Diesel matou 38 mil em 2015, diz estudo (por Luciana Vicária/via Observatório do Clima)

Carros em congestionamentos liberam uma grande quantidade de poluentes. Estudo revela a diferença exorbitante entre as emissões reais dos veículos a diesel e as permitidas por lei. Foto: divulgação

Carros em congestionamentos liberam uma grande quantidade de poluentes. Estudo revela a diferença exorbitante entre as emissões reais dos veículos a diesel e as permitidas por lei. Foto: divulgação.

Por Luciana Vicária – 15/5/2017 – via Observatório do Clima.

Cientistas analisaram efeitos de subprodutos tóxicos da queima do combustível sobre mortes precoces em 11 países, inclusive o Brasil, cujo Congresso quer liberá-lo para carros de passeio.

Leia mais:

http://www.observatoriodoclima.eco.br/diesel-matou-38-mil-em-2015-diz-estudo

 

O pensamento do juiz autoritário em 14 pontos (por Rubens Casara/via Justificando)

O pensamento do juiz autoritário em 14 pontos

Por Rubens Casara – 13/5/2017 – via Justificando.

Neste breve texto, prévio à elaboração de pesquisa mais profunda sobre a tradição autoritária dos atores jurídicos, a ser conduzida pelo Núcleo de Pesquisa da Passagens – Escola de Filosofia, buscar-se-á, a partir dos caracteres da personalidade autoritária identificados por Adorno, demonstrar que eventual potencialidade fascista de juízes brasileiros é um risco à democracia no Brasil, em especial porque o Poder Judiciário deveria funcionar como guardião dos direitos e garantias fundamentais, isto é, como limite ao arbítrio em nome da democracia e não como fator antidemocrático.

Leia mais:

http://justificando.cartacapital.com.br/2017/05/13/o-pensamento-juiz-autoritario-em-14-pontos

Cerca de 12 mil mulheres são vítimas de violência por dia no Brasil (por Dayana Vitor/via EBC)

Por Dayana Vitor – 9/5/2017 – via EBC – Rádioagência Nacional.

Ofensas morais, violência física, mão boba no transporte público. A cada hora, 503 mulheres são vítimas de algum desses tipos de violência no Brasil. A maioria das vítimas é negra e parda. Dois a cada três brasileiros já presenciaram essas agressões. Os dados são da pesquisa Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil.

Leia mais:

http://radioagencianacional.ebc.com.br/direitos-humanos/audio/2017-05/cerca-de-12-mil-mulheres-sao-vitimas-de-violencia-por-dia-no-brasil

 

Xadrez dos processos de Moscou e de Curitiba (por Luis Nassif/via Aldeia Nagô)

Por Luis Nassif – 7/5/2017 – via Aldeia Nagô.

O interrogatório de Renato Duque lembra os processos de Moscou de 1938, onde foram condenados bolchevistas históricos como Lev Khamenev, Gregori Zinoviev,  Nikolai Bukharin, Leon Trostsky, Leon Sidov (filho de Trotsky), todos condenados à morte após confissões. Trostsky e seu filho fugiram antes.

Leia mais:

http://www.aldeianago.com.br/artigos/91-dando-o-que-falar/16172-xadrez-dos-processos-de-moscou-e-de-curitiba-por-luis-nassif

É preciso falar mais sobre democracia direta (por Claudia Wallin)

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Por Claudia Wallin – 29/4/2016.

Já teria dito Platão, sem nunca ter ouvido falar em cunhas, “cajus”, geddéis e demais prodígios da república das mesóclises: quem não gosta de política, vai ser governado por aqueles que gostam.

O que fazer diante do bestial roteiro de descalabros encenado pela proto-democracia brasileira?

Leia mais:

http://www.claudiawallin.com.br/2017/04/21/teste

Deixar pra lá não resolve

Violência Contra As Mulheres, Não Desviar O Olhar

Por Celso Vicenzi – 24/4/2017 – Imagem: Pixabay/Creative Commons CCO.

Tem sido comum nas redes sociais, críticas “amigáveis”, no campo da esquerda, a quem se ocupa em denunciar atitudes e discursos que disseminam o ódio, sempre que partam de pessoas que, dizem esses internautas, “a melhor tática é deixar quieto, não debater”. Gostaria muito de acreditar que agir assim, diminuiria a força de quem usa os espaços públicos para propagar ideias de violência e exclusão contra outros seres humanos.

Por essa lógica, a pregação machista, fascista, homofóbica, misógina, preconceituosa, discriminatória e violenta de uma pessoa como Bolsonaro, por exemplo, não merece que nos ocupemos em debater e criticar. “É isso o que ele quer”, dizem. “Deixa ele pra lá, é a melhor atitude”. O mesmo aconteceu, recentemente, com um abuso ao vivo, pela maior emissora de TV, num programa de grande audiência. Neste segundo caso, evidentemente, ninguém propugna que se assista ao programa, mas ao tomar conhecimento de que algo de grave aconteceu, é necessário refletir sobre o alcance do que se torna público, queiramos ou não. Cidadãos e cidadãs recebem entretenimento da pior qualidade e noticiário idem. E vamos fazer de conta que se deixarmos quieto tudo se revolve?  Ou que não terá a força e o impacto que têm na mente de milhões de pessoas a quem não se oferecem outros argumentos para uma reflexão menos distorcida?

Se esta é a atitude mais correta para enfrentar essas e tantas outras aberrações cotidianas, não seria o caso de perguntar (a lógica, assim como as delações, não podem ser seletivas), por que denunciar, então, o machismo? Deixa pra lá, quanto menos falarmos, menos “Ibope” e, consequentemente, o machismo e os machistas perderão força e desaparecerão, num passe de mágica. Por que falar sobre assédio moral e sexual? Isto só vai estimular os assediadores, não é essa a lógica desse discurso? E os fascistas, vamos deixá-los pregar o ódio com argumentos falhos e equivocados, mas que podem conter uma lógica convincente para tantas pessoas sem acesso a outras fontes de informação? (Bandido bom é bandido morto; bolsa família é pra vagabundo; mulher que quer se dar ao respeito precisa saber como se vestir; quem quer trabalhar sempre arruma emprego;  e por aí vai…) .

Mesmo que sejam pessoas que se comportem de maneira desprezível, na política, nos meios de comunicação, onde quer que a vida exista e seres humanos e do reino animal (por que não?) estejam sendo violentados, há que meter a colher, sim. Há que debater, argumentar, tentar compreender o que leva tantas pessoas a se identificarem com seus próprios algozes, numa espécie de síndrome de Estocolmo coletiva.

Afinal, como São Paulo elege Doria? Como Bolsonaro, inicialmente ridicularizado em suas diatribes que pareciam apenas gestos tresloucados, recebe tantos votos e se apresenta como uma ameaça para o futuro da nação? (o cacófato é perfeito!). Por que no país milhões de pessoas aceitam passivamente um governo ilegítimo e que prega o fim dos diretos sociais e trabalhistas e se horrorizam com a simples menção à Dilma, Lula e o PT? A explicação mais simples aponta para a influência dos veículos de comunicação – e me parece correta –, mas não pode ser apenas isso.

Há nesse discurso algo mais profundo, que nos liga à história de séculos de violência contra índios, negros, gays, pobres, movimentos sociais e sindicais  e todos aqueles que se insurgem contra os privilégios de uma casta que transformou o Brasil num dos países mais desiguais do planeta. Há uma naturalização subjacente nas atitudes do garoto “moderninho” que legitima toda essa desigualdade, que o põe em contato com o passado de escravidão que não desapareceu e continua vivíssimo na alma ,na mente e nas ações de boa parte do povo brasileiro. Os mais ricos e setores da classe média continuam a achar perfeitamente normal ter muitas pessoas a servi-los, a limpar suas casas, a fazer serviços às vezes desumanos, a tratar empregados como pessoas de segunda classe. Há um discurso de meritocracia a tentar legitimar a injustiça e a desigualdade social, como se não fossem resultado de privilégios concedidos e construídos ao longo da história.

Precisamos revirar a história, buscar na sociologia, na antropologia, na filosofia, na ciência política, na psicologia e na psicanálise, em outras formas de conhecimento possíveis, as motivações mais profundas, mesmo as mais irracionais, para tantos fenômenos políticos, econômicos e sociais que impelem milhões de pessoas a um determinado comportamento de ódio e de exclusão – até mesmo contra seus próprios interesses. E, identificadas algumas premissas que nos parecem mais verdadeiras, agir para desativar a bomba-relógio que pode explodir em mais ódio e violência contra aqueles que historicamente vivem à margem da cidadania. O sistema é expert em patrocinar o ódio contra as classes sociais mais pobres, vistas como a fonte de todas as mazelas produzidas, em grande parte, pelo seleto grupo de privilegiados que sempre comandou e volta a comandar a política federal no país.

O negro já foi a explicação para o atraso brasileiro, na Europa os judeus foram acusados de ganância, os imigrantes são o bode expiatória da vez, em todo o mundo, para encobrir o principal: um sistema político e econômico que explora a maioria dos seres humanos, destrói o planeta, promove guerras e violências para garantir a dominação de um grupo muito pequeno de privilegiados.

E fenômenos sociais são icebergs. Deixam entrever, em breves momentos, atos que parecem isolados e despretensiosos, mas que são a ponta de algo maior, que pode causar enorme dano e sofrimento às pessoas.

Por isso, salvo engano, não dá pra “deixar pra lá”. Parece-me mais sensato e prudente  debater, com o máximo de alcance possível, as possíveis explicações para a “banalização do mal”, para que o maior número de pessoas compreenda os riscos que essas “falas” provocam se assimiladas sem qualquer discordância. Obviamente que há situações que não compensam o desgaste de tentar estabelecer um diálogo com quem não quer ouvir contra-argumentos. Por exemplo, nas redes sociais ou em situações sociais do cotidiano. O que se comenta , aqui, é que não dá para esperar o ovo da serpente ser chocado para só depois denunciar e reagir.  É preciso contrapor, desconstruir os discursos do ódio e da insensatez, com inteligência, paciência e racionalidade, sem abdicar do afeto e da emoção, que fala primeiro ao coração das pessoas.

Mulheres de Cinzas, de Mia Couto

Mia Couto, no livro Mulheres de Cinzas, primeiro romance da trilogia As Areias do Imperador:

“A diferença entre a Guerra e a Paz é a seguinte: na Guerra os pobres são os primeiros a serem mortos; na Paz, os pobres são os primeiros a morrer.
Para nós, mulheres, há ainda uma outra diferença: na Guerra, passamos a ser violadas por quem não conhecemos.”

Sequestraram o país e mataram a democracia

Por Celso Vicenzi – 13/4/2017.

Tem gente que acredita nesse “combate à corrupção” e não enxerga que esse seleto show jurídico-midiático é uma cortina de fumaça para entregar o país aos EUA & amigos e à sanha dos herdeiros das Capitanias Hereditárias, que sempre mandaram por aqui. É certo que uns poucos perderão alguns anéis, mas manterão seus ágeis dedos que sempre roubaram o futuro do povo brasileiro sem serem incomodados. E, no geral, para os capitães do golpe, terá valido a pena porque enriquecerão ainda mais com a venda do patrimônio nacional e das garantias sociais do povo brasileiro. 

Novos tempos, novos assaltos. Velhos coronéis dando lugar a novos ladrões com discursos moralistas. Como se a densa corrupção brasileira que sempre serviu aos donos do poder pudesse ser extirpada por um moralismo igrejeiro e jurisdiquês de Moros, Dallagnols, STF, MP, PF, mídia e tantos outros que sempre foram justamente os beneficiários de todos os privilégios da desigualdade social que mantém a maioria do povo brasileiro na miséria enquanto alguns poucos nadam em regalias.

Como se toda essa trama de interesses que resultou num golpe de Estado, já não fosse uma seleta manipulação corrupta de interesses de corporações que querem manter o povo cada vez mais afastado das decisões políticas.

Sequestraram o país, mataram a democracia e muitos vão encher o bolso de dinheiro em nome do combate à corrupção. Como disse Ladislau Dowbor, o que se rouba ilegalmente não é nada comparado com o que se rouba legalmente.