A vitória das ignorâncias (por Moisés Mendes/via Extra Classe/Sinpro-RS)

Por Moisés Mendes – 14/11/2017 – via Extra Classe/Sinpro-RS.

O avanço do golpe é produto da exploração das ignorâncias mais profundas que a própria direita produz. A direita percebeu que o desconhecimento da realidade política contaminou a classe média e que isso ajuda a produzir inércia. A direita descobriu agora o potencial das ignorâncias como nunca havia percebido antes.

Leia mais:

http://www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2017/11/a-vitoria-das-ignorancias

A ignorância política de quem não enxerga diferenças (por Jota Camelo/via FB)

Resultado de imagem para imagem é tudo farinha do mesmo saco

Imagem: Imgrum.

Por Jota Camelo – 21/6/2017 – via FB.

Imagine que um programa de TV convide um especialista em música para falar sobre o rock, e ele diga: “O rock é tudo igual. As bandas são todas as mesmas coisas. As músicas são todas iguais. Não há diferença”. Com esse tipo de comentário, é muito fácil perceber que esse “especialista em música” não é especialista em porcaria nenhuma. Achar que tudo é igual não é comentário de um conhecedor, é comentário de um ignorantão de carteirinha. Um especialista em rock jamais diria que Slayer e One Direction são a mesma coisa. Somente um perfeito imbecil diria isso.
Quanto menos você conhece sobre um assunto, mais igual tudo lhe parece. Quanto mais você conhece sobre um assunto, mais diferente tudo lhe parece. O especialista é aquele que sabe diferenciar coisas muito parecidas, que percebe diferenças em detalhes quase indistinguíveis.

Da mesma forma, dizer que “político é tudo igual, é tudo farinha do mesmo saco” é a maneira mais rápida e direta de confessar completa ignorância sobre política. As pessoas que dizem isso (coisa típica de coxinha) não têm ideia da gigantesca patetice que estão dizendo. É um comentário típico de gente politicamente confusa e perdida. É como achar que estão abafando, quando na verdade estão com a calça rasgada nos fundilhos.

Pesquisa coloca Brasil entre países mais “ignorantes” do planeta (por Wilson Ferreira/via Cinegnose)

Por Wilson Roberto Vieira Ferreira – 16/12/2016 – via Cinegnose (citado por Luis Nassif/GGN).

A Índia aparece em primeiro, seguida por China e Taiwan. O Brasil figura em sexto lugar, após os EUA. Na ponta oposta do índice estão Holanda, Reino Unido e Coréia do Sul.

Aqui o conceito de “ignorância” não implica em falta de inteligência, mas apenas falta de conhecimento ou informação objetiva sobre uma realidade. O objetivo principal da pesquisa é levantar questões sobre o porquê da disparidade entre a percepção e os dados oficiais de cada país.

http://cinegnose.blogspot.com.br/2016/12/pesquisa-coloca-brasil-entre-paises.html#more

 

Dúvidas de um ignorante (Por Gregório Duvivier/via Folha de S. Paulo)

Por Gregório Duvivier

Não entendo nada sobre porcaria nenhuma. Sou um jovem cronista ignorante (não tão jovem para ser tão ignorante), e isso não é novidade para ninguém. O único ponto em que concordo com os colunistas de direita é quando afirmam que sou um idiota. O que continuo sem entender é por que perdem tanto tempo afirmando uma obviedade. Não saio por aí gritando que a Terra é redonda ou que vamos todos morrer. Ok, eu gritei essas coisas no Carnaval, mas estava sob efeito de psicotrópicos.

Minha sorte é que escrevo crônica. Não preciso fingir que sei alguma coisa. Muito pelo contrário: preciso de um exercício diário de ignorância para nunca deixar de ser leigo. Afinal, o mundo está o tempo todo tentando te empurrar certezas goela abaixo.

Não pensem que é fácil não saber nada sobre coisa nenhuma quando o mundo sabe tudo sobre todas as coisas. Basta um atentado atribuído ao Estado Islâmico para descobrir que todos ao seu redor são peritos no Alcorão. Basta um processo de impeachment para descobrir que todos os seus conhecidos são juristas renomados.

Cuidado: a doença do especialismo é altamente transmissível. Passe um tempo curto nas redes sociais e, quando você menos espera, tcharã, você se tornou um especialista. Em poucos minutos, você já está apontando culpados e proferindo sentenças.

Não tenho acesso às contas de Lula nem às minúcias da Lava Jato. Isso só quem parece ter é o Moro e os jornalistas do seu círculo íntimo. Não faço a menor ideia se Lula cometeu algum desvio, mas tampouco Moro ou os jornalistas parecem fazer ideia: as acusações parecem manchetes da “Tititi” –ou, pior, de “O Globo”. “Assistente de estagiário de advogado teria suposto que Dona Marisa comprou um pedalinho.” O mesmo não se pode dizer sobre Cunha, Calheiros e tantos corruptos comprovados que não estão passando pelo mesmo constrangimento.

Não sei nada sobre porcaria nenhuma. Mas parafraseando Guimarães Rosa: desconfio de muita coisa. Desconfio, inclusive, de Lula, assim como desconfio de qualquer juiz que tenha uma relação tão promíscua com a imprensa, assim como desconfio da polícia e de quem tira selfie com ela, assim como desconfio do “Jornal Nacional” e, na mesma medida, de quem aplaude o “Jornal Nacional” –sim, o mesmo jornal que elegeu o Collor e hoje brada contra a corrupção.

É preciso saber um pouco menos ou saber que se sabe muito pouco. Desconfio que o que mais faz falta nesse Brasil tão cheio de certezas é um punhado de dúvidas.