Brasil, modus operandi

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Por Celso Vicenzi – 11/12/2017. Ilustração: Jean-Baptiste Debret (1768-1848)

O “modus operandi” do Brasil sem lei (lei só para enquadrar adversários do regime) já está decidido. A Polícia Federal monta um aparato de guerra gigantesco para prender e conduzir coercitivamente quem nunca se recusou a prestar depoimento sobre o que quer que seja. Faz a operação com base em meras suspeitas, pulando etapas do que deveria ser um processo formal na justiça, com direito à defesa antes de ser exposto à execração pública. O Judiciário faz de conta que não vê a exceção e o arbítrio contra o Estado Democrático de Direito. O Ministério Público, politizado e fascinado com os holofotes e a fogueira das vaidades, elenca um festival de “diz-que-diz” de pessoas nem sempre idôneas, chancela e assina embaixo, seletivamente, é claro, pois contra tucanos e outras aves de bico ou porte grande, não é besta de abrir o bico.

A mídia faz a cobertura sem nenhuma crítica a esses exageros e cria um clima de que o Brasil está sendo “passado a limpo”. Uma população é anestesiada por essa avalanche de acontecimentos e a tudo assiste passiva, sem entender que já está sendo traçado o pior dos destinos para o seu futuro – o futuro dos pobres e da classe trabalhadora do país. E tem ainda a classe média, aquela que bateu panelas e dançou com patos amarelos, que vai perdendo as calças, os anéis e os dedos, mas continua a fazer cara de “gente fina”, tentando ostentar o que não tem, uns poucos degraus acima da pobreza e a quilômetros de distância dos ricos em que se espelham com a ilusão de que um dia também farão parte da elite que a oprime.

Quando não for mais possível conter a revolta popular (fome, carestia, desemprego, humilhação, salários aviltantes, jornadas exaustivas, depressão, escravidão, corrupção etc), os golpistas vão pedir o apoio das Forças Armadas para “restabelecer a ordem”.

A ordem, no caso, é aquela que saqueou o país, entregou nossas riquezas, destruiu com a inteligência, botou a nação de joelhos diante dos interesses imperialistas e privilegiou corruptos e seus parceiros em um golpe contra a soberania e o futuro de um Brasil eternamente Colônia.

Nossos “patriotas” são muito ferozes para combater e atacar aqueles que lutam por um Brasil para todos, mais justo e fraterno, orgulhoso de sua cultura, dono do seu destino no cenário internacional, mas são extremamente dóceis para com os donos do capital e seu universo de privilégios, cujo dinheiro nunca teve pátria. Sempre dispostos, aliás, a vender o país, falar mal dos brasileiros, e se mudar para Miami, Paris ou qualquer outro lugar longe daqui, onde possam gastar fortunas made in Brazil.

Aragão: “Toda vez que se deposita alguma esperança no STF, a gente só pode rir no cantinho da boca”

Por Celso Vicenzi – 31/10/2017.

O ex-ministro da Justiça no governo Dilma e ex-procurador do Ministério Público Federal, Eugênio Aragão, proferiu palestra no Seminário estadual sobre “A conjuntura nacional, a reforma política e os possíveis conflitos de jurisprudência”, promovido pela CUT/SC no dia 26 de outubro, na Federação dos Comerciários de Santa Catarina (Fecesc), em Florianópolis.

Uma aula sobre quem são e como atuam os agentes e os órgãos do Ministério Público e do Judiciário, e sobre as ilusões dos governos populares de Lula e Dilma, que esqueceram a luta de classes.

Leia mais:

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/aragao-toda-vez-que-se-deposita-alguma-esperanca-no-stf-a-gente-so-pode-rir-no-cantinho-da-boca

Silêncio que fala

Por Celso Vicenzi – 5/10/2017.

O silêncio eterno a que autoimpô-se Luiz Carlos Cancellier de Olivo, reitor da UFSC, falará para todo o sempre das injustiças e denunciará o modelo ditatorial implantado no Brasil, em pleno século 21: judicial-policial-midiático, igualmente perverso, intolerante, arbitrário, inquisidor, perseguidor, seletivo, cruel, classista, elitista, excludente, desumano.

O Brasil em 2030

Imagem: Hiperfoto do francês Jean François Rauzier/Divulgação – via Correio Braziliense. 

Por Celso Vicenzi – 15/6/2017.

Estamos no ano de 2030, não se assuste, caro leitor, prezada leitora, pois o tempo corre e muita coisa aconteceu no Brasil depois daquele decisivo ano de 2016 – lá se vão já 24 anos. Tudo começou a mudar um pouco antes, por causa – imagine só! – de 20 centavos, lembram? Vieram aquelas manifestações gigantescas, em 2013, que ninguém sabia muito bem quem eram os alvos dos protestos, mas aos poucos, por inércia e ingenuidade do governo Dilma e ações orquestradas da mídia, foram sendo direcionados para o Palácio do Planalto. E veio o golpe, a Lava Jato, a Odebrecht, o Michel Temer, o STF, o TSE, o Joesley, o Gilmar Mendes e tantos fatos e personagens, numa avalanche como nunca houvera antes na história desse país. Muitos que pareciam ter sido soterrados, sobreviveram.

Para quem ainda não chegou a 2030, vou contar como as coisas estão no momento.

Eduardo Cunha não durou muito tempo na prisão e hoje desfruta de uma vida milionária graças ao dinheiro que amealhou com o seu silêncio. Finalmente se compreendeu aquela frase “o silêncio vale ouro”. No caso, uma mesada de R$ 2 milhões, pagos em malas de R$ 500 mil por semana. E pensar que tem gente que fica feliz com a megassena!

Aécio foi “o primeiro a ser comido”. Gostou tanto que passou a desfilar na parada gay de São Paulo, ao lado do ex-prefeito Doria, que mantém o hábito de aparecer fantasiado nas ruas da capital paulista. Começou vestindo-se de gari, mas atualmente prefere sair de odalisca, com muitos paetês e plumas esvoaçantes cada vez que tem um de seus costumeiros e agressivos chiliques.

Jucá, o mais famoso vidente do Planalto (“tem que estancar essa porra!”) aquele que previu tudo que deveria ser feito – e foi! – para dar o golpe e tentar barrar a Lava Jato (“bota o Michel num grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo”), abriu um escritório de previsões apocalípticas e tem faturado boa grana com deputados, senadores, prefeitos e governadores  que desejam saber como intervir para evitar desgraças futuras.

Os ministros Luis Roberto Barroso e Carmem Lucia, representando outros próceres do STF, assumiram poltronas (cadeiras é muito simples para figuras tão ilustres) na ABO – Academia Brasileira de Obviedades, de onde descortinam a paisagem que varreu o país, mas pouco incomodou suas capas pretas, imperturbáveis diante das intempéries que se abateram sobre a Constituição e os destinos da nação.

Prenderam este ano (lembre-se, estamos em 2030) mais três helicópteros da família do senador José Perrela, com 500 quilos cada um de pasta de cocaína endereçadas para A.E.C.I.O. – sigla que a Polícia Federal ainda não conseguiu identificar. O STF, por sua vez, sempre atento ao rigor dos autos, absolveu Perrela de formação de quadrilha justificando que eram apenas três helicópteros, faltando, portanto, um quarto para que houvesse de fato uma “quadrilha” e a acusação pudesse ser julgada procedente.

Também foi aprovado neste ano de 2030 a extensão do Auxílio-Moradia para que magistrados, em todo o país, possam custear despesas com as suas casas de praia. No entanto, como forma de contribuir à solução da crise, os magistrados aceitaram que esse auxílio não excederá a duas residências por Estado do litoral.

O caos, a violência, a barbárie e a falência dos órgãos têm se agravado, mas nada que preocupe o ministro Marco Aurélio Mello, que continua firme em sua declaração – hoje já alçada à condição de um mantra – de que “as instituições estão funcionando normalmente e não há motivo para preocupação”.

Gilmar Mendes, depois de presidir o STF, o STJ, o TSE e todas as siglas possíveis das instâncias judiciais sem ser incomodado por suas atuações políticas, resolveu ascender a outro plano e atualmente é padroeiro cultuado com muita devoção entre os integrantes do PSDB, que o invocam em busca de milagres sempre que um de seus membros é pego em corrupção e necessita de uma suprema absolvição.

José Serra criou uma fundação para apoiar golpes em vários cantos do planeta, para onde tem levado o seu olhar blasé e a sua expertise largamente testada em solo brasileiro.

FHC, num sociologuês raso como um pires, continua a culpar o PT por tudo que aconteceu no Brasil desde a chegada de Cabral e transformou seu instituto num centro de investigação. Quer saber por que um semianalfabeto como Lula tem mais títulos e honrarias internacionais do que ele.

Michel Temer está cada vez mais atento aos movimentos de Joesley Batista, depois que tomou conhecimento que o dono da Friboi estava interessado em outras carnes e não embarca mais em nenhum jatinho furado, sobretudo com flores, para Marcela.

Lula, desde 2018, tornou-se inelegível, mas continua a liderar todas as pesquisas de intenção de votos. Sem votos, em alguns rincões do Nordeste tem mais devotos do que o Padre Cícero.

Alckmin ainda não conseguiu se eleger presidente e não compreende o que o gosto de picolé de chuchu tem a ver com tudo isso.

Moro foi morar nos Estados Unidos, onde é professor catedrático de Direito Alienígena e recebe frequentes visitas de integrantes da CIA e do FBI em busca de aperfeiçoamento. Não obstante ter galgado a fama, tem constantes pesadelos sobre pedalinhos num sítio e um triplex sem dono.

O Brasil, enfim, continua no fundo do poço, agora já sem água depois que a Lava Jato usou tudo para tentar limpar a corrupção. Ao final, concluiu-se que foi água demais para uns e nem mesmo respingos para outros, enlameados até o pescoço.

Maluf decidiu que será candidato novamente e desafia qualquer um a provar que tenha dinheiro depositado no exterior, fruto de alguma atividade ilegal.

Deus, que era brasileiro, achou melhor pedir asilo político no Afeganistão.

Os detalhes de como a Lava Jato protegeu Aécio Neves (por Marcelo Auler/via Pragmatismo Político)

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Por Marcelo Auler – 24/5/2017 – via Pragmatismo Político.

Jornalista revela detalhes de como o senador Aécio Neves (PSDB-MG) estava sendo protegido pela Força Tarefa da Lava Jato diante de tantas acusações ao longo dos últimos anos. Mesmo delegados da Polícia Federal não escondiam seu apoio ao tucano nas redes sociais.

Leia mais:

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/05/lava-jato-protegeu-aecio-neves.html

Xadrez da fórmula Temer-Gilmar para a Lava Jato (por Luis Nassif/via GGN)

Por Luis Nassif – 10/2/2017 – via GGN.

Escancara-se o jogo político com uma desfaçatez poucas vezes vista na história do país.

(…)  O que está acontecendo agora é um pequeno ensaio do que o país vai se tornar com a PEC 55, o arrocho no orçamento e os cortes na Previdência Social. A tentativa da Globo, através de Mirian Leitão (entrevistando o desastrado governador Paulo Hartung) mostra que a tática diversionista será atribuir as crises a setores específicos, anti-modernizantes. Terão que gastar muita saliva para explicar o alastramento das rebeliões, em um país convulsionado.

Os economistas estão destruindo o país. Está mais do que claro que Temer não tem a menor condição de segurar o desmanche. E o PSDB foi incapaz de apresentar um programa alternativo.

O desmanche social está vindo com a força de um tsunami. Esse poderá ser o grande fator dos próximos meses a ameaçar no futuro da democracia.

Leia mais:

http://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-da-formula-temer-gilmar-para-a-lava-jato

Canalhas! Canalhas! Canalhas! (por Moisés Mendes)

Por Moisés Mendes – 3/2/2017 – via blog do Moisés Mendes.

Esperei por muito tempo, sem grandes expectativas, pelo dia em que finalmente escreveria a palavra repetida neste título. Digito a palavra pela primeira vez para identificar os jornalistas que contribuíram para que a caçada a Lula se estendesse a dona Marisa Letícia e acabasse por provocar sua morte.

Não são canalhas uma única vez. São várias vezes canalhas. Canalhas! Canalhas! Canalhas! São mil vezes canalhas os que se aliaram ao golpe que derrubou Dilma Rousseff e passaram a cercar covardemente Lula, seus filhos, sua mulher, seus parentes, sempre com o pretexto lacerdista da moralização da política.

Leia mais:

http://www.blogdomoisesmendes.com.br/canalhas-canalhas-canalhas

A perseguição a Lula e a destruição do sentido ético (por Aldo Fornazieri/via Luis Nassif/GGN)

Por Aldo Fornazieri – 16/1/2017 – via Luis Nassif/GGN.

(…) tanto Vargas, quando vivo e mesmo que morto, e Lula em vida, sofrem uma perseguição tenaz por parte de setores das elites. Ao querer se destruir sua representação simbólica quer-se destruir a sua expressão enquanto referencial do sentido ético do Brasil e de seu povo. Quer-se destruir aquela energia simbólica que pode ser fonte de emanação de lutas e mobilizações, no presente e no futuro, por mais direitos e justiça. Quer-se destruir o sentido orientador da ideia de igualdade na construção de uma sociedade mais justa e digna. A destruição de Vargas e de Lula é a destruição de uma reserva de combate, por mais contradições e paradoxos que ambos representem. O fato é que as elites brasileiras sequer suportam a presença e a simbologia de figuras como Vargas e Lula mesmo que em seus governos partes das elites tenham sido beneficiadas.

Leia mais:

http://jornalggn.com.br/noticia/a-perseguicao-a-lula-e-a-destruicao-do-sentido-etico-por-aldo-fornazieri

Mensagem sobre Geddel sugere que Temer é o chefe

Comentário de Vinicius Bertoncini Vicenzi:

A pergunta que não quer calar nesse início de 2017 é: como pode Temer e sua quadrilha do PMDB continuarem chefiando o país depois dos áudios de Sérgio Machado (Romero Jucá é líder do Governo, pasmem), depois de mensagens de Funaro e Cunha, enfim, depois de “convicções” muito mais substanciosas do que pedalinhos ou terrenos que “seriam dados, mas não foram”? Cadê os áudios ou as mensagens de Lula ou de seus interlocutores? Cadê a quadrilha do PT chamando os outros de “boca de jacaré” ou “porco do caralho”? Bom, dirão alguns, que o “chefe da máfia” não fala, não deixa nada gravado, registrado. Tá bom, consideremos essa hipótese, mas então volta-se à pergunta inicial: por que, antes de chegarem no “Grande Chefe” (uma espécie de Grande Irmão, do Orwell), os investigadores e a própria “opinião pública”, população, redes, etc., não se debruça sobre aquilo do qual já existem provas de crime (mensagens de diretores da Caixa falando em remessa a “caciques parlamentares”)? A resposta, infelizmente, é simples: não é por R$ 0,20. Não é por “combate à corrupção” Temer é o “corrupto útil”, uma espécie de “meu malvado favorito, segunda temporada”. Cunha foi “bom” enquanto durou. Temer o será, também, enquanto convier. Não serão áudios ou mensagens de seus “parceiros” ou “subordinados” que derrubarão o presidente. No Brasil de 2017, acredito, nem se Temer for apanhado em foto/vídeo com dinheiro na cueca (samba-canção, claro) acontecerá alguma coisa. É melhor um “entregador de maldades”, que tem o Parlamento na mão (quer dizer, no pires), do que qualquer outra coisa que possa atrapalhar a entrega. O Golpe só serviu pra isso: entregar o País e suas riquezas.

Por Brasil247 – 14/1/2017.

Mensagens recuperadas pelos investigadores da Operação Cui Bono, deflagrada pela Policia Federal (PF) sexta-feira (13) e que tem o ex-ministro Geddel Vieira Lima como alvo, sugerem que Michel Temer tinha conhecimento do esquema montado pelo colaborador na época em que ele era vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, entre 2011 e 2013. Em uma das mensagens recuperadas, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha alerta o empresário Lucio Funaro sobre os repasses e “o que caberia a Geddel”. Diz: “Me faz um favor liga p geddel e vê em qual e-mail ele quer que vc passe isso ou pra quem vc entrega que se ele não resolver vou fuder ele no Michel. Esse porco é um folgado do caralho”, disse Funaro a Cunha.

Leia mais:

http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/275120/Mensagem-sobre-Geddel-sugere-que-Temer-%C3%A9-o-chefe.htm