A corrupção sem disfarces

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Por Celso Vicenzi – 21/6/2017.

A corrupção agora acontece na cara do freguês, mas como a freguesia é outra, os jornalistas acham tudo normal, os revoltados não batem mais panelas, a justiça fecha os olhos e os patos que foram às ruas abanar seus rabinhos indignados voltaram para seus quintais, onde pousam a bunda em confortáveis sofás, de onde assistem tudo com cara de paisagem.

Os erros do PT e o golpe

Mídia e Judiciário não deram chances de defesa. Charge: Aroeira.

Por Celso Vicenzi – 20/6/2017.

Há um argumento frequente nas redes sociais e nas conversas por aí, que embora falho, tem conquistado muitos adeptos. Diz-se, em linhas gerais, que o PT sabia quem era Temer e conhecia bem o PMDB e que, por isso, deve admitir que também errou, ou seja, aceitou correr riscos com essa aliança e, por conseguinte, justifica-se o golpe. Erros não faltam ao PT e a tantos outros partidos que ascenderam ao poder em algum momento da história. Mas nenhum deles pode ser pretexto para se aceitar um golpe.

Para governar é preciso obter maioria no Congresso e para isso recorre-se a coalizões políticas, aqui e em outros países. Errar na escolha das coalizões, no programa de governo ou no exercício do cargo, repito, não justifica um golpe.

Quem faz um mau governo é derrotado na eleição seguinte. É assim numa democracia. O PT pagaria o preço de suas opções políticas e econômicas.

Outra coisa, no entanto, é sofrer um golpe que uniu, entre outros, boa parte do  empresariado, da mídia, do Congresso financiado por corruptores como a Odebrecht, JBS e tantos outros, que obteve a conivência de boa parte do Judiciário, da Polícia Federal e, muito provavelmente, com apoio logístico da nação que considera a América Latina estratégica para seus interesses geopolíticos. Inclua-se, ainda, a traição torpe como poucas vezes se viu, em qualquer país, de um vice-presidente e do maior partido que dava sustentação política ao governo. Contra tudo isso, havia pouco a se fazer (é verdade que nem esse pouco o PT fez, confiando no Judiciário e na Divina Providência).

A crítica ao PT é necessária e deve ser feita, mas não pode ser usada para justificar o golpe. Numa democracia, maus governos ou escolhas políticas devem ser questionadas numa próxima eleição. Golpe é golpe. E os erros do PT não podem justificar o que se fez no país, de maneira ilegítima e arbitrária (apesar da roupagem jurídico-legal com que travestiram o golpe).

Portanto, é preciso separar bem as duas coisas. Críticas ao PT (que se afastou dos movimentos sociais, que optou por uma política econômica equivocada, que não democratizou a comunicação etc), aos dirigentes que se corromperam etc etc, são todas muito bem-vindas e necessárias, porque ajudam a aprimorar a política, a democracia, a sociedade. Mas aceitar que erros políticos de um partido ou de um governante deem pretexto a um golpe – com tudo que já se sabe agora sobre as suas motivações -, desculpem-me, é violentar duplamente a vítima. É estuprar a democracia.

E cá entre nós, toda a corrupção dos golpistas que tomaram de assalto o Palácio do Planalto para tentar livrar a pele e barrar a Lava Jato (recordemos Jucá: “A solução é botar o Michel, num grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo, aí parava tudo”), o ódio da classe média à ascensão dos mais pobres, os donos do PIB ávidos por destruir a Constituição e a proteção aos direitos sociais e dos trabalhadores para aumentar seus ganhos, os lucros com a privatização, o interesse de potências estrangeiras no pré-sal, nas riquezas nacionais –, tudo isso teve muito mais peso na motivação do golpe do que eventuais casos de corrupção do PT ou erros políticos e econômicos do governo da presidenta Dilma.

E mostrou-se ainda mais transparente depois que o golpe perdeu o rumo, a ponte para o futuro revelou-se uma frágil pinguela, defensores da ética mostraram-se igualmente corruptos, os golpistas desentenderam-se, a mídia e a justiça retiraram suas máscaras e heróis transmudaram-se em vilões da noite para o dia.

As polêmicas envolvendo o IDP de Gilmar Mendes (por Patricia Faermann/via Luis Nassif/GGN)

Foto: Walter Alves/IDP.

Por  Patricia Faermann – 15/6/2017 – via Luis Nassif/GGN.

O Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) de propriedade do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve mais um de seus patrocínios envolvidos em polêmicas. Além dos casos já revelados há mais de três anos pelo GGN, o Instituto recebeu R$ 2,1 milhões do grupo J&F, investigado no esquema da Operação Lava Jato, e que tem processos que podem ser analisados pelo próprio Gilmar, que insiste em não se declarar impedido.

Leia mais:

http://jornalggn.com.br/noticia/as-polemicas-envolvendo-o-idp-de-gilmar-mendes

Agente da CIA? Treinado pelo FBI? Um raio-x da relação Moro-EUA (por Daniel Giovanaz/via Brasil de Fato/publicado por Luis Nassif/GGN)

Por Daniel Giovanaz – 9/6/2017 – Brasil de Fato – citado por Luis Nassif/GGN.

Em julho de 2016, a filósofa Marilena Chauí afirmou que o juiz de primeira instância Sérgio Moro havia sido “treinado pelo FBI” para atender aos interesses estadunidenses na condução da operação Lava Jato. O vídeo, publicado pelo Nocaute TV, teve mais de 160 mil visualizações e estimulou debates sobre o tema entre juristas, historiadores, cientistas políticos e sociólogos brasileiros.

Leia mais:

http://jornalggn.com.br/noticia/agente-da-cia-treinado-pelo-fbi-um-raio-x-da-relacao-moro-eua-por-daniel-giovanaz

Direitos Humanos e a presunção de inocência

A diferença entre civilização e barbárie.

A diferença entre civilização e barbárie.Via Adauri Antunes.

Publicado por Celso Vicenzi em Quinta, 8 de junho de 2017

Sermão sobre as injustiças e os ataques aos trabalhadores, acobertados pela mídia

Mensagem dos Bispos e da CNBB sobre a atual crise no país.

Bispos e da CNBB sobre a atual Crise

Mensagem dos Bispos e da CNBB sobre a atual Crise

Publicado por O silêncio do Justo em Segunda, 5 de junho de 2017