Novo olhar para entender o feminino e o masculino (por Cândida Del Tedesco e Fernanda Cirenza/via revista Brasileiros)

A antropóloga Heloisa Buarque de Almeida - Foto: Luiza Sigulem

Por Cândida Del Tedesco e Fernanda Cirenza/via revista Brasileiros – 21/6/2016. (Foto: Luiza Sigulem).

“Em especial para a Brasileiros, a antropóloga Heloisa Buarque de Almeida diz que não há nada de natural nos gêneros feminino e masculino. Tudo é aprendido. O momento é de multiplicidade identitária e inaugura uma maneira diferente de compreender o comportamento humano.”

Leia mais:

http://brasileiros.com.br/2016/06/186798

Quem financiará a mídia alternativa para que ela seja “livre e independente”? (por Alceu Luís Castilho/via Outras Palavras)

deolho-ponte-amazonia-reporterb

Por Alceu Luís Castilho – 28/6/2016 – via Outras Palavras.

“Esquerda brasileira ainda não acordou para a necessidade de bancar projetos de comunicação contra-hegemônicos, como multiplicadores de uma agenda da resistência.”

Leia mais:

http://outraspalavras.net/alceucastilho/2016/06/28/quem-financiara-a-midia-alternativa-para-que-ela-seja-livre-e-independente

Onde está o “rombo” da Previdência? (por Guilherme Boulos/via Outras Palavras)

515_126518153

PARECE, MAS NÃO É: Grafite de Edgar Mueller no solo. Artista de rua alemão é conhecido por criar ilusionismo em três dimensões. (Imagem Edgar Mueller).

Por Guilherme Boulos – 28/6/2016 – via Outras Palavras.

“Vasto estudo da economista Denise Gentil demonstra: Seguridade é superávitária. Ilusão de “déficit” deve-se ao desvio sistemático de receitas para pagamento de juros.”

Leia mais:

http://outraspalavras.net/brasil/boulos-onde-esta-o-rombo-da-previdencia

Marcelo Lavenère: “Criminalizam-se os movimentos populares pela ligação do Judiciário com as elites econômicas” (por Lizely Roberta Borges/via MST)

Lavenere 4.jpg

Por Lizely Roberta Borges – 28/6/2016 – via MST.

“Para Marcelo Lavenère, o Poder Judiciário no Brasil ainda reflete as origens de um Brasil patrimonialista e submetido às oligarquias locais.”

Leia mais:

http://www.mst.org.br/2016/06/28/criminalizam-se-os-movimentos-populares-por-forca-da-ligacao-do-poder-judiciario-na-sua-base-com-as-estruturas-das-elites-economicas.html

 

Escola Sem Partido: quem são os gurus e os fiéis da seita (por Por Mauro Donato/via DCM)

miguel nagib

Por Mauro Donato – 29/6/2016 – via DCM.

“Para Nagib “os pais têm direito a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.” Em sua convicção tacanha, o advogado ignora que o papel da escola é exatamente o de mostrar o mundo que existe do outro lado do muro.

(…) Ponha-se no lugar de um docente, leitor. Uma sala, 35 a 40 alunos, cada um com sua moral, suas crenças, seus costumes, suas convicções. Como se faz? É preciso estar com a mente muito confusa para propor algo assim.”

Leia mais:

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/escola-sem-partido-quem-sao-os-gurus-e-os-fieis-da-seita-por-mauro-donato

Craques que não lideram

Craques que não lideram

Messi, solitário, mais que solidário. 

Por Celso Vicenzi – 28/6/2016.

Alguns nascem com um talento excepcional para o futebol, como é o caso do brasileiro Neymar. Talento, no entanto, não é tudo para vencer. É preciso firmeza, motivação, estabilidade emocional e capacidade de decisão, entre outras virtudes. Melhor ainda quando agrega-se a tudo isso um espírito de liderança.

Nem todos os craques são líderes. Zinedine Zidane era um deles e levou a França a seu primeiro título em uma Copa do Mundo, em 1998. Pelé, o maior de todos os gênios do futebol, não era capitão nem no Santos e nem na seleção. Dunga, a quem falta provar competência como treinador, foi um leão dentro do gramado. Símbolo de uma seleção de poucos predicados, derrotada em 1990 na Itália, não caiu no ostracismo. Deu a volta por cima e tornou-se tetracampeão do mundo, quatro anos depois, nos Estados Unidos.

Faço essa introdução para falar do desapontamento que tive com o Messi, domingo, na derrota da seleção argentina para o Chile. Não, não me refiro ao pênalti perdido, pois ninguém é perfeito e craques também erram. Baggio na final da Copa de 1994 que o diga. Costumo dizer que craques brincam com a bola e quando erram, é a bola  que brinca com os craques.

Messi é capitão da seleção argentina porque é um craque, não porque é um líder. O que me desapontou foi ver como alguém que já conquistou tudo como atleta, não consegue ser solidário com seus companheiros na hora da derrota. Tão logo confirmou-se que o seu pênalti e o do companheiro Biglia foram decisivos para a derrota, o seu gesto, imediato, foi o de  tirar a braçadeira de capitão e sentar-se, sozinho no banco de reservas, enquanto seus companheiros permaneciam em campo, trocavam abraços entristecidos e recebiam o consolo até mesmo de jogadores rivais, depois de uma final duríssima, marcada por expulsões e jogadas ríspidas. Um duelo em que o Chile mostrou que futebol exige boas doses de talento, mas também vontade e disposição infinitas, para não se deixar abater e perseguir incansavelmente a vitória. Há muitos exemplos de equipes que mesmo inferiores ou com jogadores a menos em campo, souberam pôr o coração na ponta da chuteira e escreveram seus nomes na história.

Ter um capitão que não use apenas uma braçadeira, mas lidere uma equipe, é fundamental. E algumas atitudes são emblemáticas. O que se poderia esperar de Messi após a decisão? No mínimo que fosse solidário, dando um abraço em cada companheiro, incentivando um por um a levantar a cabeça, aceitar a derrota e seguir em frente, pois a vida continua e haverá outras chances de levar o país à vitória. Nem precisaria pedir desculpas pelo erro, porque todo atleta sabe que isso acontece com qualquer um que seja escalado para esse momento em que a confiança e o controle emocional costumam pesar mais do que a técnica.

Messi mostrou ao mundo o quanto ainda é fraco emocionalmente quando tem sobre seus ombros a responsabilidade de liderar sua seleção rumo à glória. Talvez seja por essa fragilidade emocional que, apesar de ser o melhor jogador do mundo, por  vários anos, não consegue levar os argentinos a uma conquista importante. A última foi há 23 anos. Quanta diferença de atitude, por exemplo, em comparação com o desbocado e pouco regrado Maradona! Sim, cada craque à sua maneira, mas um líder se impõe, sobretudo, nos momentos decisivos.

Um líder não é garantia de vitória para um time ou uma seleção, mas, não raro,  costuma levar equipes modestas a resultados surpreendentes. E, nos casos de resultados insatisfatórios, dignifica a derrota. Como não lembrar de Beckenbauer jogando com uma tipoia improvisada contra a Itália, na Copa de 1970, no México? Jogou com o braço enfaixado desde os 25 minutos do segundo tempo e levou a seleção a buscar um empate que levou a uma prorrogação com cinco gols, em que os italianos venceram por 4 a 3, numa semifinal emocionante. Perdeu a Alemanha, mas Beckenbauer eternizou-se como um grande líder, capitão da seleção por 10 anos e campeão da Copa do Mundo de 1974.

Nem é preciso ser capitão de uma equipe para liderar. Aliás, melhor ainda quando há vários deles em campo, que se somam para superar obstáculos. Como esquecer da cena eternizada por Didi, na Copa de 1958, na Suécia? Os donos da casa saíram à frente no placar. Didi, com a dignidade de um príncipe negro, foi buscar a bola no fundo da rede, colocou-a  embaixo do braço e caminhou calmamente até o meio de campo para dar reinicio ao jogo, exortando os companheiros a manter a calma e buscar a vitória, que acabou por se concretizar com uma goleada de 5 a 2.

A falta de um líder em campo é sempre preocupante, pois aumentam as chances de um infortúnio. Assim como a derrota em 1950 é inesquecível, também será impossível apagar o maior vexame da seleção brasileira com a goleada de 7 a 1 diante da seleção alemã, na Copa de 2014 – a segunda disputada no Brasil. Pior do que o placar elástico, neste caso, foi a resignação dos jogadores diante de uma derrota acachapante. O desastre já dera sinais muito antes. O capitão Thiago Silva, tornou-se símbolo de uma seleção insegura. Na linguagem futebolística, a equipe  “amarelava” em campo. Na disputa por pênaltis contra o Chile, o capitão brasileiro permaneceu sentado em uma bola, à beira do gramado, rezando, longe de seus companheiros durante a sequência de pênaltis, vencida pelo Brasil. Como pode ser capitão de um time alguém que não tem estrutura emocional para segurar o rojão?  Alguém que, longe de inspirar e incentivar, preferem afastar-se dos companheiros nas horas mais críticas?

Messi é gênio, é o melhor jogador de futebol do mundo, mas pode também entrar para a história como um craque que não soube liderar a seleção de seu país a um título internacional expressivo. Perdeu as finais de três edições da Copa América (2007, 2015 e 2016) e a Copa do Mundo de 2014. Sim, os deuses do futebol são cruéis, às vezes. Mas que mal há nisso quando se sai de campo de cabeça erguida? Sem mimimi, sem chororô? Derrotas, a depender das circunstâncias, também engrandecem currículos.

O craque argentino, ainda no calor de mais uma derrota, anunciou que vai deixar a seleção. Tomara que volte atrás e que, perdendo ou ganhando as próximas competições, os argentinos e todos nós possamos lembrar dele como um genial atleta, infeliz em decisões de títulos, mas um guerreiro, solidário, que não se entrega e não abandona a luta. Mesmo não sendo um líder.

Golpe claro, futuro sombrio

Brasília - Manifestantes fazem ato contra processo de impeachment e defesa do governo, na Esplanada dos Ministérios (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Reação ainda insuficiente para impedir o golpe.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil.

Por Celso Vicenzi – 27/6/2016.

Sim, está cada vez mais claro que houve um golpe no Brasil. Confessado em delações premiadas, explicitado em declarações de parlamentares da oposição, visível nas ações jurídico-midiáticas.

Tornado flagrante o desrespeito à Constituição e o crime de lesa-pátria, que irá beneficiar uma elite local e os donos do capital internacional, de que adianta toda essa clareza? Quem está interessado em admitir o que aconteceu e restituir a presidência a quem foi legitimamente eleita? O Judiciário? O STF? Os parlamentares que fingem votar um impeachment quanto estão na verdade aplicando um golpe, na maior cara dura? Os empresários, que financiaram o Congresso mais reacionário e corrupto que o país já conheceu? A classe média, que só pensa no seu umbigo e é politicamente analfabeta? Os mais pobres, maiores reféns de uma educação precária, de subempregos e de uma informação manipuladora oligopolizada que os mantêm à margem da cidadania?

O golpe é transnacional. Tem alguns feudos internos, que vão abocanhar uma parte do banquete, mas os donos do capital internacional é que vão ditar as regras do jogo. E serão neutralizados os avanços obtidos na direção de uma genuína soberania e no combate à desigualdade social. A menos que haja uma cada vez mais improvável reação para impedir o impeachment, o retrocesso econômico, político e social irá se aprofundar. E muito!