Em busca de um modelo mais justo, solidário e sustentável

Por Celso Vicenzi.

Mesmo que não consiga a vaga para disputar ou, conseguindo-a, não se eleja presidente, Bernie acende uma esperança, no país mais rico do mundo e no resto do planeta, para que as pessoas tomem para si o destino de suas vidas e do planeta, sem serem reféns de um sistema injusto de acumular riquezas, que destrói a Terra e põe em risco o futuro da espécie humana. É preciso acordar, pois o desastre ambiental que é resultado de um modelo predador da natureza, sem sustentabilidade, está mais próximo do que a apatia de muitos consegue enxergar. Só é preciso empunhar uma ideia, justa, legítima, que faça as pessoas acreditarem e seguirem por outro caminho. Antes que seja tarde. Já não se trata apenas de questões político-partidárias, mas de uma superação humanitária. De escravos assalariados que precisam se rebelar contra a exploração de suas vidas e impor um modelo mais justo, solidário e sustentável. É preciso acreditar e perder o medo de enfrentar o que parece impossível, pois nenhum poder se mantém de pé, por longo tempo, sem a aquiescência dos dominados.

O jornalismo cínico e o ponto de não-retorno

Dica de leitura: O professor na UFSC e pesquisador do ObjETHOS Francisco José Castilhos Karam escreveu um artigo que merece ser lido. Segue um trecho e o link.

Em 1988, o psicanalista Jurandir Freire Costa alertava que a sociedade brasileira poderia estar chegando a um perigoso ponto de não-retorno. Ela estaria incorporando quatro valores: cinismo,narcisismo, violência e delinquência. À época, seus estudos tinham como referência, entre outros, as ideias de Peter Sloterdijk. O filósofo alemão havia escrito, desde a década de 1970, artigos sobre o cinismo. Suas ideias culminariam no clássico livro “Crítica da razão cínica”, publicado na Alemanha no início dos anos 80, com grande repercussão naquele País e Europa em geral. Mais tarde, além de outros idiomas, foi traduzido para o espanhol (1989) e para o português (2012). Nele, o autor aborda o crescimento do cinismo em escala institucional e pessoal na contemporaneidade. Para Sloterdijk, sob a capa das instituições e grupos, e em contrapartida com discursos de interesse público, crescem os componentes cínicos que se amparam em interesses privados.

https://objethos.wordpress.com/2016/02/01/comentario-da-semana-o-jornalismo-cinico-e-o-ponto-de-nao-retorno

O tímido discurso político do PT

http://www.viomundo.com.br/politica/caio-toledo-quem-no-pt-ousaria-fazer-as-denuncias-que-bernie-sanders-tem-feito.html

Por Celso Vicenzi.

Postei o link acima em minha página no Facebook e uma amiga discordou. Disse que há, sim, no PT, pessoas que fazem essas denúncias.

Discordei, democraticamente, com os argumentos que seguem.

Bernie Sanders está atacando o centro do capitalismo, os banqueiros, o capital especulativo, no país que é a maior potência financeira do planeta. Não há porque ter ilusões que tudo será fácil de viabilizar, mas há que reconhecer que o discurso dele é muito mais direto contra o centro do poder do que o do PT ou de seus governos, que apesar de muitos méritos, nunca romperam com a lógica do poder. OK, ele ainda não é governo e, portanto, é mais fácil. Mas, ou atacamos a especulação financeira e o modelo que é causador do aquecimento global ou não haverá futuro para nossos netos e bisnetos. É algo que vai muito além de uma questão eleitoral. É o futuro do planeta. É um modelo de civilização que precisa ser mudado, urgentemente. E isso só se faz com um discurso sem medo, enfrentando o centro do poder, porque governar é importante, mas fazer política na direção certa, é muito mais. E a campanha dele é com 3,5 milhões de doadores individuais (média de 27 dólares por pessoa).

O PT, infelizmente, aceitou a lógica do financiamento milionário de campanhas (é legal, eu sei) e não ousou fazer política de outra forma, não mobilizou as bases para sustentá-lo no poder. Não vejo o PT ou o governo apostando numa campanha de peso para taxar os mais ricos. São sempre iniciativas – quando há – muito tímidas. Quem tem medo de perder o poder dificilmente irá propor mudanças radicais. Houve avanços importantes, sempre reconheci, mas corremos agora o risco de um enorme retrocesso porque não foi feito o dever de casa. Preferiu-se apostar na conciliação com quem sempre mandou no país, sem mobilizar os movimentos de base, sem politizar o debate.

A campanha contra Lula, Dilma e o PT é a mais sórdida já feita no país, sim, o golpe é jurídico-midiático, mas isso não pode encobrir os erros que agora põem a esquerda na defensiva. Por que o governo mantém um ministro da Justiça que sequer controla os abusos da Polícia Federal, que se transformou numa polícia política. Que medo é esse de fazer o debate às claras com o que está sendo arquitetado no país? Pense, por exemplo, no que faria um Brizola? Por muito menos rodou a baiana contra a Globo em pleno Rio de Janeiro, onde disputou o governo (e venceu). Um governo de esquerda que se propõe a administrar com austeridade para com os trabalhadores e a classe média enquanto os mais ricos mantêm seus lucros preservados é de pouca serventia. Leonardo Boff já disse: o PT precisa assumir seus erros e mudar, ainda há tempo. Mas se for nessa base do “vamos levando do jeito que dá”, que diferença fará?

Isso é que é vaidade!

ISSO É QUE É VAIDADE!

Entro na livraria Saraiva e encontro, no meio de um corredor, uma pilha de livros de FHC: “Diários da Presidência”, volume 1.
O sujeito tem que ser a vaidade em pessoa para achar que haverá muitos interessados para ler o que fez (e desfez!) de 1995 a 1996 em quase mil páginas!!! Quem vai ler essa baboseira?
Já estava em promoção, de R$ 79 por R$ 59, numa pilha de livros formando um círculo, do chão até a cintura de uma pessoa de estatura média.
E vai ter volume 2, provavelmente 3, 4… sabe-se lá quantos, porque esse, decididamente, bajulado que é pela mídia, não se contém diante do próprio espelho.

Refugiados, a nova causa de Banksy (Por Esquerda.net/via Outras Palavras)

 

160131-Banksy

Grafites denunciam, em Londres e em Calais (França), repressão e preconceito das autoridades europeias. Na Inglaterra, polícia tentou remover obra, que alude a “Os Miseráveis”, de Victor Hugo

No Esquerda.net

Numa parede de esquina a poucos metros da Embaixada de França em Londres, Banksy evoca a icónica obra de Victor Hugo, “Os Miseráveis”, na qual o autor francês desnuda com mestria a miséria material e a pobreza de espírito na conturbada França pós-revolução. Trata-se de uma intervenção de arte urbana, cujo propósito é denunciar a violência policial que acompanha o dia-a-dia da já chamada “selva” de Calais, o campo de refugiados francês onde centenas de pessoas se acumulam, aguardando o desfecho do seu destino e uma oportunidade para entrar no Reino Unido.

Banksy inspirou-se na menina do cartaz do musical “Os Miseráveis”. O artista desenhou uma criança a chorar, sob uma nuvem de gás lacrimogéneo e com uma bandeira francesa no fundo. Ao lado, um código que pode ser lido por um smartphone (quick response code), conduz-nos a um vídeo disponível no YouTube, intitulado “Os assaltos policiais na selva de Calais, 5 e 6 de janeiro” – ver aqui. O vídeo mostra então a violência de uma ação policial das autoridade francesas realizada no início de 2016, na qual não faltaram gás lacrimogéneo, canhões de água e balas de borracha.

Segundo a BBC, tentaram eliminar esta intervenção artística de Banksy, que chegou a estar tapada numa fase inicial. O mural acabaria por ser danificado na lateral, devido às tentativas de remoção. Agora, destapado, a arte de Banksy volta a estar nas bocas do mundo, correndo as redes sociais e denunciando a dramática situação humanitária que se vive na já chamada “selva” de Calais.

O artista tem colocado os refugiados no centro da sua forma de expressão. Recorde-se a recente intervenção artística, num muro em Calais, lembrando que o mentor da Apple, Steve Jobs, era filho de um refugiado sírio. Em dezembro, Banksy desenhou, numa praia de Calais, um menino que observava o mar, com uma mala por perto e um abutre à espera da tragédia.

Banksy: “Nunca desistam; a grandeza leva tempo”.

Não se sabe se há uma relação direta com a tentativa de eliminação do seu mais recente mural sobre o tema, mas Banksy publicou um tweet, na madrugada desta segunda-feira, dizendo: “Nunca desistam; a grandeza leva tempo”.

O Lula real e o espectro Lula (Por Flavio Aguiar/Via Blogue do Velho Mundo/RBA)

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-Lula-real-e-o-espectro-Lula/4/35430

 Flavio Aguiar, de Berlim – Blogue do Velho Mundo, RBA – 3/2/2016.
Ricardo Stuckert

Dizem os psicanalistas que as nossas fantasias são sempre mais intensas do que a realidade, sobretudo quando são para o pior. Hoje no Brasil se vê a demonstração desta tese.

A velha mídia, o promotor açodado de São Paulo, o Supremo Tribunal do Paraná, que às vezes parece mais poderoso do que o STF de Brasília, todos lidam com um espectro que fabricam e ao mesmo tempo são vítimas dele: o espectro Lula, um horrível monstro, pior que Godzilla, Drácula e Darth Vader todos juntos, que suga a seiva do Brasil. Bom, é verdade que este monstro suga esta seiva para dar-se ao luxo de navegar em barquinhos de alumínio e descansar (?) em apartamentos que não comprou nem de que desfruta. Mas não importa: eles vão em frente, para impressionar a parte crendeira da classe média, aquela propensa a acreditar que estamos mergulhados num mar de lama como nunca houve no país, assim como acredita que PSDB, DEM, o PMDB da direita são mosteiros de probidade, onde Cunha é o Pai, Aécio é o Filho e os juízes e os promotores assanhados são os Espíritos Santos.

O espectro Lula é terrível: imbatível nas urnas, tem que ser abatido nos tapetões do Judiciário, por meio do “Golpe Paraguaio”, que na verdade deveria ser chamado de “Golpe de Miami”, já que quem inventou isto de substituir os tanques nas ruas pelos juízos à socapa nos tribunais foi a eleição trucada de Bush Filho na Flórida em 2000.

O espectro Lula ameaça a paz dos cemitérios que a direita brasileira sonha ser o Brasil. Não só a direita brasileira: os porta-vozes da City Londrina e de Wall Street também são assombrados pelo espectro. Porque o Brasil é um porão (assim eles o vêem) imenso, que, vindo à superfície, vai destruir os alicerces da Casa Grande que é o mundo financeiro internacional e seu primado sobre corações e mentes – não só na América Latina, mas na Europa e no resto do mundo, do Oiapoque ao Vulcão Fuji, de Vladivostok a Ushuaia.

Mas por trás ou à frente do espectro Lula, existe um personagem real, chamado Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil e talvez (sei lá, o futuro a Deus pertence) futuro presidente também. É um personagem extraordinário, ou seja, uma figura humana como qualquer outra, que pode ter defeitos assim como tem qualidades. Mas que liderou uma das maiores transformações sociais do seu país e do mundo, ao mudar o patamar de vida de mais de 60 milhões de pessoas em meia América do Sul, transformando sua terra num global player que agora não pode mais ser jogado para baixo do tapete, embora haja gente e mais gente desejosa de que isto acontecesse. Dentro e fora do Brasil.

Prova disso é que enquanto se tramavam as farsas ridículas das acusações sobre o apartamento no Guarujá e o barquinho no sítio em Atibaia, o Prêmio Nobel da Paz Kailash Sathyarthi, reconhecido pelo combate à exploração do trabalho infantil, convidava este Lula, que a caterva crápula do Brasil acha que deve cuspir em cima, para integrar associação mundial contra aquela atividade criminosa, por ser ele uma referência mundial em matéria de temas e iniciativas sociais.

Prova disso é que sou testemunha do respeito com que Lula é recebido aqui na Alemanha. Em dezembro, acompanhei-o em sua visita à sede do SPD e depois da Fundação Friedrich Ehbert, em Berlim, quando foi recebido pelo vice-chanceler Sigmar Gabriel e o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, e por mais uma enorme comitiva de representantes dos partidos social-democratas europeus, além dos jornalistas, com os tapetes vermelhos do reconhecimento e admiração.

A verdade é que o Brasil teve, até o momento, entre muita gente boa, três mandatários fundadores ou refundadores do país e de seu papel no mundo. O primeiro foi D. Pedro II. O pai, Pedro I, deu o brado do Ipiranga, outorgou uma Constituição de cima para baixo, embora os reacionários senhores de terra fossem contra, mas foi só, além de ter um dos casos amorosos mais espetaculares da nossa história política. Já o filho, Pedro II, consolidou o país (e olhem, leitor@s, que se eu vivesse em 1840, estaria combatendo contra ele, ao lado dos republicanos farroupilhas antiescravistas, como o coronel Teixeira Nunes e o general Netto…) e foi dos mandatários nacionais de mais alto reconhecimento internacional. Escorraçado do país pelo golpe republicano, ao morrer, foi declarado por editorial do New York Times ser “o mais republicano dos imperadores”…

O segundo foi Vargas que, como toda a carga autoritária de seu governo, introduziu a legislação trabalhista que nada tem de fascista e muito de positivista e de Bismarck, negociou de igual para igual com Roosevelt, fundou a Petrobras que hoje querem de novo destruir, e deixou a vida para entrar na história, neutralizando com seu sacrifício o golpe de estado contra o povo brasileiro.

O terceiro, para desespero de certo professor de Sociologia, é Lula, o real, não o espectro, que projetou Brasil como liderança do Terceiro Mundo, abriu caminho para a negociação bem-sucedida com Irã e liderou esta marcha de ascensão social digna de um filme de Cecil B. de Mille dos anos 50 ou do Spielberg atual. Isto no cinema; Lula, na vida real.

Erros? Sim, afinal, trata-se de um ser humano, não do monstro infalível que os arautos da Casa Grande querem impingir ao povo brasileiro. Talvez o principal erro cometido, junto com seu partido, o PT, tenha sido o de imaginar que toda esta gigantesca operação positiva na sociedade brasileira não despertaria ódios nem a aversão por parte de quem não aguenta, no fundo, ter de disputar espaço com o povão das filas de aeroporto, nos vestibulares das universidades, nas escadas rolantes dos shopping centers, ou ter de pagar salário mínimo com carteira assinada para empregada doméstica. Parecia apenas que a “beleza do quadro” da melhoria social seduziria todo mundo.

Muito pelo contrário.

Quem detesta o bonito, feio lhe parece. Tem gente que não suporta a igualdade. Tem gente que prefere matar a conviver. Nos casos extremos, outras gentes. Mas no meio do caminho, também ideias.

Como não há mais estacas nem água benta disponível para conjurar o espectro Lula, o caminho é mesmo o de procurar destruí-lo juridicamente. Fazer o seu impeachment antes mesmo dele assumir qualquer cargo. Como se fosse um exorcismo avant-la-lettre.

Não vai funcionar. É possível enganar todos por algum tempo, alguns o tempo todo, mas não a todos o tempo todo. O Lula real vai sobreviver a seu espectro fajutado por essas tentativas canhestras de golpe.

Créditos da foto: Ricardo Stuckert.

O auxílio-moradia do MP vai custar mais caro que os roubos da Lava Jato? (Por Fernando Brito/via Tijolaço)

http://tijolaco.com.br/blog/o-auxilio-moradia-do-mp-vai-custar-mais-caro-que-os-roubos-da-lava-jato

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Vejo no jornal mineiro Hoje em Dia que saiu mais uma “parcelinha” de atrasados do “auxílio-moradia” dos membros do Ministério Público de Minas Gerais.

Coisa “pouca”, só R$ 13,9 milhões de um total de mais R$ 1 bilhão “devido” a suas excelências em atrasados, segundo valores divulgados pelo jornal O Estado de Minas: R$ 946.483.179,57, em valores de fevereiro do ano passado, calculados a partir de 1994.

Não inclui os senhores juízes, que no dia 5 de janeiro tiveram a liberação de um naco de R$ 180 milhões, correspondente a uma parcela de R$ 125 mil para cada um dos 1,4 mil juízes e desembargadores mineiros. O TJ de Minas não fornece os números totais dos gastos, mas é de crer que sejam maiores que aqueles, porque para os juízes há atrasados desde 1988.

Dois bilhões e pico, a serem verdadeiros os números – e não tenho porque achar que não sejam – publicados pelo jornal mineiro.

Como Minas Gerais tem 10% da população brasileira, não é absurdo supor que tenha 10% dos juízes, desembargadores, promotores e procuradores. E, como o “auxílio” é nacional, valendo a partir das mesmas datas e com os mesmos valores, pode-se extrapolar seus custos totais.

Mais de 20 bilhões de reais.

Agora some os ministros, juízes, desembargadores, e promotores federais, além de outros que vão “de carona”, como os membros dos Tribunais de Contas e quejandos.

Tem aí uns R$ 30 bilhões de atrasados, afora o pinga-pinga mensal, sem imposto e livre para gastar, mesmo morando no local de trabalho e possuindo imóvel próprio?

É um valor que deixa no chinelo as estimativas de perdas com a corrupção surgida na Lava Jato, estimada em R$ 6,2 bi pela auditoria da Petrobras e em R$ 19 bi pela Polícia Federal.

Ou, se acaso os números não sejam exatamente estes, algo bem próximo, o que deixo para que a grande imprensa, com seus fartos meios, apure com exatidão, se, claro, vier ao caso.

Valores a serem pagos “de acordo com a lei”, ao menos com a lei examinada pelos próprios beneficiários.

Pagamento, aliás, que vai dar panos para manga, com a notícia de que as associações de juízes e promotores vai se insurgir contra a regra imposta por Dilma de que “será preciso apresentar o recibo do gasto com aluguel ou hotel, requisito até então não exigido de magistrados e membros do Ministério Público”, segundo o Congresso em Foco registra.

Eu acho que é melhor parar de fazer contas antes que o japonês da Federal resolva baixar aqui em casa, pedindo a nota fiscal do “iate de soprar”, inflável,  que eu comprei, tempos atrás, para meu filho pequeno. É que eu não tenho mais a nota fiscal, das Lojas Americanas. Como se sabe, isso hoje é motivo de suspeitas.