Bispos denunciam que “propaganda derrotista” gera “pessimismo contaminador” (Por Adital, via Revista Fórum)

http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/10/crise-no-brasil-bispos-denunciam-que-propaganda-derrotista-gera-pessimismo-contaminador

Bispos denunciam que “propaganda derrotista” gera “pessimismo contaminador”

“É inadmissível alimentar a crise econômica com uma crise política irresponsável e inconsequente”, diz a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em nota.

Por Adital – 30/10/2015. leia mais →

“Love”, para todos os gostos e desgostos

Até aonde pode ir a potência de Eros no cinema? Uma possível resposta está em cartaz no Paradigma Cine Arte, em Santo Antônio de Lisboa, que exibe o filme “Love”, de Gaspar Noé, uma produção franco-belga de 134 minutos. Em Cannes, este ano, foi indicado ao prêmio Queer Palm, que reconhece filmes com temáticas de diversidade sexual. E as opiniões se dividiram: de “poema sexual” a “conteúdo vazio e machista”, houve comentários para todos os gostos (e desgostos!).

Fui ver e concordo com o texto de José Geraldo Couto (http://outraspalavras.net/…/love-ponto-de-atrito-entre-amor…), conceituado crítico de cinema, tradutor de autores como Henry James, Saul Bellow, Norman Mailer, Truman Capote, Michael Cunningham, Martin Scorsese, Adolfo Bioy Casares e Enrique Vila-Matas, entre outros. Foi a única crítica digamos “positiva” que li em meio a dezenas espinafrando o filme. Para quem não se escandalizar com as cenas de sexo (algumas lindas!), acho que o filme cumpre a tarefa de propor um debate sobre o complicado tema da dificuldade em unir liberdade sexual e amor. Em Cannes, onde os espectadores fizeram enormes filas para assistir, a polêmica também se estabeleceu, não pelo tema do filme, mas pelas cenas de sexo em 3D.

Tem gente que abandona o cinema já na primeira cena de uma dupla masturbação do casal protagonista. Ao longo de duas horas, são muitas as cenas de sexo explícito – inclusive ejaculações. Mas, pra quem prestar atenção nas falas e nos diálogos, verá que o diretor Gaspar Noé vai além das cenas de sexo. A ojeriza que alguns espectadores têm com o filme talvez seja indício de alguma coisa mal resolvida sobre a própria sexualidade. Afinal, se é compreensível que o filme possa ser qualificado de mediano ou ruim – como outros que a gente vê por aí – pelo menos não deveria escandalizar tanto assim. É só um drama amoroso que contém cenas de sexo que não são apenas sugeridas, mas amplamente mostradas.

Milênios já se passaram e o ser humano continua sem saber lidar com a questão da sexualidade. O ato mais belo da potência de Eros, em pleno século 21, não raro, continua a ser visto apenas como pornografia – embora a fronteira com o chamado “erotismo”, este mais aceito, seja muito tênue, se é que existe esta separação. Tema difícil quando sabe-se que, no passado, a masturbação foi descrita como “perversão” e o homoerotismo como “doença”, por exemplo.

Enfim, o filme é do tipo ame ou odeie. Pra quem não sente “nojo” ou se perturba com cenas de sexo “ao natural”, com toda a sua potência, vale, no mínimo, conferir a ousadia rara num filme exibido em Cannes e em cinemas do circuito comercial tradicional, que inclui os shopping centers (no Beiramar ficou poucos dias em cartaz, sempre no último horário).

No Paradigma, o filme está em cartaz até o dia 4 de novembro, às 21h45.

Resposta a um internauta sobre o “bom cristão”

Um bom cristão, se entendesse direito os ensinamento de Jesus, seria necessariamente alguém que defenderia valores da esquerda. Acolheria os mais fracos, proporia a solidariedade no lugar da individualismo, o ser humano em primeiro lugar e não o capital e o Deus mercado, e por aí vai. É fácil entender porque um cidadão de direita, por mais que se ajoelhe e reze nas igrejas, jamais será um bom cristão.

De que adianta fazer caridade com uma das mãos se com a outra apoia um modelo de exclusão e de exploração do ser humano? Quem é verdadeiramente cristão se opõe a essa lógica. Palavras servem para esclarecer ou iludir. Tolerância pode ser uma virtude, mas com a injustiça, jamais! Caridade não é solução, distribuição justa de renda, sim.

Mas é claro que pouquíssimos setores de igrejas cristãs vão ao pé da letra dos ensinamentos de Cristo. Igreja também é um projeto de poder. Mas não é possível servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo. É preciso escolher. Há pessoas com bastante dinheiro (por conta de talento, de trabalho) que não abrem mão de lutar por uma sociedade mais justa, sem fazer discursos hipócritas de meritocracia ou acreditar que o capitalismo é a melhor maneira de distribuir renda de maneira justa.

A afirmação de que é possível ser bom cristão tanto à direita quanto à esquerda é uma falácia, porque os dados desmentem. Pelo menos quando estamos falando na essência da pregação de Jesus. Taí, finalmente, um papa que recupera boa parte do discurso cristão.

A lógica da direita e do capitalismo é a concentração da renda e a exclusão social (sem falar na destruição do planeta). O resto é papo furado e tentativa de ilusionismo. Segundo a ONG britânica Oxfam, a partir de 2016, os recursos acumulados pelo 1% mais rico do planeta ultrapassarão a riqueza dos outros 99% da população mundial. Eis a lógica, em sua pura essência, do bom cristão de direita. Arrebenta com os mais fracos, porque não contesta o sistema que produz toda essa injustiça social, mas acredita que ao ajudar alguns, aqui e acolá, pode confortar sua alma e autoenganar-se com a sua ilusória bondade.

Resumão bem brasileiro

Deixe-me ver se entendi: dois eminentes juristas vão entregar a um corrupto contumaz, que já deveria estar preso, um pedido de impeachment de uma presidenta contra a qual não há nenhuma denúncia de corrupção, apenas uma operação administrativa, que sempre foi praticada e que não resulta em roubo ou dano a ninguém, mas que pela primeira vez recebeu reprovação num tribunal em que o presidente é fiscalizado por fraude fiscal na Operação Zelotes.

É isso? Ô trem doido!

Sobre conclusões precipitadas de jornalistas e internautas

Post de um amigo nas redes sociais comenta o novo aumento da gasolina este mês. E conclui que “a população começa a pagar o custo da bandalheira da Petrobrás”. Pergunta, em tom de provocação, se “os meus amigos petistas têm algo diferente a dizer para desmentir isso? Quem sabe a culpa é da imprensa golpista?” Não sou petista, mas sou jornalista, e gosto de ir atrás de informação idônea.

Primeiro: Ainda bem que a gasolina não subia nos tempos de FHC e outros mais… E pelo jeito nem existia corrupção naquela época, não é?

Segundo: A fonte idônea da Global Petrol Prices, onde você pode acompanhar os preços diariamente, diz que “as diferenças entre os preços da gasolina nos diferentes países devem-se a vários tipos de impostos e subsídios. Todos os países compram o petróleo nos mercados internacionais pelos mesmos preços mas impõem diferentes impostos. É por isso que o preço da gasolina a retalho resulta diferente.”

No dia 19/10/2015 o Brasil ocupava o lugar de número 59 entre as mais baratas. Depois do Brasil há mais 129 países com gasolina mais cara, entre eles, Itália, Holanda, Noruega, Inglaterra, Portugal, Finlândia, Suécia, Bélgica, Uruguai, França, Áustria, Polônia, Japão, Peru, China, Índia, Paraguai, África do Sul e Austrália entre tantos outros. A se usar a lógica do JN e da Veja – e de seus fiéis leitores e telespectadores -, a culpa da gasolina cara nesses países deve ser por causa de corrupção, né não?

Como é fácil simplificar!

Confira o ranking.

http://pt.globalpetrolprices.com/gasoline_prices

Meninos sírios ainda morrem na praia todo dia. Alguém se importa? (Por Mauro Donato)

“A imagem deve sim incomodar, revirar o estômago, tirar-lhe da zona de conforto, obrigá-lo a escrever um artigo, a dar um berro, arrancar nem que sejam suas últimas lágrimas.

A máquina fotográfica nada pode em relação a isso e seu produto, a foto, é apenas um selfie da vida. Não gostou?  Sinto muito, é um retrato fidelíssimo, sem retoques. Então você fará o que para mudar?”

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/meninos-sirios-ainda-morrem-na-praia-todo-dia-alguem-se-importa-por-mauro-donato

 

A barbárie no ar: as TVs brasileiras e o estímulo à violência (por Laurindo Lalo Leal Filho – via Revista Brasil e CartaMaior)

http://cartamaior.com.br/?%2FColuna%2FA-barbarie-no-ar-as-TVs-brasileiras-e-o-estimulo-a-violencia%2F34730

Por Laurindo Lalo Leal Filho.

Artigo publicado na Revista do Brasil, edição de outubro de 2015

São exatamente 1936 violações de direitos cometidas em um mês no rádio e na TV, por apenas 30 programas.

Os autores dessa façanha não são os personagens, geralmente negros e pobres, apresentados com estardalhaço diariamente pelos programas policialescos.

São os próprios apresentadores, em conluio com repórteres e produtores, além de determinadas autoridades, sob o comando dos dirigentes das emissoras que abrem espaços para essas aberrações.

A constatação está numa pesquisa realizada pela Andi – Comunicação e Direitos, uma organização social que há 21 anos trabalha para dar visibilidade na mídia a questões relacionadas aos direitos das crianças e dos adolescentes. Entre outras ações criou o projeto “Jornalista Amigo das Crianças” que já reconheceu com essa qualidade 392 profissionais em atuação no país.

Os chamados programas policialescos entraram na mira da Andi diante das seguidas violações cometidas contra os direitos da infância e do adolescente.

Realizada a pesquisa constatou-se que as violações, em nove categorias de direitos, vão muito além dessas faixas etárias atingindo toda a sociedade.

Exemplos não faltam.

A presunção de inocência, uma das categorias selecionadas pela pesquisa, é constantemente violada.

No programa Balanço Geral da TV Record, uma chamada diz “Pai abandona filho em estrada do RS” e o apresentador acrescenta “um pai abandonou uma criança nas margens de uma rodovia? Fez!”.

Apesar do desmentido do pai, a acusação constitui um claro desrespeito à presunção de inocência, garantida no artigo 5º da Constituição brasileira.

O estímulo à violência como forma de resolver conflitos é outra marca desses programas.

Como neste exemplo pinçado pela pesquisa na Rádio Barra do Pirai AM, programa Repórter Policial.

Uma pessoa acaba de ser presa pela policia e o apresentador anuncia “Então, a praga acabou de ser grampeada. Não seria o caso, né? Passa logo fogo num cara desse ai! (…) Então, é uma pena que ele não reagiu, porque a rapaziada passaria fogo nele de uma vez e ‘tava’ tudo certo”.

Só nesse caso são violadas cinco leis brasileiras, cinco acordos internacionais firmados pelo Brasil e um código de ética profissional.

Entre elas a Constituição Federal (“não haverá pena de morte…”), o Regulamento dos Serviços de Radiodifusão (é considerada infração ao regulamento “incitar a desobediência às leis ou às decisões judiciárias” e “criar situação que possa resultar em perigo de vida”) e o Código de Ética dos Jornalistas Profissionais (“O jornalista não pode usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime”).

Outra categoria: discurso de ódio e preconceito.

No programa Brasil Urgente, da Rede Bandeirantes, o apresentador José Luiz Datena faz enquete para saber quem acredita em Deus e diz: “…ateu eu não quero assistindo o meu programa. Ah mas você não é democrático. Nesta questão não sou não, porque um sujeito que é ateu, na minha modesta opinião não tem limites, é por isso que a gente tem esses crimes por ai…”.

Só com essas frases o apresentador violou seis leis brasileiras, três pactos multilaterais firmados pelo Brasil e mais uma vez o Código de Ética dos Jornalistas, além de desrespeitar princípios e declarações internacionais de defesa da liberdade de expressão.

E ainda ignorar os muitos crimes de Estado, guerras e outras violências que foram cometidos ao longo da história, e ainda o são, em nome de supostas causas religiosas.

O fato de se apresentarem como “jornalísticos” faz com que esses programas escapem da classificação indicativa de horários para determinadas faixas etárias do público telespectador.

Passam a qualquer hora oferecendo às crianças e jovens um festival de ódio e violência.

Na verdade, de jornalismo têm pouco.

São programas de variedades, espetacularizando fatos dramáticos da vida real com tentativas até de fazer um tipo grotesco de humor.

Numa edição gaúcha do programa Balanço Geral, por exemplo, o apresentador Alexandre Mota ao narrar a morte de um suspeito pela policia fingia chorar copiosamente clamando, de forma irônica, pela vinda dos defensores dos direitos humanos.

Em seguida, estimulado por uma repórter passa a sambar alegremente diante das câmeras.

Apreendem o Lamborghini do Collor e não vão apreender o Porsche de Cunha? (por Fernando Brito)

Cadê a nossa implacável Polícia Federal? E o nosso isento Ministério Público? Nossa idônea Justiça? Cadê o Janot e seu “pau que bate em Chico bate também em Francisco”? E as capas de jornais e revistas sem os escândalos de Cunha e a desmoralização de uma oposição que queria limpar o Brasil da corrupção?

Como concluiu Fernando Brito no link abaixo, “Ah, que maravilha o ruir do cinismo…”

http://tijolaco.com.br/blog/apreendem-o-lamborghinni-do-collor-e-nao-vao-apreender-o-porsche-de-cunha