Os amigos do golpe não têm amigos

Por Celso Vicenzi – 20/12/2017.

Notícia sem contexto é desinformação ou informação pela metade. O Bom Dia Brasil, da Globo, hoje, informou que o deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) foi condenado por unanimidade, no Tribunal Regional Eleitoral do Pará por abuso de poder econômico e gastos ilícitos nas eleições de 2014. E ilustra a notícia com cenas dele votando pelo impeachment da Dilma. Mas, detalhe: em nenhum momento da reportagem menciona isso. Muito menos que ele havia tatuado a palavra “Temer” no ombro direito. Ou seja, quando esse pessoal é pego de calça curta, nunca tem amigos.

Ligue os pontos

Por Celso Vicenzi – 17/1/2017.

Em todas as manobras milimetricamente coordenadas e que envolveram vários setores de poder e que resultaram no golpe da presidenta eleita, somado agora com essa estranha morte de um ministro que faria a relatoria da maior delação (Odebrecht), que iria pegar muita gente do PMDB e do PSDB (os principais beneficiados pelo golpe), dá pra fazer, só por brincadeirinha, como fazíamos na infância, com aqueles números para ligar os pontos. Ligue os pontos que a figura que está por trás aparece, com muita clareza. Claro, tudo isso se essa morte não for obra do acaso. Mas o Brasil, convenhamos, não é para amadores e quem cruza o caminho dos poderosos, corre muitos riscos.

Ô, meu amigo! Anda sumidão, hem?

Por Robinson Mietto, no Facebook – 13/1/2017.

Ô, meu amigo! Anda sumidão, hem? Ano passado você estava tão ativo na vida política. Acabou o gás? Durou pouco, hem? Aconteceu o impeachment da presidente que era do PT tá bom, né? Agora tá tudo certo, o país tá nos trilhos, hoje mesmo caiu a taxa da selic, as bolsas estão em alta, tá bom, né? As instituições estão funcionando perfeitamente, os três Poderes estão muito be… Uai, não? Não estão? Eita, e você fica aí se fingindo de morto??? Cadê aqueles tantos mêmes que você postava? Era uma gana de dar inveja. Mas acabou, né? Aquela conversinha de não sou a favor nem contra ninguém, sou a favor do Brasil era só para disfarçar a sua vontade, não é não? A gente sabe. A gente sabia. Mas você acreditava que a gente acreditava. Ô dó. Fica com vergonha não, pode até continuar postando outras coisas, como você tem feito, sobre culinária, viagens, literatura, eu sei, você não tem mais paciência para discutir política, não é? Afinal, as pessoas não entendem nada de nada, é um bando de idiota alienado. Você não, você tem, além de estirpe, conhecimento, educação, estudou, oras bolas! Dá uma preguiça fazer as pessoas entenderem algumas coisas, eu sei. Continua aí quietinho, deixa esse bode passar. Sabemos que você não está morto — e a culinária?!, e os roteiros de viagem?! –, talvez apenas esteja dando um tempo, deixando o hóme trabalhar, como se diz por aí. Se a gente atrapalha muito, as coisas não saem. Eu sei. Tá tudo nos trilhos, tá tudo indo bem. O que não foi consertado ainda é por culpa do estrago que deixaram, eu sei. A gente sabe. A gente consegue relativizar a indignação, não é mesmo? Aliás, se a gente consegue relativizar a ética, que permeia pessoas, como não relativizar a indignação, essa coisa tão pessoal? Não é mesmo?

Trump e Bolsonaro, sempre pode piorar

Por Celso Vicenzi – 9/11/2016.

Não quero apavorar ninguém, mas a vitória de Donald Trump, com um discurso abertamente reacionário, militarista, machista, xenófobo, racista, imperialista etc etc prova que é preciso levar muito a sério uma provável candidatura de Jair Bolsonaro à presidência do Brasil. O “fenômeno” Trump demonstra que a plateia para esse tipo de candidato é maior do que se imagina. Ainda mais no Brasil, que acaba de promover mais um golpe contra a democracia.