O perigo de subestimar a história

“A liberdade guiando o povo”, de Eugène Delacroix (1830), Museu do Louvre, Paris.

Por Celso Vicenzi – 9/8/2017.

O povo escreve a história com as suas próprias pernas. As lideranças, quando surgem, são apenas a expressão visível da vontade popular. O tempo em que mudanças profundas ocorrem não é, necessariamente, o tempo que nos é dado viver. Retrocessos e avanços estão continuamente sendo produzidos em cada pedaço de chão do planeta. E antes de termos nascido e depois que viermos a morrer, fatos memoráveis aconteceram e acontecerão em muitas e imprevisíveis direções.

Sei pouco, mas o pouco que sei basta para compreender que quando as pessoas que comandam as instituições de um país e que deveriam garantir a estabilidade social, econômica e política, se dedicam a usá-las unicamente em benefício próprio e de grupos, para subjugar ainda mais quem pouco tem, estão assinando a sua própria sentença, pondo a própria cabeça a prêmio. Com sorte, morrerão antes. Mas pode ser que ainda em vida compartilhem situações ocorridas em países muito próximos e outros mais distantes, onde poderosos acabaram presos e até mesmo condenados à prisão perpétua (como aconteceu na América Latina), sem falar naqueles que levaram ex-dirigentes à pena de morte. Não estou dizendo que isso acontecerá no Brasil (que não tem pena de morte, a não ser para pretos e pobres, executados neste país todos os dias). Faço apenas o registro que já aconteceu, em vários países. Mas é próprio de quem tem o poder, achar que nunca corre riscos.

No entanto, quanto mais poderoso alguém se sente, a ponto de fazer escárnio da maioria da população, como agora assistimos cotidianamente com parlamentares, juízes, procuradores, empresários e tantos outros que tripudiam sobre a desgraça de quem quase nada ou pouco tem, mais encorajam a revolta de quem tem sede de justiça. E desta vez, porque queimaram as pontes e destruíram os pactos, a alternativa de reconstrução pode não ser pela via da conciliação, como outrora aconteceu, em tantos momentos da história do país, desde a Independência, anunciada por um nobre português (ora pois!), passando pela Proclamação da República, redemocratização, anistia a torturadores e tantos outros episódios em que o povo, ou não participou ou não foi ouvido.

Mas, embora encobertas pela história oficial, não faltam revoltas e movimentos de insurreição, como as guerras de Canudos, do Contestado, a Sabinada, a Balaiada, a Revolta da Chibata, Insurreição Pernambucana, Revolução Farroupilha e segue uma lista que não é pequena.

Apesar de todas essas e outras insurgências que desafiaram os poderes estabelecidos, é fato que temos uma história marcada por (falsos) consensos, geralmente à revelia do povo, negociada pelos donos do “andar de cima”. Entre a paz e a convulsão social, difícil prever desdobramentos.  Cada povo constrói a sua história. Mas nada garante que essa “paz” – tantas vezes sangrenta – seja eternamente duradoura. Melhor não abusar.

Por isso, quem hoje ri, pode chorar. Quem é herói, pode virar vilão. A história caminha por vias tortas e instáveis. Quem pensa que pisa chão firme, esquece que o fundo da terra é feito de lava incandescente, sempre prestes a explodir. Em pouco tempo, sociedades podem dar vazão a forças incontroláveis. Às vezes, cortando cabeças de reis e rainhas, nobres e plebeus, aqui e acolá. Ou levando países a guerras civis e outras experiências traumáticas, com manifestações de ódio. Onde havia paz e serenidade, pode sobrevir hostilidade e pânico. Do céu ao inferno, é mais perto do que muitos imaginam.

Abrir os livros de História é mergulhar, não raro, em períodos de grandes horrores. Já seria o suficiente para ninguém abusar da paciência de quem é continuamente violentado em seus direitos. Muito menos subestimar o destemor e a coragem, como já nos ensinou há 2.500 o general Sun Tzu (A Arte da Guerra) do inimigo a quem não é oferecida uma saída, porque nessa situação, “ele lutará até a morte” com uma bravura e uma potência que talvez nem soubesse de que é capaz.

E os donos do golpe simplesmente não oferecem nenhuma saída à  população que não seja a de abrir mão de direitos, caminhar rumo à miséria e viver oprimida. Num país rico e desigual, os golpistas empurram o povo para um lugar onde a resposta mais justa e previsível é o uso da violência contra quem o violenta. Apostar continuamente na apatia de quem assiste, com fome de justiça, ao banquete dos poderosos, é uma aposta arriscada demais para um país que dispõe de tantos recursos para distribuir melhor a renda e evitar o caos.

A ideologia racista como mito fundante da sociedade brasileira (por Juliana Borges/via blog da Boitempo)

Manifestante em vigília pela liberdade de Rafael Braga Vieira realizada na Avenida Paulista em São Paulo, abril de 2017. Hoje, dia 8 de agosto de 2017, seu habeas corpus foi negado e ele continua encarcerado. Foto: Jorge Ferreira / Mídia Ninja.

Por Juliana Borges – 8/8/2017 – via blog da Boitempo.

A “fundação” de nosso país acontece tendo a escravidão baseada na hierarquização racial como pilar. O racismo é uma das ideologias fundadoras da sociedade brasileira, assim como a violência. Um exemplo objetivo sobre isso é que diversos manuais e livros de história apontam que, no início da invasão portuguesa, estimava-se uma população de indígenas em torno de 2 milhões de pessoas nestas terras. Em 1819, a estimativa cai para cerca de 800.000 indígenas. O tráfico de africanos sequestrados teve início em 1549. Estima-se que, até a proibição do tráfico transatlântico, cerca de 5 milhões de africanos foram sequestrados e escravizados no Brasil. Algo tão fundamental no processo de formação do país, não some em um estalar de olhos pela simples destituição da monarquia, estabelecimento do republicanismo e por pretensões modernizantes.

Leia mais:

https://blogdaboitempo.com.br/2017/08/08/a-ideologia-racista-como-mito-fundante-da-sociedade-brasileira

O sentimento de exílio e a metástase que se espalha pelo Brasil (por Marco Aurélio Weissheimer/via rsurgente)

La vuelta del exilio, de Rafael Arozarena. (Reprodução).

Por Marco Aurélio Weissheimer 3/8/2017 – via rsurgente.

No início deste ano, em um debate realizado no Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, Flavio Koutzii falou do retorno de alguns sentimentos incômodos vivenciados no período pós-golpe de 64 no Brasil: o sentimento de sentir-se exilado dentro do próprio país e o de um profundo estranhamento em relação ao que nos cerca. A palavra “cerca” aqui tem um duplo sentido: o que nos rodeia e o que nos prende a um pequeno espaço, como se fosse a ante-sala de um matadouro.

Leia mais:

https://rsurgente.wordpress.com/2017/08/03/o-sentimento-de-exilio-e-a-metastase-que-se-espalha-pelo-brasil

Algo mais forte terá que nascer

Por Celso Vicenzi – 3/8/2017.

No diálogo com um amigo, sobre o momento atual:
 
Acho que 2018 já morreu, antes de nascer. Seja porque pode não haver eleições, com mais um golpe dentro do golpe (parlamentarismo), seja porque nas condições atuais do golpe (“com o Supremo, com tudo”, como disse Jucá), não haverá governo capaz de reverter o que foi destruído. Desse jogo de conchavos de partidos e instituições não sairemos sem um levante popular.

Palavras de origem africana no vocabulário brasileiro

Por Raiz do Samba – 17/7/2015.

Afora o Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné-Equatorial, que adotou o idioma como oficial recentemente. Timor-Leste é o único a ter o Português como língua oficial na Ásia. Nossos irmãos africanos fazem parte do PALOP, acrônimo que significa justamente Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Tudo obra de Portugal, responsável por essa bagunça chamada lusofonia (o conjunto dos países que possuem Português como língua oficial) que acabou dando seu jeito de seguir caminho. Mas, diferente do Brasil, onde línguas nativas ficaram restritas a suas tribos indígenas, nos países euro-colonizados da África, ainda se falam línguas nativas (nagô, ioruba, quicongo, umbundo e quimbundo).

Leia mais:

https://raizdosambaemfoco.wordpress.com/2015/07/17/palavras-de-origem-africana-no-vocabulario-brasileiro

Negras latino-americanas são mais sujeitas a violência doméstica (por Jéssica Lima/via Catraca Livre)

Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil.

Por Jéssica Lima – 20/7/2017 – via Catraca Livre.

Brasil é o país com maior incidência de feminicídios na América Latina, seguido de México, Honduras e Argentina.

Leia mais:

https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/negras-latino-americanas-sao-mais-sujeitas-violencia-domestica

Assista a 6 documentários que trilham a história de grandes educadores brasileiros

Composição de fotos de 6 grandes nomes da Educação Brasileira

Filmes retratam grandes pensadores da área e como suas ideias influenciam a educação no século XXI.

Por Fundação Telefônica – julho/2017.

Para refletir sobre o sistema educacional brasileiro e pensar nos passos futuros da educação no século XXI, é preciso olhar no retrovisor e analisar o que pensaram os grandes mestres. Para Paulo Freire (1921-1997), patrono da educação brasileira, os homens se educam sozinhos; se educam em comunhão. O sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995) costumava dizer que um povo educado não aceitaria as condições de miséria e desemprego como as que temos. E a poetisa Cecília Meireles (1901-1964), mais conhecida por sua literatura, foi também educadora, responsável por assinar o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932.

Reunimos seis documentários que traçam a história destes grandes pensadores que ajudaram a traçar o caminho pelo qual andamos hoje, em busca, sempre, da construção de um país mais justo, cumpridor de um direito fundamental: o da educação. Confira!

Leia mais:

http://fundacaotelefonica.org.br/noticias/assista-a-6-documentarios-que-trilham-a-historia-de-grandes-educadores-brasileiros