Resposta a um internauta sobre o “bom cristão”

Um bom cristão, se entendesse direito os ensinamento de Jesus, seria necessariamente alguém que defenderia valores da esquerda. Acolheria os mais fracos, proporia a solidariedade no lugar da individualismo, o ser humano em primeiro lugar e não o capital e o Deus mercado, e por aí vai. É fácil entender porque um cidadão de direita, por mais que se ajoelhe e reze nas igrejas, jamais será um bom cristão.

De que adianta fazer caridade com uma das mãos se com a outra apoia um modelo de exclusão e de exploração do ser humano? Quem é verdadeiramente cristão se opõe a essa lógica. Palavras servem para esclarecer ou iludir. Tolerância pode ser uma virtude, mas com a injustiça, jamais! Caridade não é solução, distribuição justa de renda, sim.

Mas é claro que pouquíssimos setores de igrejas cristãs vão ao pé da letra dos ensinamentos de Cristo. Igreja também é um projeto de poder. Mas não é possível servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo. É preciso escolher. Há pessoas com bastante dinheiro (por conta de talento, de trabalho) que não abrem mão de lutar por uma sociedade mais justa, sem fazer discursos hipócritas de meritocracia ou acreditar que o capitalismo é a melhor maneira de distribuir renda de maneira justa.

A afirmação de que é possível ser bom cristão tanto à direita quanto à esquerda é uma falácia, porque os dados desmentem. Pelo menos quando estamos falando na essência da pregação de Jesus. Taí, finalmente, um papa que recupera boa parte do discurso cristão.

A lógica da direita e do capitalismo é a concentração da renda e a exclusão social (sem falar na destruição do planeta). O resto é papo furado e tentativa de ilusionismo. Segundo a ONG britânica Oxfam, a partir de 2016, os recursos acumulados pelo 1% mais rico do planeta ultrapassarão a riqueza dos outros 99% da população mundial. Eis a lógica, em sua pura essência, do bom cristão de direita. Arrebenta com os mais fracos, porque não contesta o sistema que produz toda essa injustiça social, mas acredita que ao ajudar alguns, aqui e acolá, pode confortar sua alma e autoenganar-se com a sua ilusória bondade.

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