Mirem-se em Maluf

Por Celso Vicenzi – 23/5/2017.

Não sei porque todo esse desespero do Aécio. Basta dizer que o STF acaba de condenar o Maluf a mais 7 anos de prisão e multa. Ou seja, se Maluf ainda tá solto, por que não ter esperanças, não é?

A nova ilusão da classe média

Por Celso Vicenzi – 20/5/2017.

A nova ilusão que tentam vender à classe média é que é preciso tirar todos os políticos e pôr empresários para governar. Ué, mas não são justamente eles que mandam, desmandam, compram e subornam tudo nesse país? Basta conferir o que fizeram a Odebrecht e a JBS, duas entre muitas das empresas bilionárias do país. Ou alguém ainda cultiva a ingenuidade que as outras super poderosas não agem assim? E não é só no Executivo e no Legislativo, se é que me entendem.

A justiça desmoraliza-se

Por Celso Vicenzi – 20/5/2017.

Que justiça é essa que caça dono de triplex com documento sem assinatura e deixa livre, leve e solto um corruptor confesso que financiou políticos e sabe-se lá mais quem em todo o país? E que oferece enormes regalias a delatores dispostos a delatarem o que soa como música para seus ouvidos? Ninguém conseguirá desmoralizar mais a justiça do que os operadores do Direito.

Só o Lula tinha que saber, Meirelles e Moro, não?

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Meirelles, rindo da ingenuidade dos brasileiros? Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil. 

Por Celso Vicenzi – 20/5/2017.

Se Lula tinha que saber o que acontecia na Petrobras, Meirelles, que foi presidente do Conselho da JBS durante os anos em que a empresa repassou meio bilhão de reais a políticos, não deveria saber também? Ainda mais que era o gestor direto da empresa, ao contrário de Lula? E Moro não deveria saber que Cunha recebia propina até na prisão?

Se Moro anexa ao processo de Lula foto do ex-presidente com o presidente da OAS no sítio em Atibaia, como prova de suas relações com o dono da empreiteira, o que dizer das fotos com Moro rindo na maior intimidade com Aécio e Temer, e frequentando eventos promovidos por Doria?

Na justiça do Brasil, infelizmente, há muitos procedimentos que só valem para os outros, para os inimigos. Derrubaram Dilma – com o aval do STF – por conta de pedaladas fiscais que também foram praticadas por 17 governadores e até pelo golpista Temer, sem que fosse usado do mesmo rigor (aliás, ninguém deveria perder o mandato por isso).

Mas setores da mídia e do judiciário são muito seletivos (para usar uma palavra branda). Para eles, como dizem os manezinhos, “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.

Diretor e diretoria não são a mesma coisa, certo Arnaldo?

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Por Celso Vicenzi – 18/5/2017. Foto: Arquivo/Agência Brasil.

Lula no depoimento a Moro diz que fez apenas duas reuniões com a “direção” da Petrobras. O MP afirma que ele se reuniu 27 vezes com “diretores” da Petrobras. Ora, não é a mesma coisa.
Quem faz curso de jornalismo pelo método Moro, apressadamente, se contenta com aparências e ilações, mas é preciso prestar atenção: diretor e direção não são a mesma coisa.
 
O jornal Extra, por exemplo, chegou a pôr o erro em manchete (outros falaram em contradição): “Lula teve 27 encontros com a diretoria da Petrobras entre 2003 e 2010”. Errado. Segundo o próprio Ministério Público, há documentos que provam que Lula teria se reunido 27 vezes com diretores da Petrobras. Diretor é uma pessoa, não é um coletivo. Não é, portanto, uma diretoria.
 
Não vem ao caso, neste breve comentário, porque só quis demonstrar um equívoco da mídia e do MP, se Lula fez ou não fez o que quer que digam que tenha feito. Até porque reunir-se com diretor da Petrobras não é crime. É preciso haver algo mais concreto do que uma agenda com os nomes de quem participou. Negociaram propinas nessas reuniões? Bem, se tem essa comprovação, daí estamos diante de um crime.
 
Agendas de reuniões, ainda mais quando públicas, não provam nada. Salvo se estamos diante do método Moro de deduções, ilações e convicções.

Aguarda-se o mea culpa sincero de quem apoiou o golpe que destrói o país

Por Celso Vicenzi – 18/5/2017.

É patética a tentativa de coxinhas e paneleiros que nunca se incomodaram com acusações de corrupção contra quem quer que seja que não fosse do PT, ocuparem neste momento as redes sociais para fazer um pseudo discurso ético afirmando que “corruptos de todos os partidos devem ser presos”. Nunca bateram panela contra nenhum caso de corrupção de outro partido.
 
Quem inflou patos amarelos por todo o país é co-responsável pelo enorme retrocesso político, econômico, social e civilizatório que o Brasil vive, em todas as áreas. Os entusiastas defensores do golpe colocaram no poder corruptos que estão distribuindo privilégios aos mais ricos, destruindo os direitos dos trabalhadores e condenando a maioria da população novamente à miséria. Sempre é tempo de arrependimento, sim. Bater panelas, novamente, seria um ótimo recomeço. Coerente e sem disfarces.
Aguarda-se  o mea culpa sincero de quem apoiou o golpe que destrói o país.

O povo precisa tomar as ruas, antes que decidam no tapetão

Por Celso Vicenzi – 17/5/2017.

Se Temer cair, o correto seria convocar eleições diretas o mais rápido possível, única forma de voltarmos a uma democracia, derrubada com um golpe.
 
Mas tenho muitas desconfianças sobre essa bomba que atingiu Temer e Aécio, principalmente. Os interesses de quem deu o golpe não são os de correr riscos e entregar a alguém da esquerda, novamente, a presidência do país. Acho que buscam uma saída para estabilizar o golpe e consolidar a destruição dos direitos trabalhistas (que interessa à elite nacional) e a entrega das riquezas do país ao capital internacional, em parceria com a classe rica local.
 
Cresce a chance de os “donos do golpe” darem “um golpe dentro do golpe”, sem eleições em 2018. Pode vir aí desde propostas como Parlamentarismo até a ascensão de uma ditadura em nome da moralização do país.
 
Se não houver uma forte reação popular, tomando as ruas em todo o país, o jogo vai ser decidido no tapetão. E o Judiciário vai aparecer como o “salvador da pátria”, o “poder limpinho”, coisa que não é. Ficou ainda mais intrigante a reunião dos principais empresários do país com a ministra Carmen Lucia, recentemente. Talvez a pauta tenha ido um pouco além das questões trabalhistas, de interesse direto e imediato do patronato.
 
Enfim, nada acontece por acaso. Difícil prever os desdobramentos. Nos próximos dias, talvez fique mais claro.
 
O certo é que o povo precisa tomar as ruas, em massa, em todas as principais cidades, se ainda quiser decidir o seu futuro e garantir a democracia no país.