Golpe claro, futuro sombrio

Brasília - Manifestantes fazem ato contra processo de impeachment e defesa do governo, na Esplanada dos Ministérios (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Reação ainda insuficiente para impedir o golpe.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil.

Por Celso Vicenzi – 27/6/2016.

Sim, está cada vez mais claro que houve um golpe no Brasil. Confessado em delações premiadas, explicitado em declarações de parlamentares da oposição, visível nas ações jurídico-midiáticas.

Tornado flagrante o desrespeito à Constituição e o crime de lesa-pátria, que irá beneficiar uma elite local e os donos do capital internacional, de que adianta toda essa clareza? Quem está interessado em admitir o que aconteceu e restituir a presidência a quem foi legitimamente eleita? O Judiciário? O STF? Os parlamentares que fingem votar um impeachment quanto estão na verdade aplicando um golpe, na maior cara dura? Os empresários, que financiaram o Congresso mais reacionário e corrupto que o país já conheceu? A classe média, que só pensa no seu umbigo e é politicamente analfabeta? Os mais pobres, maiores reféns de uma educação precária, de subempregos e de uma informação manipuladora oligopolizada que os mantêm à margem da cidadania?

O golpe é transnacional. Tem alguns feudos internos, que vão abocanhar uma parte do banquete, mas os donos do capital internacional é que vão ditar as regras do jogo. E serão neutralizados os avanços obtidos na direção de uma genuína soberania e no combate à desigualdade social. A menos que haja uma cada vez mais improvável reação para impedir o impeachment, o retrocesso econômico, político e social irá se aprofundar. E muito!

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