Comentários sobre jornalismo e produção de conteúdo

Máquina De Escrever, Teclado, Tipo

Por Celso Vicenzi – 25/10/2016. Imagem: Pixabay.com

Comentário publicado no FB:

Tem gente que não sabe reconhecer um comentário irônico ou fazer interpretação de texto. O comentário – ok, vou explicar! – tentando ser irônico e bem-humorado (falha minha!) é sobre a substituição cada vez mais explícita da reportagem jornalística por uma coisa que a mídia resolveu chamar de “produção de conteúdo” e que costuma deixar muito a desejar pra quem já leu, viu e ouviu um bocado de coisa boa na vida. Há exceções? Aplausos!

Mas os donos da mídia sabem muito bem por que trocaram bons jornalistas – cada vez mais raros nas redações – por profissionais que fazem o que é vagamente definido como “produção de conteúdo”, com pautas que se perdem em superficialidades, que não dão conta de interrogar e buscar respostas à complexidade dos fenômenos políticos, sociais, econômicos, comportamentais etc e que, não bastasse tudo isso, ainda são mal escritas ou mal elaboradas em reportagens de rádio e televisão. É o que se vê na maioria dos casos nos principais veículos de comunicação, que vão afundando numa crise e perdendo qualidade e credibilidade – pior ainda se você caro leitor, cara leitora, não conseguiu perceber o que está acontecendo.

Não vou nem entrar na discussão ética e da dominação, cada vez maior, do comercial em relação ao editorial, e do quanto se perdeu em diversidade e fontes capazes de se contrapor ao chamado “pensamento único” que, de modo geral, com raros momentos de exceção, tomou conta dos espaços de produção de “conteúdo jornalístico” – diferente de “produção de conteúdo”.

É só uma constatação da melancólica e indigna situação a que chegou uma imprensa que vendeu a alma ao diabo e perdeu a dimensão do seu papel na sociedade. Não sou ingênuo a ponto de não compreender o que a imprensa representou, em todas as épocas, para os donos do capital e para a luta ideológica, mas chegamos a uma era em que o cinismo se impôs com tanta força que é quase impossível sustentar o mínimo de credibilidade àquilo que se lê, se ouve e se vê.

Menos mal que surgem, cada vez mais, boas experiências na mídia digital, pautadas justamente pelas ferramentas do velho e bom jornalismo. Narrativas, em qualquer plataforma, que tenham clareza, densidade, exatidão, precisão, coerência, ritmo e objetividade, entre outras virtudes.

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