As mulheres, sempre sendo controladas

© Biblioteca do Congresso dos EUA. Washington, DC, 1922.

Esta foto de autor desconhecido feita em 1922 mostra o policial Bill Norton medindo a distância entre o joelho e saia de uma jovem numa praia do lago Tidal Basin, em Washington, porque havia uma ordem das autoridades para que o comprimento das saias não passasse de seis centímetros acima do joelho.

Foto de Fernando Rabelo Fotografias Históricas.

Profissão de fé

Por Celso Vicenzi.

Declaro a quem interessar possa e para todos os fins que, instado a posicionar-me sobre o tipo de jornalismo que procuro praticar, em contraponto às críticas que, às vezes, faço àquilo que convencionou-se chamar de “golpismo midiático”, tenho a declarar o seguinte, na esperança de que serei, pelo menos, compreendido: não há nenhum problema em trabalhar em grandes empresas de comunicação, mesmo que, momentaneamente, algumas delas, tenham assumido um papel escandalosamente golpista e manipulador dos fatos. Afinal, nem todos os jornalistas se prestam a esse serviço, mesmo atuando nessas empresas. Basta exercer a profissão de acordo com o Código de Ética e levar  em conta os valores expressos, sobretudo, na Declaração Universal dos Direitos Humanos. É um bom norte. Quando, por alguma razão, isso não for possível, melhor buscar outros espaços para trabalhar.

Não estou mais na imprensa diária fazendo reportagem ou editando. Fora dela faço assessoria de imprensa e, sem remuneração, virei articulista em vários blogs e portais. Portanto, assino opinião, como qualquer comentarista da mídia. A essência do que escrevo é baseada principalmente em informações e dados que procuro buscar em fontes fidedignas, e que são contextualizados à luz de outros conhecimentos, estudos e muitas leituras, sob pena de pouco compreender, pois o que parece nem sempre é, e, assim, estaria eu mais a desinformar do que a informar.

Escrevo menos do que gostaria. Meus artigos estão aí, espalhados pelo Nota de Rodapé, Outras Palavras,  Observatório da Imprensa, Adital, Acontecendoaqui e outros blogs e portais, para quem quiser ler e comentar (concordar, discordar, acrescentar…). E no meu próprio blog, claro!

Jornalismo e jornalistas não são isentos – nunca foram e nunca serão, como qualquer ser humano, aliás -, só não podem omitir fatos, distorcer ou manipular com o propósito de defender determinado segmento, seja político, econômico, religioso etc. Muito menos favorecer o ponto de vista de seus patrões ou, em casos mais graves, usar informação como moeda de troca e obter vantagens econômicas para si.

De resto, cada um escreve a sua biografia – por menos importante que seja – e coloca a sua vida na defesa de ideias e valores que considera relevantes. Meus ideais e princípios são aqueles que traduzem, na essência, a busca cotidiana por um país e um planeta mais justo e solidário. Sei que não estive, não estou, nem estarei imune a cometer erros e eventuais exageros, mas tenho convicção que procuro fazer um jornalismo honesto e qualificado, que não disfarça a opressão e nem se presta a dourar a pílula da desinformação para manter a população alienada sobre as causas da desigualdade e das injustiças sociais. Ou seja, se errar, que seja ao menos em favor dos que mais sofrem e dos que menos têm. Já me serve de algum consolo.

Eu, Celso Vicenzi, jornalista, lavrei, conferi, subscrevo, dou fé e assino em público e raso.

O que é e o que querem que você pense que é

Foto de Debate.

A imagem, acima, que circula nas redes sociais, dá uma ideia de como os meios de comunicação agem, de maneira muito sofisticada – e às vezes nem tanto – para dar a impressão de que o escândalo da corrupção é obra de um único partido. É isso o que foi sendo construído, diariamente, na mente das pessoas. O objetivo é o de destruir um único partido e o motivo principal, sinto muito, não é a corrupção, mas abrir caminho para entregar o que ainda resta de soberania do país (principalmente as suas riquezas e grandes empresas – Petrobras etc) às potências externas, que também participam do atual momento de desestabilização política com a inestimável parceria da grande mídia e de parcela do Judiciário (que usa métodos muito seletivos e excludentes em sua caça aos corruptos e corruptores). É a geopolítica! E, internamente, é devolver os mais pobres, que ascenderam e passaram a ter mais oportunidades, à condição de onde sempre estiveram: a serviço da Casa-Grande.

Quando alcançarem o objetivo, pode ter certeza que vão esquecer o acirrado combate à corrupção, que irá novamente para baixo do tapete. A imagem acima é a prova disso. A corrupção é só um mote. Quem não entendeu isso, desculpe-me, não entendeu nada. Achar que uma sociedade que se corrompe, como todos sabem, de norte a sul do país, que chega a ser quase um traço da nossa cultura, de uma hora para outra vai ser “limpa” dessa roubalheira porque o Judiciário (que não é imune à corrupção, como ocorre com os outros poderes e a sociedade), resolveu dar um basta a isso, é muita ingenuidade. Quem viver, verá.

O escândalo da deputada sueca que pegou táxi em vez de tomar o trem (por Claudia Wallin/via DCM)

É mais fácil legislar sobre os problemas brasileiros quando se vive a vida comum dos cidadãos. As mordomias absurdas que o país oferece a uma casta dos Três Poderes distanciam as pessoas da realidade. Como podem legislar, julgar ou executar se vivem tão distantes do cotidiano das pessoas? É por isso que em países onde os servidores públicos, por mais graduados que sejam, são obrigados a usar os mesmos meios de transporte oferecidos a todos, aproxima-os do povo em vez de transformá-los em semi-deuses da burocracia do Estado, no Legislativo, no Executivo e no Judiciário. Veja como políticos e juízes cumprem a rotina comum dos trabalhadores na Suécia. Por Claudia Wallin, via DCM. leia mais →

Leis impedem mulheres de trabalhar em muitos países, diz Banco Mundial

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-09/leis-impedem-mulheres-de-trabalhar-em-muitos-paises-diz-banco-mundial

9/9/2015

Mariana Branco – Repórter da Agência Brasil

Um relatório do Banco Mundial divulgado hoje (9) mostra que as mulheres são legalmente impedidas de participar do mercado de trabalho em vários pontos do mundo. Segundo o documento, 100 de 173 economias monitoradas pelo organismo internacional têm restrições ao trabalho feminino. Em 41 países, por exemplo, mulheres não podem exercer determinadas funções em fábricas. Além disso, em 30 economias, mulheres casadas não podem escolher onde morar.

Em 29 países, as mulheres não podem trabalhar à noite e, em 19, são legalmente obrigadas a obedecer ao marido. O estudo também mostra que, em 18 economias as mulheres, não podem ter emprego sem permissão do marido. Além disso, somente metade dos países monitorados pelo Banco Mundial têm licença-paternidade e menos de um terço oferece licença parental, o que limita a possibilidade de os homens dividirem com as mulheres o cuidado dos filhos.

“É uma grave injustiça quando as sociedades colocam restrições legais à possibilidade de as mulheres terem um emprego ou participarem da economia. As mulheres merecem todas as oportunidades de atingir seu potencial”, diz o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim. Ele destaca que as restrições também são ruins para a economia. “As mulheres representam mais da metade da população mundial. Não podemos nos dar o luxo de deixar seu potencial inexplorado.”

No Brasil, não existem restrições legais explícitas ao trabalho feminino. No entanto, Masra de Abreu, assessora técnica do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), ressalta que as brasileiras ainda não conquistaram condições igualitárias no mercado de trabalho. “Diferente do que o relatório [do Banco Mundial] aponta, aqui não há nenhuma lei que impeça o acesso, mas as sutilezas do senso comum fazem isso. O papel da mulher ainda é naturalizado como cuidadora do lar e da família.”

Ela cita como exemplo de visão da mulher como cuidadora a disparidade entre os períodos de licença-maternidade e licença-paternidade previstos em lei. “A licença-maternidade é de quatro meses ou seis, quando é serviço público. Para os homens, são cinco dias. Com uma lei como essa, você já sabe quem vai cuidar da casa e quem vai trabalhar. É uma luta do movimento feminista que a licença-paternidade seja no mínimo de um mês, o que ainda é pouco, mas seria mais equiparada”, comenta, fazendo referência, ainda, às diferenças salariais entre homens e mulheres.

“Todas as Pnads [Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, divulgada periodicamente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)] apontam que a mulher ganha 30% a menos se for o mesmo cargo. Os patrões dizem que geralmente elas chegam mais tarde se o filho está doente, saem mais cedo para buscar no colégio e provocam maior número de faltas. Mas, quando se pesquisa, não é bem assim. A produtividade das mulheres é até maior que a dos homens”, afirma Masra.

A assessora técnica do Cfemea diz que o relatório do Banco Mundial faz refletir sobre como o Estado pode atuar para reduzir as desigualdades. “[É preciso] aumentar a licença-paternidade, melhorar os equipamentos públicos. Se os serviços públicos forem bons, essas justificativas [de que as mulheres faltam e trabalham menos] não poderão ser usadas”, afirma.

Edição: Nádia Franco

Gilberto Gerlach lança obra com o mais rico acervo iconográfico sobre a Ilha de Santa Catarina

IMG_0056Gilberto Gerlach, autor de monumental pesquisa iconográfica que resultou no livro Ilha de Santa Catarina – Florianópolis, em dois volumes, 776 páginas, 550 fotografias, 110 desenhos e 75 pinturas, além de várias reproduções de notícias de jornais, crônicas, poemas e anúncios publicitários. Esta obra veio completar os outros dois volumes de Ilha de Santa Catarina – Desterro, lançados em 2010. Noite de autógrafos foi nesta terça-feira, dia 8, na Assembleia Legislativa, com a entrega de 350 livros gratuitamente, graças ao incentivo da Tractebel Energia e BRDE, via Lei Rouanet, do Ministério da Cultura. A obra também será doada para bibliotecas de Santa Catarina. E no próximo dia 17 haverá novo lançamento, no mesmo local, às 19 horas, quando os livros serão vendidos – R$ 200,00.

Foto: Celso Vicenzi.