“Podemos ter democracia desde que não se aplique aos interesses da população”: o economista Ladislau Dowbor fala ao DCM

Por Celso Vicenzi – 2/2/2012 – Via DCM.

Em seu mais recente livro, “A era do capital improdutivo – a nova arquitetura do poder” (editoras Outras Palavras e Autonomia Literária), o economista Ladislau Dowbor, professor titular de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, analisa três grandes temas da atualidade: a riqueza do mundo que é capturada pelos bancos e seus intermediários financeiros; o sequestro da democracia pelo capital improdutivo, e a ameaça da destruição do planeta. Consultor de agências das Nações Unidas, governos e municípios, além de várias organizações do sistema “S”, Ladislau é autor e co-autor de cerca de 40 livros. Toda a sua produção intelectual está disponível online na página dowbor.org.

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Os amigos do golpe não têm amigos

Por Celso Vicenzi – 20/12/2017.

Notícia sem contexto é desinformação ou informação pela metade. O Bom Dia Brasil, da Globo, hoje, informou que o deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) foi condenado por unanimidade, no Tribunal Regional Eleitoral do Pará por abuso de poder econômico e gastos ilícitos nas eleições de 2014. E ilustra a notícia com cenas dele votando pelo impeachment da Dilma. Mas, detalhe: em nenhum momento da reportagem menciona isso. Muito menos que ele havia tatuado a palavra “Temer” no ombro direito. Ou seja, quando esse pessoal é pego de calça curta, nunca tem amigos.

Brasil, modus operandi

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Por Celso Vicenzi – 11/12/2017. Ilustração: Jean-Baptiste Debret (1768-1848)

O “modus operandi” do Brasil sem lei (lei só para enquadrar adversários do regime) já está decidido. A Polícia Federal monta um aparato de guerra gigantesco para prender e conduzir coercitivamente quem nunca se recusou a prestar depoimento sobre o que quer que seja. Faz a operação com base em meras suspeitas, pulando etapas do que deveria ser um processo formal na justiça, com direito à defesa antes de ser exposto à execração pública. O Judiciário faz de conta que não vê a exceção e o arbítrio contra o Estado Democrático de Direito. O Ministério Público, politizado e fascinado com os holofotes e a fogueira das vaidades, elenca um festival de “diz-que-diz” de pessoas nem sempre idôneas, chancela e assina embaixo, seletivamente, é claro, pois contra tucanos e outras aves de bico ou porte grande, não é besta de abrir o bico.

A mídia faz a cobertura sem nenhuma crítica a esses exageros e cria um clima de que o Brasil está sendo “passado a limpo”. Uma população é anestesiada por essa avalanche de acontecimentos e a tudo assiste passiva, sem entender que já está sendo traçado o pior dos destinos para o seu futuro – o futuro dos pobres e da classe trabalhadora do país. E tem ainda a classe média, aquela que bateu panelas e dançou com patos amarelos, que vai perdendo as calças, os anéis e os dedos, mas continua a fazer cara de “gente fina”, tentando ostentar o que não tem, uns poucos degraus acima da pobreza e a quilômetros de distância dos ricos em que se espelham com a ilusão de que um dia também farão parte da elite que a oprime.

Quando não for mais possível conter a revolta popular (fome, carestia, desemprego, humilhação, salários aviltantes, jornadas exaustivas, depressão, escravidão, corrupção etc), os golpistas vão pedir o apoio das Forças Armadas para “restabelecer a ordem”.

A ordem, no caso, é aquela que saqueou o país, entregou nossas riquezas, destruiu com a inteligência, botou a nação de joelhos diante dos interesses imperialistas e privilegiou corruptos e seus parceiros em um golpe contra a soberania e o futuro de um Brasil eternamente Colônia.

Nossos “patriotas” são muito ferozes para combater e atacar aqueles que lutam por um Brasil para todos, mais justo e fraterno, orgulhoso de sua cultura, dono do seu destino no cenário internacional, mas são extremamente dóceis para com os donos do capital e seu universo de privilégios, cujo dinheiro nunca teve pátria. Sempre dispostos, aliás, a vender o país, falar mal dos brasileiros, e se mudar para Miami, Paris ou qualquer outro lugar longe daqui, onde possam gastar fortunas made in Brazil.

Brasileiros contra o Brasil

Por Celso Vicenzi – 7/12/2017.

Uma boa parcela do Judiciário, do MP, da PF, da mídia, empresariado e outros setores que deram o golpe e o tutelam, nem parece que são brasileiros. Agem contra os interesses nacionais. Afinal, o que pretendem com a destruição do país, seus ativos de inteligência, sua soberania?

“O poder sem controle é a pior das maldições”: a aula pública sobre a tragédia do reitor da UFSC (por Celso Vicenzi/via DCM)

Aula Pública na Ufsc: Resistência ao abuso de poder e ao fascismo. Foto: Celso Vicenzi.

Por Celso Vicenzi – 29/11/2017 – via DCM.

Contra todos os abusos que se cometem no Brasil, sobretudo a partir da Lava Jato e do golpe contra a presidenta Dilma Roussef, oradores se revezaram na aula pública na UFSC, em defesa dos fundamentos do Estado Democrático de Direito e da Autonomia Universitária, e também pela apuração dos fatos e responsabilização dos agentes envolvidos na crise que vitimou a Ufsc e o ex-reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo.

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O jornalismo fake da Globo

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Foto: www12.senado.gov.br

Padrão Globo de Jornalismo é isso! Matéria longa no Globo Rural, hoje, sobre a transposição do rio São Francisco, com todas as coisas boas e outras nem tanto, mas com saldo muito positivo – não puderam omitir. Chegam a citar que desde Dom Pedro II havia a promessa da transposição, mas não dizem o nome de quem cumpriu a tarefa. Jornalismo fake é também assim: apaga da história personagem que a Globo só se interessa em expor no papel de vilão.

Com mostra do MBL, a UFSC do reitor Cancellier vira cobaia de modelo de agitação de direita (por Celso Vicenzi/via DCM)

Os kataguiris na UFSC.

Por Celso Vicenzi – 9/11/2017 – via DCM.

O suicídio do reitor pode não ter sido um ato isolado, pois os ataques à universidade prosseguem. E as motivações, aparentemente, são maiores do que aquelas a que as notícias se referem, afinal, em todo o país, as instituições públicas estão sendo sucateadas, denunciadas e vendidas ao setor privado. Quem acompanha o meticuloso xadrez do golpe sabe que nenhum lance é ingênuo e boa parte da mídia tem exercido o papel de esconder e supervalorizar fatos, e também legitimar atos induzidos como se produzidos espontaneamente.

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Aragão: “Toda vez que se deposita alguma esperança no STF, a gente só pode rir no cantinho da boca”

Por Celso Vicenzi – 31/10/2017.

O ex-ministro da Justiça no governo Dilma e ex-procurador do Ministério Público Federal, Eugênio Aragão, proferiu palestra no Seminário estadual sobre “A conjuntura nacional, a reforma política e os possíveis conflitos de jurisprudência”, promovido pela CUT/SC no dia 26 de outubro, na Federação dos Comerciários de Santa Catarina (Fecesc), em Florianópolis.

Uma aula sobre quem são e como atuam os agentes e os órgãos do Ministério Público e do Judiciário, e sobre as ilusões dos governos populares de Lula e Dilma, que esqueceram a luta de classes.

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Comentários sobre jornalismo e produção de conteúdo

Máquina De Escrever, Teclado, Tipo

Por Celso Vicenzi – 25/10/2016. Imagem: Pixabay.com

Comentário publicado no FB:

Tem gente que não sabe reconhecer um comentário irônico ou fazer interpretação de texto. O comentário – ok, vou explicar! – tentando ser irônico e bem-humorado (falha minha!) é sobre a substituição cada vez mais explícita da reportagem jornalística por uma coisa que a mídia resolveu chamar de “produção de conteúdo” e que costuma deixar muito a desejar pra quem já leu, viu e ouviu um bocado de coisa boa na vida. Há exceções? Aplausos!

Mas os donos da mídia sabem muito bem por que trocaram bons jornalistas – cada vez mais raros nas redações – por profissionais que fazem o que é vagamente definido como “produção de conteúdo”, com pautas que se perdem em superficialidades, que não dão conta de interrogar e buscar respostas à complexidade dos fenômenos políticos, sociais, econômicos, comportamentais etc e que, não bastasse tudo isso, ainda são mal escritas ou mal elaboradas em reportagens de rádio e televisão. É o que se vê na maioria dos casos nos principais veículos de comunicação, que vão afundando numa crise e perdendo qualidade e credibilidade – pior ainda se você caro leitor, cara leitora, não conseguiu perceber o que está acontecendo.

Não vou nem entrar na discussão ética e da dominação, cada vez maior, do comercial em relação ao editorial, e do quanto se perdeu em diversidade e fontes capazes de se contrapor ao chamado “pensamento único” que, de modo geral, com raros momentos de exceção, tomou conta dos espaços de produção de “conteúdo jornalístico” – diferente de “produção de conteúdo”.

É só uma constatação da melancólica e indigna situação a que chegou uma imprensa que vendeu a alma ao diabo e perdeu a dimensão do seu papel na sociedade. Não sou ingênuo a ponto de não compreender o que a imprensa representou, em todas as épocas, para os donos do capital e para a luta ideológica, mas chegamos a uma era em que o cinismo se impôs com tanta força que é quase impossível sustentar o mínimo de credibilidade àquilo que se lê, se ouve e se vê.

Menos mal que surgem, cada vez mais, boas experiências na mídia digital, pautadas justamente pelas ferramentas do velho e bom jornalismo. Narrativas, em qualquer plataforma, que tenham clareza, densidade, exatidão, precisão, coerência, ritmo e objetividade, entre outras virtudes.

Saudades do velho e bom repórter…

Por Celso Vicenzi – 24/10/2017.

Confesso que sou um jornalista desatualizado com tantas novidades na área. Estava tentando, até agora, deglutir o “produtor ou produtora de conteúdo” quando eis que deparo com mais uma nova função. Agora já temos, também, o “infuenciador ou influenciadora digital”.
 
Será que alguém, um dia, sentirá falta de um repórter, de um jornalista?
 
Cartas à redação.