Os erros do PT e o golpe

Mídia e Judiciário não deram chances de defesa. Charge: Aroeira.

Por Celso Vicenzi – 20/6/2017.

Há um argumento frequente nas redes sociais e nas conversas por aí, que embora falho, tem conquistado muitos adeptos. Diz-se, em linhas gerais, que o PT sabia quem era Temer e conhecia bem o PMDB e que, por isso, deve admitir que também errou, ou seja, aceitou correr riscos com essa aliança e, por conseguinte, justifica-se o golpe. Erros não faltam ao PT e a tantos outros partidos que ascenderam ao poder em algum momento da história. Mas nenhum deles pode ser pretexto para se aceitar um golpe.

Para governar é preciso obter maioria no Congresso e para isso recorre-se a coalizões políticas, aqui e em outros países. Errar na escolha das coalizões, no programa de governo ou no exercício do cargo, repito, não justifica um golpe.

Quem faz um mau governo é derrotado na eleição seguinte. É assim numa democracia. O PT pagaria o preço de suas opções políticas e econômicas.

Outra coisa, no entanto, é sofrer um golpe que uniu, entre outros, boa parte do  empresariado, da mídia, do Congresso financiado por corruptores como a Odebrecht, JBS e tantos outros, que obteve a conivência de boa parte do Judiciário, da Polícia Federal e, muito provavelmente, com apoio logístico da nação que considera a América Latina estratégica para seus interesses geopolíticos. Inclua-se, ainda, a traição torpe como poucas vezes se viu, em qualquer país, de um vice-presidente e do maior partido que dava sustentação política ao governo. Contra tudo isso, havia pouco a se fazer (é verdade que nem esse pouco o PT fez, confiando no Judiciário e na Divina Providência).

A crítica ao PT é necessária e deve ser feita, mas não pode ser usada para justificar o golpe. Numa democracia, maus governos ou escolhas políticas devem ser questionadas numa próxima eleição. Golpe é golpe. E os erros do PT não podem justificar o que se fez no país, de maneira ilegítima e arbitrária (apesar da roupagem jurídico-legal com que travestiram o golpe).

Portanto, é preciso separar bem as duas coisas. Críticas ao PT (que se afastou dos movimentos sociais, que optou por uma política econômica equivocada, que não democratizou a comunicação etc), aos dirigentes que se corromperam etc etc, são todas muito bem-vindas e necessárias, porque ajudam a aprimorar a política, a democracia, a sociedade. Mas aceitar que erros políticos de um partido ou de um governante deem pretexto a um golpe – com tudo que já se sabe agora sobre as suas motivações -, desculpem-me, é violentar duplamente a vítima. É estuprar a democracia.

E cá entre nós, toda a corrupção dos golpistas que tomaram de assalto o Palácio do Planalto para tentar livrar a pele e barrar a Lava Jato (recordemos Jucá: “A solução é botar o Michel, num grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo, aí parava tudo”), o ódio da classe média à ascensão dos mais pobres, os donos do PIB ávidos por destruir a Constituição e a proteção aos direitos sociais e dos trabalhadores para aumentar seus ganhos, os lucros com a privatização, o interesse de potências estrangeiras no pré-sal, nas riquezas nacionais –, tudo isso teve muito mais peso na motivação do golpe do que eventuais casos de corrupção do PT ou erros políticos e econômicos do governo da presidenta Dilma.

E mostrou-se ainda mais transparente depois que o golpe perdeu o rumo, a ponte para o futuro revelou-se uma frágil pinguela, defensores da ética mostraram-se igualmente corruptos, os golpistas desentenderam-se, a mídia e a justiça retiraram suas máscaras e heróis transmudaram-se em vilões da noite para o dia.

Promovem um golpe e querem que o povo não reaja?

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Quem hoje se ofende com as agressões verbais esquece como elas começaram. 
Foto: jornalggn.com.br

Por Celso Vicenzi – 16/6/2017.

Primeiro, Fora Temer! Segundo, criar um clima de achincalhes, seja de esquerda ou de direita não é desejável, mas não dá para rodar os acontecimentos da história para trás. Portanto, aqui se faz, aqui se paga. Depois da violência do golpe vai ser difícil acalmar os ânimos. E é preciso ter noção do que é mais grave. A violência e a derrubada de direitos que estamos assistindo com o apoio desses comentaristas da Globo ou os protestos verbais por onde eles andam? O povo vai ter que aguentar, calado, toda a violência de que tem sido vítima desde o golpe?

Cada um vê o que quer e sabe de que lado deseja ficar. Há, por exemplo, quem fique ofendidíssimo e vai às redes protestar contra quem promove esses achincalhes (constrangedores, mas pacíficos) e, ao mesmo tempo, não diz nada e acha perfeitamente normal o que eles fazem, diariamente, nos veículos de comunicação, na defesa de um golpe que está ferrando e vai ferrar ainda mais com a população mais pobre.

Dão o golpe com o apoio da mídia e de seus principais jornalistas, destroem o país e acham que ninguém deve reagir ou falar nada por “educação”.

Ah, tá!

E esquecem como os golpistas xingavam aqueles que eram contra o golpe.

O caso Miriam Leitão e o jornalismo sem contextualização

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Imagem: acasadevidro.com

Por Celso Vicenzi – 14/6/2017.

Sobre o constrangimento a que foi submetida a jornalista Miriam Leitão, durante um voo, a questão central é: houve um golpe, com enorme participação da mídia (e seus principais comentaristas, que podem ser tudo, menos ingênuos). Claro, não foram os únicos, mas não queiram, por favor, tirar-lhes a responsabilidade. Há vários estudos mostrando a espetacular quantidade de horas de ataques nas tevês, dezenas de capas em revistas, profusão de manchetes em jornais que nem sempre primaram pela ética jornalística – para dizer o mínimo. Se quiserem numa linguagem mais direta: manipularam descaradamente fatos e exageraram quanto a outros, de maneira seletiva, atacando uns e protegendo outros, justamente aqueles que comandaram o golpe e hoje mandam no país. Se serão descartados, isso já não tem nenhuma importância porque o principal se conseguiu: retirar do poder de maneira ilegítima (alguém vai querer sustentar que pedaladas fiscais legitimam o golpe?) uma presidenta eleita pelo voto popular.

E o golpe, pra quem quer pensar um pouquinho, não foi exatamente para tirar Dilma ou o PT do poder, mas para impor uma nova agenda política e econômica sem o respaldo da soberania popular, como aliás, estamos assistindo na aprovação de leis e projetos de interesses de corruptores que financiaram o golpe. E estamos só no começo, porque o modelo que querem implantar no país vai retirar direitos conquistados com muita luta pelo povo brasileiro. As consequências serão mais trágicas do que já estamos vislumbrando, com a perda de direitos históricos dos trabalhadores e dos movimentos sociais, com a soberania nacional de joelhos diante de grandes potências, ávidas pelas riquezas do país, que a exemplo das privatizações de FHC, voltarão à feira de liquidações.

Mas que gravidade tem tudo isso, quando o que importa é centrar peso no constrangimento a que foi submetida uma jornalista que não se destaca exatamente pela ética no exercício da profissão, não é mesmo? Não apoio agressão verbal ou de qualquer outro tipo contra quem quer que seja, mas jornalismo sem contextualização é jornalismo de má qualidade. Discutir só as agressões verbais – cuja extensão nem ainda conhecemos bem – fora do contexto do que Miriam Leitão e outros jornalistas, juízes, intelectuais etc ajudaram a desencadear no país é puro sofisma. E nisso, infelizmente, muitos jornalistas são mestres.

Xadrez da incógnita militar e do pós-Temer (por Luis Nassif/via GGN)

Por Luis Nassif – 8/6/2017 – via GGN.

Vive-se um quadro de ampla desordem institucional, um tiroteio sem fim entre o Executivo, Congresso, Ministério Público, Supremo, Tribunal Superior Eleitoral, acirrado pela reforma trabalhista e da Previdência. Externamente, uma indignação popular que se alastra, que já resultou em uma greve geral, resultará em outra.

A grande incógnita é como o único poder silencioso – o militar – se manifestará.

Leia mais:

http://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-da-incognita-militar-e-do-pos-temer

Fernando Haddad disseca o arco do atraso em depoimento histórico (por Luis Nassif/via GGN e revista Piauí)

Por Luis Nassif – 5/6/2017 – via GGN e revista Piauí.

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, publicou um depoimento histórico na revista Piauí, sobre sua experiência com o poder desde os tempos de Ministro da Educação.

No artigo, fala dos problemas de Dilma Rousseff, do papel deletério da mídia, aponta o promotor suspeito de receber propina, e que passou a persegui-lo, mostra que José Serra foi o principal mentor do golpe, entre outras revelações.

Leia mais:

http://jornalggn.com.br/noticia/fernando-haddad-disseca-o-arco-do-atraso-em-depoimento-historico#.WTTDM8h1mVQ.facebook

A tragédia de Temer é uma farsa que se resolve com um pé na bunda

Presidente Michel Temer em uma das imagens disponibilizadas pelo Partido dos Trabalhadores no Flickr

Por Celso Vicenzi – 4/6/2017. Foto: Lula Marques/Agência PT.

“Se quiserem que eu saia da presidência, têm que me matar.” A frase de Temer é um blefe (a menos que o remorso o corroa, o que duvido) e uma tentativa de dar grandeza – que Getúlio teve – a um golpista que será lembrado como um dos piores traidores da pátria. Não era um “inimigo” tomando de assalto o poder, era o vice de uma presidenta a quem deveria lealdade, não fosse o que é: um vaidoso, machista, corrupto, covarde, medíocre, falso, traidor e canalha. Mil vezes canalha!

Se houvesse grandeza, haveria pelo menos remorso, o que é pouco provável. A sua ambição de entrar para a história será cumprida, mas não do jeito que imaginou. Sua história não será a de um homem com a coragem de dar a vida pela causa de um povo. Sua ambição mesquinha, sua covardia traiçoeira teve o efeito oposto, o de destruir o sonho de milhões de brasileiros e brasileiras que lutaram e lutam por um Brasil soberano e solidário, capaz de resgatar uma dívida de escravidão e mortes de indígenas e negros, de pobres e de todos que se rebelaram contra o jugo opressor ao longo de séculos.

Não, Temer, você não é personagem de uma grandiosa tragédia, dessas que os livros eternizam na memória de gerações. Você é a caricatura vil, feia, disforme, do desejo de golpistas e apoiadores de um golpe que expõe com tanta clareza a face violenta de uma sociedade que aprisiona milhões de brasileiros a um destino indigno, de fome e miséria, enquanto rouba, legisla e sentencia em favor de uma casta minoritária de “doutores” e “senhores” da Casa-Grande, que se autoenganam com seus títulos “meritocráticos”.

O único suicídio de acordo com o figurino da tragicomédia que você ousou exibir no palco da história, é o suicídio político de um paspalho, num cenário de toscos patos amarelos. Não, você não dará a vida para entrar para a história, porque no seu caso um simples pé na bunda resolve. E é o que você merece!

É cedo para golpistas comemorarem

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Manifestação em São Paulo a favor do impeachment de Dilma (março 2016). Foto Rovena Rosa/Agência Brasil.

Por Celso Vicenzi – 2/6/2017.

Tem gente que ainda não entendeu que o golpe não foi só para derrubar Dilma, prender Lula e destruir o PT, mas para reorganizar a estrutura político-econômica do país, retirando direitos dos trabalhadores, criminalizando os movimentos sociais, fazendo retroagir direitos conquistados por grupos mais vulneráveis, abdicando de questões estratégicas para a  soberania e tornando o Brasil cada vez mais dependente aos interesses dos Estados Unidos e do capital internacional.

Por isso ainda apoiam – alguns ingenuamente, outros com boa dose de vilania – todas as ações que os golpistas engendram e executam, a toque de caixa, para não dar tempo à população para refletir e dimensionar sobre as consequências. Mal sabem os entusiastas do golpe que o feitiço vai virar contra o feiticeiro e atingir a vida de cada um dos brasileiros e brasileiras.

Nem mesmo a maioria dos empresários, hoje com indisfarçáveis sorrisos e esperançosos de uma “grande virada”, está imune ao que, parece, virá. E nisso haveria uma grande ironia.

Os pequenos e médios empresários, com certeza e, quem sabe, uma razoável parcela dos donos de boa parte do PIB nacional, ainda não calcularam o custo dessa aventura golpista na economia do país. O que era para ser um breve momento de turbulência pode se perpetuar por um tempo difícil de calcular.

Num primeiro momento quase todos exultaram porque seus negócios seriam amplamente beneficiados. “Sem Dilma, Lula e o PT, voltaremos a fazer do nosso jeito” – pensaram.

No entanto, talvez não tenham tanto a comemorar. Afinal, se grandes conglomerados econômicos internacionais estão prestes a ir às compras, na maior liquidação que pretendem fazer no país desde FHC, a começar pela Petrobras, há o risco de que, na cadeia de fornecedores de grandes empresas de vários setores, troquem de lugar com empresas estrangeiras. Ou, se o país afundar ainda mais, produzir para quem? O setor naval brasileiro, principal fornecedor da Petrobras, já sentiu isso imediatamente.

E, independente dessa variável, se as condições políticas não se estabilizarem – e pela força dificilmente isso acontecerá – é certo que o país corre o risco de ter que apagar incêndios não só nas florestas. Manifestações políticas não vão parar enquanto não se restabelecerem os direitos essenciais conquistados, num país que já vive as agruras de ser um dos 10 mais desiguais do planeta. Um clima assim, que pode degenerar para algo pior, vai empurrar o consumidor para a defensiva e, com isso, empresas também poderão passar por grandes dificuldades ou quebrar.

O custo dessa aventura política pode ser maior do que o calculado. É cedo para os golpistas e apoiadores do golpe comemorarem.

Fernando Morais revela detalhes de reunião entre tucanos e Temer para montar novo golpe (por Renato Rovai)

Por Renato Rovai – 29/5/2017 – blog do Rovai.

O jornalista e escritor Fernando Morais denuncia no seu Nocaute que aconteceu, no sábado, uma reunião entre o presidente ilegítimo, Michel Temer, e tucanos de alta patente para construir a saída para a crise. Fernando Morais foi do PMDB por muito tempo e ainda mantém contatos com pessoas que conhecem os bastidores deste governo. É leitura fundamental. O golpe dentro do golpe e contra as diretas já está em ritmo acelerado.

Leia mais:

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2017/05/29/fernando-morais-revela-detalhes-de-reuniao-entre-tucanos-e-temer-para-montar-novo-golpe

Dominação financeira, o caminho ao caos (por Ladislau Dowbor/via Outras Palavras)

170527-Picasso

Por Ladislau Dowbor – 27/5/2017 – via Outras Palavras. Imagem: Pablo Picasso – Massacre na Coreia (1951).

A semanas de lançar novo livro, Ladislau Dowbor sustenta: foi o controle exercido pelos bancos sobre orçamento público e o das famílias que provocou crise do lulismo e espiral do golpe.

Leia mais:

http://outraspalavras.net/brasil/dominacao-financeira-o-caminho-que-nos-trouxe-ao-caos