Brasil registra recorde de mortes violentas em 2016 (por Deutsche Welle)

default

Por Deutsche Welle – 30/10/2017.

País teve 61.619 casos documentados em todo o ano, maior número da história, com média de sete pessoas mortas a cada hora ou 29,9 homicídios por 100 mil habitantes. Violência policial também aumenta.

Leia mais:

http://www.dw.com/pt-br/brasil-registra-recorde-de-mortes-violentas-em-2016/a-41172942?utm_source=Colabora&utm_campaign=e3ff7f34b0-EMAIL_CAMPAIGN_2017_10_30&utm_medium=email&utm_term=0_7b4d6ea50c-e3ff7f34b0-417482585

Mais da metade das mulheres mortas pelas polícias entre 2005 e 2015 eram negras (por Brasil de Fato)

Assim como Cláudia Ferreira, morta pela polícia, em 2014, cerca de 52% de mulheres negras foram mortas pela polícia, apontam pesquisas - Créditos: Coletivo ñ

Assim como Cláudia Ferreira, morta pela polícia, em 2014, cerca de 52% de mulheres negras foram mortas pela polícia, apontam pesquisas.

Por Brasil de Fato – 7/7/2017.

A Agência Patrícia Galvão – vinculada ao Instituto de mesmo nome dedicado ao combate à violência contra a mulher –  compilou dados de pesquisas divulgadas até junho deste ano, que trazem números alarmantes e preocupantes a respeito da violência de gênero no Brasil, muitas vezes praticadas pelos agentes do Estado e que vitimam sobretudo mulheres negras, que representam 24,5% da população brasileira.

Leia mais:

https://www.brasildefato.com.br/2017/07/07/mais-da-metade-das-mulheres-mortas-pelas-policias-entre-2005-e-2015-eram-negras

Número de mortes por conflitos no campo em 2015 é o maior em 12 anos

http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2016-01/numero-de-mortes-por-conflitos-no-campo-em-2015-e-o-maior-em-12

Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil – 7/1/2016.

O número de assassinatos decorrentes de conflitos no campo em 2015 foi o maior dos últimos 12 anos no Brasil, com 49 mortes registradas, a maior parte na Região Norte, de acordo com os dados de um balanço anual da questão agrária divulgado esta semana pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).

A CPT ressalva, no entanto, que os dados são ainda parciais e podem vir a aumentar à medida que sejam consolidadas as informaçães provenientes do trabalho in loco, o que está previsto para ser concluído no fim do mês. O número de mortes decorrentes de conflitos no campo no ano passado foi o maior desde 2003, quando foram contabilizados 73 assassinatos.

Os maiores números de mortes ocorreram em Rondônia (21) e no Pará (19), mostra o levantamento. O perfil predominante das mortes foi de indivíduos envolvidos em movimentos de luta pela regularização fundiária, como é o caso de uma família no município paraense de Conceição do Araguaia, que teve todos os seus cinco membros mortos a golpes de facão e tiros em fevereiro do ano passado.

“O Norte do país é um barril de pólvora”, disse o coordenador da CPT em Pernambuco, Plácido Júnior, responsável pela compilação dos dados nacionais. “Além do avanço do agronegócio tradicional, acreditamos que o aumento das tensões no campo em 2015 tenha relação com maiores disputas por recursos como madeira e água, o prosseguimento de grandes emprendimentos de mineração e energia e a diminuição no número de assentamentos e demarcações”.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) reconheceu o aumento das tensões no meio rural no ano passado, mas informou que, segundo dados da Ouvidoria Agrária Nacional (OAN), ocorreram 16 mortes em decorrência de conflitos no campo em 2015. A discrepância se deve a diferenças de metodologia, pois a OAN contabiliza somente informações oficiais provenientes da Polícia Civil e do Ministério da Justiça.

O MDA disse que promove uma série de ações para prevenir a tensão no campo, entre elas a assessoria social e jurídica a famílias acampadas. Segundo o ministério, foram feitas 110 operações policias de combate à violência no campo em 2015, sobretudo em Rondônia, Pará, Tocantis e Maranhão.

O balanço do CPT tem como base o levantamento feito por seus próprio agentes, presentes em todos os estados, com a ajuda de parceiros de outras entidades que atuam no campo, como o Movimento do Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Foram utilizadas também fontes secundárias, como notícias divulgadas nos meios de comunicação.

Dados da entidade mostram que de 1.115 casos de homicídio decorrentes de conflitos no campo registrados entre 1985 e 2014, 12 foram julgados.

Edição: Fábio Massalli.

Mudar a sociedade e a polícia

Texto publicado na edição de hoje (26/12/2015) do jornal Diário Catarinense.

Por Celso Vicenzi.

Em menos de uma semana, quatro jornalistas, em Santa Catarina, foram vítimas de ações da Polícia Militar, que impediu, de forma truculenta, que pudessem realizar o seu trabalho. Infelizmente, não são atos isolados. Em 2014, dos 129 jornalistas agredidos no país, 62 foram vítimas de violência policial (48%), segundo informa a Federação Nacional dos Jornalistas. Entre 2012 e 2014 também houve mortes, tentativas de homicídio, ameaças de mortes e sequestros. Essas agressões não atingem somente os profissionais da comunicação. Representam, também, uma afronta à liberdade de expressão e ao direito do cidadão à informação, constituindo-se, em última instância, como um ataque aos princípios democráticos.

Há no Brasil uma cultura da violência que é herança das raízes escravagistas.  Inicialmente empregada contra índios e negros, hoje usada para subjugar as populações mais pobres. Paradoxalmente, em muitos casos, alimentada até mesmo por setores da mídia, sobretudo em algumas emissoras de rádio e televisão, em programas policialescos que adotam a ideologia do “bandido bom é bandido morto”. Há uma tolerância institucional e de uma parcela da população que acaba por naturalizar a violência. No lugar da indignação, a concordância.

Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que o risco de um jovem negro ser assassinado supera em 2,5 vezes a possibilidade de um jovem branco ser vítima de homicídio. Entre as vítimas da violência policial no Rio de Janeiro, quase 80% eram negras e 75% tinham idades entre 15 e 29 anos.

São notórias as estatísticas do uso desproporcional da força policial. A Polícia Militar, que ainda é muito parecida com aquela em ação na ditadura, continua a ser utilizada por governantes no controle do “inimigo interno”. Segundo o relatório da Comissão da Verdade “Rubens Paiva”, de São Paulo, a Polícia Militar “não reconhece na população pobre uma cidadania titular de direitos fundamentais, apenas suspeitos que, no mínimo, devem ser vigiados e disciplinados, porque assim querem os sucessivos governantes, ontem e hoje”.

É a polícia que mais mata no mundo. Entre 2009 e 2013, houve 11.197 mortes causadas por policiais. É mais do que a polícia norte-americana matou em 30 anos. Segundo a Anistia Internacional, em geral são homicídios de pessoas já rendidas, que já foram feridas ou alvejadas sem qualquer aviso prévio. A maioria dos autores dos disparos nunca foi punida.

Em 2013 a média era de seis pessoas mortas por dia, um grau de letalidade superior à maioria das baixas em guerras em várias partes do mundo. Tanta violência, no entanto, não tornou a sociedade mais segura. O Brasil possui cerca de 600 mil presos (a quarta maior população carcerária do mundo), a maioria em condições subumanas, sem oferecer condições de recuperação, formando um círculo vicioso que gera mais e mais violência. E que se volta, também, contra a própria corporação policial. Entre 2009 e 2013 morreram 1.770 policiais no exercício da profissão.

Por isso, precisamos repensar, com urgência, o modelo de sociedade, em que o direito à cidadania e a uma vida digna, com respeito aos direitos humanos, sejam etapas fundamentais para reconciliar o país e aceitar que todos os seus cidadãos e cidadãs são portadores dos mesmos direitos e obrigações.