando Henrique foi um tremendo sucesso econômico, e de que deixou “de presente” para a administração seguinte, um país econômica e financeiramente bem sucedido.
Nefasto paradigma, este, que abriu caminho, pela repetição, para outra teoria tão frágil quanto mentirosa, na qual acreditam piamente muitos dos cidadãos que vão sair às ruas no próximo dia seis: a de que o PT estaria, agora, jogando pela janela, essa — supostamente maravilhosa – “herança” de Fernando Henrique Cardoso.
O pior cego é o que não quer ver, o pior surdo, o que não quer ouvir.
Está certo que não podemos ficar apenas olhando para o passado, que temos de enfrentar os desafios do presente, fruto de uma crise que é internacional, e que é constantemente alimentada e realimentada por medidas de caráter jurídico que afetam a credibilidade e a estabilidade de empresas e por uma intensa campanha antinacional, que fazem com que estejamos crescendo pouco, neste ano, embora haja diversos países ditos “desenvolvidos” que estejam muito mais endividados e crescendo menos ainda do que nós.
Assim como também é verdade que esse governo não é perfeito, e que se cometeram vários erros na economia, que poderiam ter sido evitados, principalmente nos últimos anos, como desonerações desnecessárias e um tremendo incentivo ao consumo que prejudicou — entre outras razões, também pelo aumento da importação de supérfluos e de viagens ao exterior — a balança comercial.
Mas, pelo amor de Deus, não venham nos impingir nenhuma dessas duas fantasias, que estão empurrando muita gente a sair às ruas para se manifestar: nem Fernando Henrique salvou o Brasil, nem o PT está quebrando um país que em 2002, era a décima-quarta maior economia do mundo, e que hoje já ocupa o sétimo lugar.
Muitos brasileiros também vão sair às ruas, mais esta vez, por acreditar — assim como fazem com relação à afirmação de que o PT quebrou o país — que o governo Dilma é comunista e que ele quer implantar uma ditadura esquerdista no Brasil.
Quais são os pressupostos e características de um país democrático, ao menos do ponto de vista de quem “acredita” e defende o capitalismo?
a) a liberdade de expressão — o que não é verdade para a maioria dos países ocidentais – dominados por grandes grupos de mídia pertencentes a meia dúzia de famílias, mas que, do ponto de vista formal, existe plenamente por aqui;
b) a liberdade de empreender, ou de livre iniciativa, por meio da qual um indivíduo qualquer pode abrir ou encerrar uma empresa de qualquer tipo, quando quiser;
c) a liberdade de investimento, inclusive para capitais estrangeiros;
d) um sistema financeiro particular independente e forte;
e) apoio do governo à atividade comercial e produtiva;
f) a independência dos poderes;
g) um sistema que permita a participação da população no processo político, na expressão da vontade da maioria, por meio de eleições livres e periódicas, para a escolha, a intervalos regulares e definidos, de representantes para o Executivo e o Legislativo, nos municípios, Estados e União.
Todas essas premissas e direitos estão presentes e vigentes no Brasil.
Não é o fato de ter como símbolo uma estrela solitária ou vestir uma roupa vermelha — hábito que deveria ter sido abandonado pelo PT há muito tempo, justamente para não justificar o discurso adversário de que o PT não é um partido “brasileiro” ou “patriótico” — que transformam alguém em comunista — e aí estão botafoguenses e colorados que não me deixam mentir, assim como o Papai Noel, que se saísse inadvertidamente às ruas, no dia 6, provavelmente seria espancado brutalmente, depois de ter o conteúdo de seu saco de brinquedos revistado e provavelmente “apreendido” à procura de dinheiro de corrupção.
Da mesma forma que usar uma bandeira do Brasil não transforma, automaticamente, ninguém em patriota, como mostrou a foto do Rocco Ritchie, o filho da Madonna, no Instagram, e os pavilhões nacionais pendurados na entrada do prédio da Bolsa de Nova Iorque, quando da venda de ações de empresas estratégicas brasileiras, na época da privataria.
Qualquer pessoa de bom senso prefere um brasileiro vestido de vermelho — mesmo que seja flamenguista ou sãopaulino, que não são, por acaso, times do meu coração — do que um que vai para a rua, vestido de verde e amarelo, para defender a privatização e a entrega, para os EUA, de empresas como a Petrobras.
O PT é um partido tão comunista, que o lucro dos bancos, que foi de aproximadamente 40 bilhões de dólares no governo Fernando Henrique Cardoso, aumentou para 280 bilhões de dólares nos oito anos do governo Lula.
É claro que isso ocorreu também por causa do crescimento da economia, que foi de mais de 400% nos últimos 12 anos, mas só o fato de não aumentar a taxação sobre os ganhos dos mais ricos e dos bancos — que, aliás, teria pouquíssima chance de passar no Congresso Nacional — já mostra como é exagerado o medo que alguns sentem do “marxismo” do Partido dos Trabalhadores.
O PT é um partido tão comunista, que grandes bancos privados deram mais dinheiro para a campanha de Dilma e do PT do que para os seus adversários nas eleições de 2014.
Será que os maiores bancos do país teriam feito isso, se dessem ouvidos aos radicais que povoam a internet, que juram, de pés juntos, que Dilma era assaltante de banco na década de 1970, ou se desconfiassem que ela é uma perigosa terrorista, que está em vias de dar um golpe comunista no Brasil?
O PT é um partido tão comunista que nenhum governo apoiou, como ele, o capitalismo e a livre iniciativa em nosso país.
Foi o governo do PT que criou o Construcard, que já emprestou mais de 20 bilhões de reais em financiamento, para compra de material de construção, beneficiando milhares de famílias e trabalhadores como pedreiros, pintores, construtores; que criou o Cartão BNDES, que atende, com juros subsidiados, milhares de pequenas e médias empresas e quase um milhão de empreendedores; que aumentou, por mais de quatro, a disponibilidade de financiamento para crédito imobiliário — no governo FHC foram financiados 1,5 milhão de unidades, nos do PT mais de 7 milhões — e o crédito para o agronegócio (no último Plano Safra de Fernando Henrique, em 2002, foram aplicados 21 bilhões de reais, em 2014/2015, 180 bilhões de reais, 700% a mais) e a agricultura familiar (só o governo Dilma financiou mais de 50 bilhões de reais contra 12 bilhões dos oito anos de FHC).
Aumentando a relação crédito-PIB, que era de 23%, em dezembro de 2002, para 55%, em dezembro de 2014, gerando renda e empregos e fazendo o dinheiro circular.
As pessoas reclamam, na internet, porque o governo federal financiou, por meio do BNDES, empresas brasileiras como a Braskem, a Vale e a JBS.
Mas, estranhamente, não fazem a mesma coisa para protestar pelo fato do governo do PT, altamente “comunista”, ter emprestado — equivocadamente a nosso ver — bilhões de reais para multinacionais estrangeiras, como a Fiat e a Telefónica (Vivo), ao mesmo tempo em que centenas de milhões de euros, seguem para a Europa, como andorinhas, todos os anos, em remessa de lucro, para nunca mais voltar.
A questão militar
Outro mito sobre o suposto comunismo do PT, é que Dilma e Lula, por revanchismo, sejam contra as Forças Armadas, quando suas administrações, à frente do país, começaram e estão tocando o maior programa militar e de defesa da história brasileira.
Lula nunca pegou em armas contra a ditadura. No início de sua carreira como líder de sindicato, tinha medo “desse negócio de comunismo” — como já declarou uma vez — surgiu e subiu como uma liderança focada na defesa de empregos, aumentos salariais e melhoria das condições de classe de seus companheiros de trabalho, operários da indústria automobilística de São Paulo, e há quem diga que teria sido indiretamente fortalecido pelo próprio regime militar para impedir o crescimento político dos comunistas em São Paulo.
Dilma, sim, foi militante de esquerda na juventude, embora nunca tenha pego em armas, a ponto de não ter sido acusada disso sequer pela Justiça Militar.
Mas se, por esta razão, ela é comunista, seria possível acusar desse mesmo “crime” também José Serra, Aloísio Nunes Ferreira, e muitos outros que antes eram contra a ditadura e estão, hoje, contra o PT.
Se o PT tivesse alguma coisa contra a Marinha, ele teria financiado, por meio do PROSUB, a construção do estaleiro e da Base de Submarinos de Itaguaí, e investido 7 bilhões de dólares no desenvolvimento conjunto com a França, de vários submersíveis convencionais e do primeiro submarino nuclear brasileiro, cujo projeto se encontra hoje ameaçado, porque suas duas figuras-chave, o Presidente do Grupo Odebrecht, e o Vice-Almirante Othon Pinheiro da Silva, figuras públicas, com endereço conhecido, estão desnecessária e arbitrariamente detidos, no âmbito da “Operação Lava-Jato”?
Teria, da mesma forma, o governo do PT, comprado novas fragatas na Inglaterra, voltado a fabricar navios patrulha em nossos estaleiros, até para exportação para países africanos, investido na remotorização totalmente nacional de mísseis tipo Exocet, na modernização do navio aeródromo (porta-aviões) São Paulo, na compra de um novo navio científico oceanográfico na China, na participação e no comando por marinheiros brasileiros das Forças de Paz da ONU no Líbano ?
Se fosse comunista, o governo do PT estaria, para a Aeronáutica, investido bilhões de dólares no desenvolvimento conjunto com a Suécia, de mais de 30 novos caças-bombardeio Gripen NG-BR, que serão fabricados dentro do país, com a participação de empresas brasileiras e da SAAB, com licença de exportação para outras nações, depois de uma novela de mais de duas décadas sem avanço nem solução, que começou no governo FHC ?
Se fosse comunista — e contra as forças armadas — teria o governo do PT encomendado à Aeronáutica e à Embraer, com investimento de um bilhão de reais, do governo federal, o projeto do novo avião cargueiro militar multipropósito KC-390, desenvolvido com a cooperação da Argentina, do Chile, de Portugal e da República Tcheca, capaz de carregar até blindados, que já começou a voar neste ano — a maior aeronave já fabricada no Brasil?
Teria comprado, para os Grupos de Artilharia Aérea de Auto-defesa da FAB, novas baterias de mísseis IGLA-S; ou feito um acordo com a África do Sul, para o desenvolvimento conjunto — em um projeto que também participa a Odebrecht — com a DENEL Sul-africana, do novo míssil ar-ar A-Darter, que ocupará os nossos novos caças Gripen NG BR?
Se fosse um governo comunista, o governo do PT teria financiado o desenvolvimento, para o Exército, do novo Sistema Astros 2020, e recuperado financeiramente a AVIBRAS ?
Se fosse um governo comunista, que odiasse o Exército, o governo do PT teria financiado e encomendado a engenheiros dessa força, o desenvolvimento e a fabricação, com uma empresa privada, de 2.050 blindados da nova família de tanques Guarani, que estão sendo construídos na cidade de Sete Lagoas, em Minas Gerais?
Ou o desenvolvimento e a fabricação da nova família de radares SABER, e, pelo IME e a IMBEL, para as três armas, da nova família de Fuzis de Assalto IA-2, com capacidade para disparar 600 tiros por minuto, a primeira totalmente projetada no Brasil?
Ou encomendado e investido na compra de helicópteros russos e na nacionalização de novos helicópteros de guerra da Helibras e mantido nossas tropas — em benefício da experiência e do prestígio de nossas forças armadas — no Haiti e no Líbano?
Em 2012, o novo Comandante do Exército, General Eduardo Villas Bôas, então Comandante Militar da Amazônia, respondeu da seguinte forma a uma pergunta, em entrevista à Folha de São Paulo:
Lucas Reis:
“Em 2005, o então Comandante do Exército, general Albuquerque, disse “o homem tem direito a tomar café, almoçar e jantar, mas isso não está acontecendo (no Exército). A realidade atual mudou?
General Eduardo Villas Bôas:
“Mudou muito. O problema é que o passivo do Exército era muito grande, foram décadas de carência. Desde 2005, estamos recebendo muito material, e agora é que estamos chegando a um nível de normalidade e começamos a ter visibilidade. Não discutimos mais se vai faltar comida, combustível, não temos mais essas preocupações.”
Deve ter sido, também, por isso, que o General Villas Bôas, já desmentiu, como Comandante do Exército, neste ano, qualquer possibilidade de “intervenção militar” no país, como se pode ver aqui (O recado das armas).
A questão externa
A outra razão que contribui para que o governo do PT seja tachado de comunista, e muita gente saía às ruas, no domingo, é a política externa, e a lenda do “bolivarianismo” que teria adotado em suas relações com o continente sul-americano.
Não é possível, em pleno século XXI, que os brasileiros não percebam que, em matéria de política externa e economia, ou o Brasil se alia estrategicamente com os BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul), potências ascendentes como ele; e estende sua influência sobre suas áreas naturais de projeção, a África e a América Latina — incluídos países como Cuba e Venezuela, porque não temos como ficar escolhendo por simpatia ou tipo de regime — ou só nos restará nos inserir, de forma subalterna, no projeto de dominação europeu e anglo-americano?
Ou nos transformarmos, como o México, em uma nação de escravos, como se pode ver aqui (O México e a América do Sul) que monta peças alheias, para mercados alheios, pelo módico preço de 12 reais por dia o salário mínimo?
Jogando, assim, no lixo, nossa condição de quinto maior país do mundo em território e população e sétima maior economia, e nos transformando, definitivamente, em mais uma colônia-capacho dos norte-americanos?
Ou alguém acha que os Estados Unidos e a União Europeia vão abrir, graciosamente, seus territórios e áreas sob seu controle, à nossa influência, política e econômica, quando eles já competem, descaradamente, conosco, nos países que estão em nossas fronteiras?
Do ponto de vista dessa direita maluca, que acusa o governo Dilma de financiar, para uma empresa brasileira, a compra de máquinas, insumos e serviços no Brasil, para fazer um porto em Cuba — a mesma empresa brasileira está fazendo o novo aeroporto de Miami, mas ninguém toca no assunto, como se pode ver aqui (A Odebrecht e o BNDES) — muito mais grave, então, deve ter sido a decisão tomada pelo Regime Militar no Governo do General Ernesto Geisel.
Naquele momento, em 1975, no bojo da política de aproximação com a África inaugurada, no Governo Médici, pelo embaixador Mario Gibson Barbosa, o Brasil dos generais foi a primeira nação do mundo a reconhecer a independência de Angola.
Isso, quando estava no poder a guerrilha esquerdista do MPLA – Movimento Popular para a Libertação de Angola, comandado por Agostinho Neto, e já havia no país observadores militares cubanos, que, com uma tropa de 25.000 homens, lutariam e expulsariam, mais tarde, no final da década de 1980, o exército racista sul-africano, militarmente apoiado por mercenários norte-americanos, do território angolano depois da vitoriosa batalha de Cuito-Cuanavale.
Ao negar-se a meter-se em assuntos de outros países, como Cuba e Venezuela, em áreas como a dos “direitos humanos”, Dilma não faz mais do fez o Regime Militar brasileiro, com uma política externa pautada primeiro, pelo “interesse nacional”, ou do “Brasil Potência”, que estava voltada, como a do governo do PT, prioritariamente para a América do Sul, a África e a aproximação com os países árabes, que foi fundamental para que vencêssemos a crise do petróleo.
Também naquela época, o Brasil recusou-se a assinar qualquer tipo de Tratado de Não Proliferação Nuclear, preservando nosso direito a desenvolver armamento atômico, possibilidade essa que nos foi retirada definitivamente, com a assinatura de um acordo desse tipo no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Se houvesse, hoje, um Golpe Militar no Brasil, a primeira consequência seria um boicote econômico por parte do BRICS e de toda a América Latina, reunida na UNASUL e na CELAC, com a perda da China, nosso maior parceiro comercial, da Rússia, que é um importantíssimo mercado para o agronegócio brasileiro, da Índia, que nos compra até mesmo aviões radares da Embraer, e da Àfrica do Sul, com quem estamos também intimamente ligados na área de defesa.
O mesmo ocorreria com relação à Europa e aos EUA, de quem receberíamos apenas apoio extra-oficial, e isso se houvesse um radical do partido republicano na Casa Branca.
Os neo-anticomunistas brasileiros reclamam todos os dias de Cuba, um país com quem os EUA acabam de reatar relações diplomáticas, visitado por três milhões de turistas ocidentais todos os anos, em que qualquer visitante entra livremente e no qual opositores como Yoani Sanchez atacam, também, livremente, o governo, ganhando dinheiro com isso, sem ser incomodados.
Mas não deixam de comprar, hipocritamente, celulares e gadgets fabricados em Shenzen ou em Xangai, por empresas que contam, entre seus acionistas, com o próprio Partido Comunista.
Serão os “comunistas” chineses — para a neo-extrema-direita nacional — melhores que os “comunistas” cubanos ?
A questão política
A atividade política, no Brasil, sempre funcionou na base do “jeitinho” e da “negociação”.
Mesmo quando interrompido o processo democrático, com a instalação de ditaduras — o que ocorreu algumas vezes em nossa história — a política sempre foi feita por meio da troca de favores entre membros dos Três Poderes, e, principalmente, de membros do Executivo e do Legislativo, já que, sem aprovação — mesmo que aparente — do Congresso, ninguém consegue administrar este país nem mudar a lei a seu favor, como foi feito com a aprovação da reeleição para prefeitos, governadores e Presidentes da República, obtida pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso.
Toda estrutura coletiva, seja ela uma jaula de zoológico, ou o Parlamento da Grã Bretanha, funciona na base da negociação.
Fora disso, só existe o recurso à violência, ou à bala, que coloca qualquer machão, por mais alto, feio e forte seja, na mesma posição de vulnerabilidade de qualquer outro ser humano.
O “toma-lá-dá-cá” nos acompanha há milhares de anos e qualquer um pode perceber isto, se parar para observar um grupo de primatas.
Ai daquele, entre os macacos, que se recusa a catar carrapatos nas costas alheias, a dividir o alimento, ou a participar das tarefas de caça, coleta ou vigilância.
Em seu longo e sábio aprendizado com a natureza, já entenderam eles, uma lição que, parece, há muito, esquecemos: a de que a sobrevivência do grupo depende da colaboração e do comportamento de cada um.
O problema ocorre quando nesse jogo, a cooperação e a solidariedade, são substituídas pelo egoísmo e o interesse de um indivíduo ou de um determinado grupo, e a negociação, dentro das regras usuais, é trocada por pura pilantragem ou o mero uso da ameaça e da pressão.
O corrupto, entre os primatas, é aquele que quer receber mais cafuné do que faz nos outros, o que rouba e esconde comida, quem, ao ver alguma coisa no solo da floresta ou da savana, olha para um lado e para o outro, e ao ter certeza de que não está sendo observado, engole, quase engasgando, o que foi encontrado.
O fascista é aquele que faz a mesma coisa, mas que se apropria do que pertence aos outros, pela imposição extremada do medo e da violência mais injusta.
Se não há futuro para os egoístas nos grupos de primatas, também não o há para os fascistas.
Uns e outros terminam sendo derrotados e expulsos, de bandos de chimpanzés, babuínos e gorilas, ou da sociedade humana, a dos “macacos nus”, quando contra eles se une a maioria.
Já que a negociação é inerente à natureza humana, e que ela é sempre melhor do que a força, o que é preciso fazer para diminuir a corrupção, que não acabará nem com golpe nem por decreto?
Mudar o que for possível, para que, no processo de negociação, haja maior transparência, menos espaço para corruptos e corruptores, e um pouco mais de interesse pelo bem comum do que pelo de grupos e corporações, como ocorre hoje no Congresso.
O caminho para isso não é o impeachment, nem golpe, mas uma Reforma Política, que mude as coisas de fato e o faça permanentemente, e não apenas até as próximas eleições, quando, certamente, partidos e candidatos procurarão empresas para financiar suas campanhas, se elas estiverem dispostas ainda a financiá-los, como se pode ver aqui (A memória, os elefantes e o financiamento empresarial de campanha) — e espertalhões da índole de um Paulo Roberto Costa, de um Pedro Barusco, de um Alberto Youssef, voltarão a meter a mão em fortunas, não para fazer “política” mas em benefício próprio, e as mandarão para bancos como o HSBC e paraísos fiscais como os citados no livro “A Privataria Tucana”.
O que é preciso saber, é se essa Reforma Política será efetivamente feita, já que é fundamental e inadiável, ou se a Nação continuará suspensa, com toda a sua atenção atrelada a um processo criminal, que tem beneficiado principalmente bandidos identificados até agora, que, em sua maioria, devido a distorcidas “delações”, que não se sustentam, na maioria dos casos, em mais provas que a sua palavra, sairão dessa impunes, para gastar o dinheiro, que, quase certamente, colocaram fora do alcance da lei, da compra de bens e de contas bancárias.
Pessoas falam e agem, e sairão no dia seis de agosto às ruas também por causa disso, como se o Brasil tivesse sido descoberto ontem e o caso de corrupção da Petrobras, não fosse mais um de uma longa série de escândalos, a maioria deles sequer investigados antes de 2002.
Se a intenção é passar o país a limpo e punir de forma exemplar toda essa bandalheira, era preciso obedecer à fila e à ordem de chegada, e ao menos reabrir, mesmo que fosse simultaneamente, mas com a mesma atenção e “empenho”, casos como o do Banestado — que envolveu cerca de 60 bilhões — do Mensalão Mineiro, o do Trensalão de São Paulo, para que estes, que nunca mereceram o mesmo tratamento da nossa justiça nem da sociedade, fossem investigados e punidos, em nome da verdade e da isonomia, na grande faxina “moral” que se pretende estar fazendo agora.
Ora, em um país livre e democrático — no qual, estranhamente, o governo está sendo acusado de promover uma ditadura — qualquer um tem o direito de ir às ruas para protestar contra o que quiser, mesmo que o esteja fazendo por falta de informação, por estar sendo descaradamente enganado e manipulado, ou por pensar e agir mais com o ódio e com o fígado do que com a cabeça e a razão.
Esse tipo de circunstância facilita, infelizmente, a possibilidade de ocorrência dos mais variados — e perigosos — incidentes, e o seu aproveitamento por quem gostaria, dentro e fora do país, de ver o circo pegar fogo.
Para os que estão indo às ruas por achar que vivem sob uma ditadura comunista, é sempre bom lembrar que em nome do anticomunismo, se instalaram — de Hitler a Pinochet — alguns dos mais terríveis e brutais regimes da História.
E que nos discursos e livros do líder nazista podem ser encontradas, sobre o comunismo as mesmas teses, e as mesmas acusações falsas e esfarrapadas que se encontram hoje disseminadas na internet brasileira, e que seus seguidores também pregavam matar a pau judeus, socialistas e comunistas, como fazem muitos fascistas hoje na internet, com relação aos petistas.
A questão não é a de defender ou não o comunismo — que, aliás, como “bicho-papão” institucional, só sobrevive, hoje, em estado “puro”, na Coréia do Norte — mas evitar que, em nome da crescente e absurda paranoia anticomunista, se destrua, em nosso país, a democracia.
Esperemos que os protestos do dia 16 de agosto transcorram pacificamente — considerando-se a forma como estão sendo convocados e os apelos ao uso da violência que já estão sendo feitos por alguns grupos nas redes sociais — e que não sejam utilizados por inimigos internos e externos, por meio de algum “incidente”, para antagonizar e dividir ainda mais os brasileiros, e nem tragam como consequência, no limite, a morte de ninguém, além da Verdade — que já se transformou, há muito tempo, na primeira e mais emblemática vítima desse tipo de manifestação.
Há muitos anos, deixamos de nos filiar a organizações políticas, até por termos consciência de que não há melhor partido que o da Pátria, o da Democracia e o da Liberdade.
O rápido fortalecimento da radicalização direitista no Brasil — apesar dos alertas que tem sido feitos, nos últimos três ou quatro anos, por muitos observadores — só beneficia a um grupo: à própria extrema direita, cada vez mais descontrolada, odienta e divorciada da realidade.
Na longa travessia, pelo tempo e pelo mundo, que nos coube fazer nas últimas décadas, entre tudo o que aprendemos nas mais variadas circunstâncias políticas e históricas, aqui e fora do país, está uma lição que reverbera, de Weimar a Auschwitz, profunda como um corte:
Com a extrema-direita não se brinca, não se alivia, não se tergiversa, não se compactua.
Quem não perceber isso — e esse erro — por omissão ou interesse — tem sido cometido tanto por gente do governo quanto da oposição — ou está sendo ingênuo está sendo fraco, ou irresponsável, ou mal intencionado.