Sobre condenados e esquecidos

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Sócrates, maior que seus acusadores que o condenaram à morte.

Por Celso Vicenzi – 13/7/2017.

Veja se você consegue lembrar: Quem condenou Tiradentes à forca? Quem condenou Sócrates a beber a taça de cicuta? Quem executou Che Guevara?

O juiz vaidoso que não esconde suas frustrações pessoais nos mínimos gestos e comportamentos, é mais um condenado a desaparecer na história enquanto a figura de Luis Inácio Lula da Silva irá permanecer para sempre nos livros de história, de ciência política, de sociologia, em biografias, em poesias, na literatura de cordel, em peças de teatro e tantas outras formas de imortalidade. Verdade ou mito, não importa, Lula será símbolo. De um Brasil que ousou retirar milhões da miséria e sonhar com mais igualdade, alçar voo entre os maiores do mundo, antes de ser abatido por mais um golpe.

É assim com os grandes personagens da história da humanidade. Já aos seus algozes, que cumpriram papéis ordinários, coube o esquecimento. Ou, talvez, para que não esqueçamos jamais, figurem como exemplos de injustiça e ignomínia.

Moro agiu em fina sintonia com os mais potentes veículos de comunicação do país, sob o manto da cumplicidade de seus superiores, para torturar um cidadão e sua família diuturnamente com injúrias, calúnias e difamações.

À história caberá demonstrar, com mais clareza, o que significou a Operação Lava Jato para consumar o golpe no Brasil. Da mesma forma que, passadas algumas décadas, hoje sabemos muito sobre os bastidores do golpe de 64. Para quem gosta tanto de “indícios”, são fartos aqueles que nos levam a suspeitar de um golpe jurídico-midiático-parlamentar-policial-empresarial contra a presidenta Dilma. Com know-how (tudo indica) de quem fala muito bem essa língua.

O golpe, que ainda prossegue, destituiu uma presidenta sem crime para promover um assalto ao poder que consuma o maior retrocesso aos direitos trabalhistas da história nacional e que deve completar-se com outros ataques: aos direitos humanos, à soberania do país, à educação, às mulheres, aos negros, à população LGBT, aos movimentos sociais e à população mais pobre.

Que Moro não se engane. A história é pródiga em transformar heróis em vilões e vice-versa. O golpe avança para entronizar duas das forças mais nefastas que tomaram conta do país: a de pastores políticos de igrejas que, se não fosse o álibi da religião poderiam ser enquadrados como estelionatários, e a do fascismo liderado por Bolsonaro, capaz de capitalizar o ódio de milhões de brasileiros que foram às ruas e às janelas bater panelas contra Dilma, Lula e  o PT pelo que representavam como projeto de país, porque a corrupção nunca os incomodou, como agora, aumentada e escancarada, não provoca nenhuma reação.

Que Moro não se iluda com o brilho fugaz das telas de TV e com a sua aparente fama, porque será lembrado como infame. Ao condenar Lula a nove anos e meio de prisão, numa alusão aos nove dedos do ex-presidente, Moro prova que é um juiz perverso. E medíocre. Produziu uma sentença que será objeto de estudo e escárnio, um case do que a justiça não pode ser. A condenação de Lula é mero pretexto, porque a sentença é contra um projeto de nação, que aos poucos vai sendo subjugada em sua soberania, entregue às forças do mercado, ávidas por lucros obscenos no país que já é um dos 10 piores em distribuição de renda.

Há muitos casos na história de acusações e condenações espúrias, como as de Nicolas Sacco e Bartolomeo Vanzetti, nos Estados Unidos, a do capitão Alfred Dreyfus, na França, ou a de Nelson Mandela, na África do Sul. Condenações que sempre serviram a propósitos políticos.

Luis Inácio Lula da Silva, que já colocou o seu nome na história por promover a maior ascensão social da população mais miserável do país, que liderou – com todos os problemas – um projeto de inserção do Brasil entre as maiores nações do planeta, terá seu nome ainda mais cultuado diante da injusta perseguição que sofre. A tortura a que é submetido, por acusações não comprovadas que contra ele e seus familiares foram engendradas em dezenas de capas de revistas e jornais, e incontáveis minutos em emissoras de rádio e TV, certamente o alçarão à condição também de perseguido político. De uma nova forma de perseguição política, mais sofisticada, nem por isso menos cruel.

Moro condenou Lula, mas condenou-se também. Lula permanecerá uma lenda viva na história do Brasil. Tanto maior quanto mostrarem-se infundadas, no futuro, as acusações e as manobras que certamente vão impedi-lo de ser candidato e derrotar o golpe pela via democrática, se eleições houver em 2018.

Moro, o juiz que se comporta muito mais como um acusador seletivo, que é moroso com corruptos golpistas e sem morosidade com quem apoiou Lula, Dilma e o PT, condenou-se a ser, muito em breve, um nome a ser esquecido no pé de página da história, um mero instrumento de forças maiores que consumaram o golpe. Alguém, no máximo, a ser lembrado de forma pouco digna como exemplo do que a justiça não pode ser, caso queira ter esse nome.

Por que a indignação contra a corrupção no Brasil é seletiva? (por Salah H. Khaled Jr./via Justificando)

Por que a indignação contra a corrupção no Brasil é seletiva?

Presidente Michel Temer, envolvido em uma série de escândalos de corrupção. Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP.

Por Salah H. Khaled Jr. – 20/6/2017 via Justificando.

A indignação seletiva contra a corrupção é um fenômeno a ser estudado. O vapor levantado contra Dilma produziu níveis elevados de ultraje moral, enquanto os indícios contra Aécio e Temer não parecem produzir mais do que leves aborrecimentos, como se fossem práticas rotineiras e aceitáveis da vida política.

Leia mais:

http://justificando.cartacapital.com.br/2017/06/20/por-que-indignacao-contra-corrupcao-no-brasil-e-seletiva

O Brasil em 2030

Imagem: Hiperfoto do francês Jean François Rauzier/Divulgação – via Correio Braziliense. 

Por Celso Vicenzi – 15/6/2017.

Estamos no ano de 2030, não se assuste, caro leitor, prezada leitora, pois o tempo corre e muita coisa aconteceu no Brasil depois daquele decisivo ano de 2016 – lá se vão já 24 anos. Tudo começou a mudar um pouco antes, por causa – imagine só! – de 20 centavos, lembram? Vieram aquelas manifestações gigantescas, em 2013, que ninguém sabia muito bem quem eram os alvos dos protestos, mas aos poucos, por inércia e ingenuidade do governo Dilma e ações orquestradas da mídia, foram sendo direcionados para o Palácio do Planalto. E veio o golpe, a Lava Jato, a Odebrecht, o Michel Temer, o STF, o TSE, o Joesley, o Gilmar Mendes e tantos fatos e personagens, numa avalanche como nunca houvera antes na história desse país. Muitos que pareciam ter sido soterrados, sobreviveram.

Para quem ainda não chegou a 2030, vou contar como as coisas estão no momento.

Eduardo Cunha não durou muito tempo na prisão e hoje desfruta de uma vida milionária graças ao dinheiro que amealhou com o seu silêncio. Finalmente se compreendeu aquela frase “o silêncio vale ouro”. No caso, uma mesada de R$ 2 milhões, pagos em malas de R$ 500 mil por semana. E pensar que tem gente que fica feliz com a megassena!

Aécio foi “o primeiro a ser comido”. Gostou tanto que passou a desfilar na parada gay de São Paulo, ao lado do ex-prefeito Doria, que mantém o hábito de aparecer fantasiado nas ruas da capital paulista. Começou vestindo-se de gari, mas atualmente prefere sair de odalisca, com muitos paetês e plumas esvoaçantes cada vez que tem um de seus costumeiros e agressivos chiliques.

Jucá, o mais famoso vidente do Planalto (“tem que estancar essa porra!”) aquele que previu tudo que deveria ser feito – e foi! – para dar o golpe e tentar barrar a Lava Jato (“bota o Michel num grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo”), abriu um escritório de previsões apocalípticas e tem faturado boa grana com deputados, senadores, prefeitos e governadores  que desejam saber como intervir para evitar desgraças futuras.

Os ministros Luis Roberto Barroso e Carmem Lucia, representando outros próceres do STF, assumiram poltronas (cadeiras é muito simples para figuras tão ilustres) na ABO – Academia Brasileira de Obviedades, de onde descortinam a paisagem que varreu o país, mas pouco incomodou suas capas pretas, imperturbáveis diante das intempéries que se abateram sobre a Constituição e os destinos da nação.

Prenderam este ano (lembre-se, estamos em 2030) mais três helicópteros da família do senador José Perrela, com 500 quilos cada um de pasta de cocaína endereçadas para A.E.C.I.O. – sigla que a Polícia Federal ainda não conseguiu identificar. O STF, por sua vez, sempre atento ao rigor dos autos, absolveu Perrela de formação de quadrilha justificando que eram apenas três helicópteros, faltando, portanto, um quarto para que houvesse de fato uma “quadrilha” e a acusação pudesse ser julgada procedente.

Também foi aprovado neste ano de 2030 a extensão do Auxílio-Moradia para que magistrados, em todo o país, possam custear despesas com as suas casas de praia. No entanto, como forma de contribuir à solução da crise, os magistrados aceitaram que esse auxílio não excederá a duas residências por Estado do litoral.

O caos, a violência, a barbárie e a falência dos órgãos têm se agravado, mas nada que preocupe o ministro Marco Aurélio Mello, que continua firme em sua declaração – hoje já alçada à condição de um mantra – de que “as instituições estão funcionando normalmente e não há motivo para preocupação”.

Gilmar Mendes, depois de presidir o STF, o STJ, o TSE e todas as siglas possíveis das instâncias judiciais sem ser incomodado por suas atuações políticas, resolveu ascender a outro plano e atualmente é padroeiro cultuado com muita devoção entre os integrantes do PSDB, que o invocam em busca de milagres sempre que um de seus membros é pego em corrupção e necessita de uma suprema absolvição.

José Serra criou uma fundação para apoiar golpes em vários cantos do planeta, para onde tem levado o seu olhar blasé e a sua expertise largamente testada em solo brasileiro.

FHC, num sociologuês raso como um pires, continua a culpar o PT por tudo que aconteceu no Brasil desde a chegada de Cabral e transformou seu instituto num centro de investigação. Quer saber por que um semianalfabeto como Lula tem mais títulos e honrarias internacionais do que ele.

Michel Temer está cada vez mais atento aos movimentos de Joesley Batista, depois que tomou conhecimento que o dono da Friboi estava interessado em outras carnes e não embarca mais em nenhum jatinho furado, sobretudo com flores, para Marcela.

Lula, desde 2018, tornou-se inelegível, mas continua a liderar todas as pesquisas de intenção de votos. Sem votos, em alguns rincões do Nordeste tem mais devotos do que o Padre Cícero.

Alckmin ainda não conseguiu se eleger presidente e não compreende o que o gosto de picolé de chuchu tem a ver com tudo isso.

Moro foi morar nos Estados Unidos, onde é professor catedrático de Direito Alienígena e recebe frequentes visitas de integrantes da CIA e do FBI em busca de aperfeiçoamento. Não obstante ter galgado a fama, tem constantes pesadelos sobre pedalinhos num sítio e um triplex sem dono.

O Brasil, enfim, continua no fundo do poço, agora já sem água depois que a Lava Jato usou tudo para tentar limpar a corrupção. Ao final, concluiu-se que foi água demais para uns e nem mesmo respingos para outros, enlameados até o pescoço.

Maluf decidiu que será candidato novamente e desafia qualquer um a provar que tenha dinheiro depositado no exterior, fruto de alguma atividade ilegal.

Deus, que era brasileiro, achou melhor pedir asilo político no Afeganistão.

Xadrez dos processos de Moscou e de Curitiba (por Luis Nassif/via Aldeia Nagô)

Por Luis Nassif – 7/5/2017 – via Aldeia Nagô.

O interrogatório de Renato Duque lembra os processos de Moscou de 1938, onde foram condenados bolchevistas históricos como Lev Khamenev, Gregori Zinoviev,  Nikolai Bukharin, Leon Trostsky, Leon Sidov (filho de Trotsky), todos condenados à morte após confissões. Trostsky e seu filho fugiram antes.

Leia mais:

http://www.aldeianago.com.br/artigos/91-dando-o-que-falar/16172-xadrez-dos-processos-de-moscou-e-de-curitiba-por-luis-nassif

Jornalismo, propaganda e cinismo (por Francisco José Castilhos Karam/via ObjETHOS)

Por Francisco José Castilhos Karam – 17/4/2017 – via ObjETHOS.

Há 34 anos, em 1983, na Alemanha, Peter Sloterdijk lançava seu clássico Crítica da Razão Cínica, mais tarde publicado em outros países, tornando-se também uma referência para entender o comportamento humano, representado por várias instituições, ao final do século 20. Ele já percebia cinismo crescente à época em diversas atividades, como na religiosa, nas forças armadas, na política parlamentar, no Estado…

Também não deixa de falar sobre o jornalismo. O autor alemão considerava que o jornalismo estava se tornando um terreno mais fértil para a legitimação pública de ideias do que os próprios institutos de relações públicas, as agências de publicidade, os estúdios de propaganda e congêneres. Verificava tal tendência. Era mais conveniente e crível que o jornalismo continuasse a se chamar jornalismo, mas vivesse de estratégias como a da propaganda.

Leia mais:

https://objethos.wordpress.com/2017/04/17/comentario-da-semana-jornalismo-propaganda-e-cinismo

 

Globo cria força-tarefa para atacar Lula e Dilma semana que vem (por Eduardo Guimarães/via blog da Cidadania)

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Por Eduardo Guimarães – 10/2/2017 – via blog da Cidadania.

Jornalista de prestígio da Globo que, por razões óbvias, não quer se identificar, entrou em contato com este blogueiro e relatou o que chama de “estratégia cruel e desonesta” que diz que será usada pela emissora para criar nova onda de desmoralização dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. E disse, ao telefone, a seguinte frase:

— RIP (“rest in peace), jornalismo!

A ofensiva em questão teria sido determinada em plena redação da emissora, em voz alta, pela diretora da Globo News Eugênia Moreyra.

Leia mais:

http://www.blogdacidadania.com.br/2017/02/globo-cria-forca-tarefa-para-atacar-lula-e-dilma-semana-que-vem

Canalhas! Canalhas! Canalhas! (por Moisés Mendes)

Por Moisés Mendes – 3/2/2017 – via blog do Moisés Mendes.

Esperei por muito tempo, sem grandes expectativas, pelo dia em que finalmente escreveria a palavra repetida neste título. Digito a palavra pela primeira vez para identificar os jornalistas que contribuíram para que a caçada a Lula se estendesse a dona Marisa Letícia e acabasse por provocar sua morte.

Não são canalhas uma única vez. São várias vezes canalhas. Canalhas! Canalhas! Canalhas! São mil vezes canalhas os que se aliaram ao golpe que derrubou Dilma Rousseff e passaram a cercar covardemente Lula, seus filhos, sua mulher, seus parentes, sempre com o pretexto lacerdista da moralização da política.

Leia mais:

http://www.blogdomoisesmendes.com.br/canalhas-canalhas-canalhas

Assange: Golpe no Brasil foi construído “há muito tempo”, com apoio dos EUA

Do blog de Luiz Müller – 9/1/2017 – via Brasil247.

Julian Assange, fundador do site Wikileaks, disse haver indícios da participação do governo dos Estados Unidos no que chamou de “golpe constitucional” ou “golpe político” contra a presidente eleita Dilma Rousseff, em agosto de 2016; “Situação atual está sendo construída há muito tempo”, disse Assange em entrevista ao jornalista Fernando Morais; “50% do orçamento da NSA é destinado a entender qual o rumo que um país, gabinete ou presidente está tomando política e financeiramente, para que os EUA possam reagir e conduzi-lo a um caminho específico, incluindo na lista de alvos as importantes companhias energéticas”, declarou Assange em referência ao pré-sal.

Leia mais:

http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/274788/Assange-Golpe-no-Brasil-foi-constru%C3%ADdo-h%C3%A1-muito-tempo-com-apoio-dos-EUA.htm

O governo Temer e o triunfo da razão criminosa (por Aldo Fornazieri/via Luis Nassif/GGN)

Por Aldo Fornazieri – 9/1/2017 – via Luis Nassif/GGN.

A degradação da democracia brasileira e a existência do governo Temer não são fruto acidental da conjuntura política, dos muitos erros do PT e do governo Dilma, da mera vontade moralizadora da Lava Jato, da parcialidade manipuladora de setores da grande mídia, da permanente disposição do assalto ao botim por parte do PMDB e dos partidos do centrão, do inconformismo golpista de Aécio Neves e do PSDB em face da derrota eleitoral. Sim, todos esses fatores contribuíram para degradar a democracia e viabilizar o governo Temer.

Mas ele é expressão de algo mais profundo, de um mal entranhado na genética política, social e moral da sociedade brasileira, de uma vocação criminosa, de uma vontade de morte. Algo que dormita sobre as cinzas de um passado escravocrata e criminoso e que emerge de tempos em tempos com toda a sua virulência trágica que degrada e degrada,  sem sublimar, sem produzir uma força de transcendência desta realidade mutilada de sentido histórico e de força e virtude morais.

Leia mais:

http://jornalggn.com.br/noticia/o-governo-temer-e-o-triunfo-da-razao-criminosa-por-aldo-fornazieri

 

O jornalismo de guerra escondeu que o Brasil melhorou sob Dilma (por Paulo Nogueira/via DCM)

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Por Paulo Nogueira – 22/11/2016 – via DCM.

“Reproduzo abaixo um tuíte desta tarde do site Carta Maior:

Onde estão as garrafais!? Pnud/Ipea:renda dos brasileiros cresceu média de 1,1% entre 2011/14. Pobreza recuou 9,3% ao ano e miséria, 14% a.a

Resposta: estão escondidas. O jornalismo de guerra que se pratica no Brasil tratou de sumir com aquelas informações, divulgadas por um estudo chancelado pela ONU.”

Leia mais:

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-jornalismo-de-guerra-escondeu-que-o-brasil-melhorou-sob-dilma-por-paulo-nogueira