Poema de José Luís Peixoto, poeta português

 

Circula no FB – julho/2017.

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.

22 livros que são diamantes para o cérebro (por Euler de França Belém/via Revista Bula)

Paradiso

Por Euler de França Belém – julho/2017 – via Revista Bula.

Livros, bons livros, são verdadeiros diamantes para o cérebro ou, se se quiser, para a alma. Aliás, até maus livros, se bem lidos, se tornam pelo menos uma vistosa bijuteria. Nesta lista, idiossincrática como qualquer outra, menciono livros que, em geral, foram editados no Brasil há alguns anos. Mas poucos estão fora de catálogo. Os que estão podem ser encontrados em sebos — caso da obra-prima “Paradiso”, romance do Lezama Lima.

Leia mais:

http://www.revistabula.com/1752-22-livros-que-sao-diamantes-para-o-cerebro

 

Manual prático de bons modos em livrarias (por Raul Arruda Filho/via blog raulealiteratura)

Por Raul Arruda Filho 8/9/2014 – via blog raulealiteratura.

Trabalhar em livraria parece ser sinônimo de paz e tranquilidade. Não o é. Essa é a opinião da livreira Lilian Dorea, que, no mundo virtual, adota o pseudônimo Hillé Puonto. Algumas das dificuldades que acompanham o comércio de livros foram relacionadas (e discutidas) no Manual Prático de Bons Modos em Livraria, texto que deveria ser leitura obrigatória para qualquer um que trabalhe com leitura, ensino literário e editoração. Além, é claro, daqueles que labutam do outro lado do balcão tentando vender qualquer tipo de publicação (livros, revistas, jornais).

Leia mais:

http://raulealiteratura.blogspot.com.br/2014/09/manual-pratico-de-bons-modos-em.html

Este blog reúne mais de 150 livros de fotografia sobre a África (por Juliana Domingos de Lima/via Nexojornal)

Foto: Reprodução/Africa in the Photobook. Fotografias do livro “Les Hommes de la Danse” (Os homens da dança), de 1954, do fotógrafo Michel Huet. 

Por Juliana Domingos de Lima – 29/5/2017 – via Nexojornal.

Site ‘Africa in the Photobook’ mostra mudanças na forma como o continente é retratado ao longo de quase um século.

Leia mais:

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/05/29/Este-blog-re%C3%BAne-mais-de-150-livros-de-fotografia-sobre-a-%C3%81frica

Megaliquidação de livros na FAF

MEGALIQUIDAÇÃO DE LIVROS

Estarei neste sábado, dia 8, na FAF, no Centro de Florianópolis (Praça XV), com uma megaliquidação de livros (mudei para um apartamento e não tenho mais espaço). Qualquer livro por apenas R$ 5,00 (cinco reais!). Todos novos ou em bom estado.

IMPORTANTE: Só se não chover, porque estarei na calçada. Mas as outras atrações da FAF estão garantidas, mesmo com chuva.

Livros como:
– O erotismo, Georges Bataille.
– O nada e mais alguma coisa, Woody Allen.
– Ecologizar – pensando o ambiente humano, Maurício Andrés Ribeiro.
– A escola das facas, João Cabral de Melo Neto.
– Sobre ética e imprensa, Eugênio Bucci.
– Movimento sindical: passado, presente, futuro – Antônio Augusto de Queiroz.
– A linguagem das roupas, Alison Lurie.
– Gostar de arte – verbetes sobre arte e cultura, Graziella Rollemberg.
– Mulheres audaciosas da Antiguidade, Vicki León.
– Infância – a idade sagrada, Evânia Reichert.
– Chorinho brejeiro, Dalton Trevisan.
– Televisão e psicanálise, Muniz Sodré.
– Catarinenses, gênese e história – João Carlos Mosimann.
– A construção do olhar estético-crítico do educador, Neide Pelaez de Campos.
– Chabadabadá, Xico Sá.
– Pequeno dicionário das utopias da educação, João Pacheco.
– Bailanta do Taurino, cartuns de Santiago.
– O tamanho da coisa, cartuns do Laerte.
Vários livros de Literatura Comentada dos principais escritores brasileiros, como Clarice Lispector, Augusto dos Anjos, Graciliano Ramos, Cruz e Sousa, Ferreira Gullar, Machado de Assis, Oswald de Andrade, Jorge Amado, Monteiro Lobato, Manuel Bandeira, Sérgio Porto e Manuel Bandeira.
E muito, muito mais. Apareça lá!

Assim nasce o conservador – Um poema brechtiano de Mauro Iasi (via blog da Boitempo)

Mauro Iasi, colunista

Por Mauro Iasi – 13/8/2015 – via blog da Boitempo.

“Nada mais parecido com um fascista que um pequeno burguês assustado”
– Brecht

Assim nasce o conservador

De todos os invernos
De todas as noites sangrentas
De todos os infernos
De todos os céus desterrados de perdão.

De toda obediência burra
Ao oficial, burocrata,
À coroa, ao cetro,
Ao papa, ao cura.

De todo medo
“Agora não, ainda é cedo”,
de todo gesto invertido para dentro,
de toda palavra que morre na boca.

Do obscurantismo, de todo preconceito,
de tudo que te cega, de tudo que te cala,
de tudo que lhe tolhe, de tudo que recolhes,
de tudo que abdicas, de tudo que te falta.

Um beijo o assusta,
um abraço o enfurece,
a dúvida o enlouquece,
a razão se esvanece no vácuo.

Germina, assim, uma impotência tão grande,
que deforma as feições e torna tenso o corpo,
o dedo em riste, a veia que salta no pescoço,
a boca transformada em latrina.

Assim nasce o conservador.
Ele teme tudo que é novo e se move.
É um ser frágil, arrogante, assustado…
e violento.

Por Mauro Luis Iasi.

Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.

Os gatos, por Sonia Hirsch

Gatos
Do livro “Os Gatos de Sonia Hirsch”, editora Hirsch & Mauad.

Dentro adoram, pode ser gaveta, armário, cesta, saco de compras e principalmente caixa de papelão; dentro redondo, então, é irresistível, mesmo que seja pirex ou embalagem de sushi

fora para tomar sol, paquerar passarinho, sentir o vento passar no nariz trazendo histórias nos cheiros

em cima dos guarda-roupas, das prateleiras de louça, da televisão com o rabo bem no meio da tela, do monitor do micro, dos livros ou do jornal que a gente está lendo: dormem e fazem charme

embaixo de cama, poltrona, sofá, colcha, tapete, para dar o bote quando a gente passa; e do lençol, quando a gente quer arrumar a cama

junto conosco na cozinha em qualquer circunstância

longe do aspirador, do liquidificador, de qualquer coisa que faça barulho e do veterinário, que também termina em dor

perto de parapeitos, beirais, janelas e outros lugares que deixam a gente de coração na mão

de papo pro ar, quando faz calor, patinhas largadas ao léu

na gente de noite, quando faz frio: por cima e por baixo das cobertas, no meio das pernas, no meio das costas, em cima da barriga, do lado do corpo, ninguém consegue mais se mexer: humanos cercados de gatos por todos os lados

tomando banho em grupo, todo mundo lambendo todo mundo, com muita saliva, muito som, as orelhinhas ficam encharcadas

no chuveiro vendo aquelas milhares de coisinhas brilhantes(1) se mexerem(2) fazendo barulho(3): três coisas que gato ama

no bidê bebendo água corrente com a língua a mil por hora

em cima da cristaleira paquerando a mesa do almoço, de barriguinha cheia e morrendo de sono, mas Quem sabe tem uma coisinha ali pra mim?

mordendo as perninhas traseiras da gata: o gato, quando quer que ela desocupe o lugar

correndo a mil pela casa, Tom e Jerry ao vivo e a cores, e ai dos vasos

comendo com os olhos os pombos que passeiam displicentemente debaixo do nariz deles pelo lado de fora da rede

caçando passarinhos no oitavo andar, vitória que só um gato muito contemplativo, calmo, concentrado e sortudo como Bigode consegue obter sem despencar lá embaixo

fascinados por baratas: uma delas rende duas horas e meia para três gatos. O jogo é uma espécie de futebol em que a bola está viva. Termina quando acabam as pernas. Da barata.