A ignorância política de quem não enxerga diferenças (por Jota Camelo/via FB)

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Imagem: Imgrum.

Por Jota Camelo – 21/6/2017 – via FB.

Imagine que um programa de TV convide um especialista em música para falar sobre o rock, e ele diga: “O rock é tudo igual. As bandas são todas as mesmas coisas. As músicas são todas iguais. Não há diferença”. Com esse tipo de comentário, é muito fácil perceber que esse “especialista em música” não é especialista em porcaria nenhuma. Achar que tudo é igual não é comentário de um conhecedor, é comentário de um ignorantão de carteirinha. Um especialista em rock jamais diria que Slayer e One Direction são a mesma coisa. Somente um perfeito imbecil diria isso.
Quanto menos você conhece sobre um assunto, mais igual tudo lhe parece. Quanto mais você conhece sobre um assunto, mais diferente tudo lhe parece. O especialista é aquele que sabe diferenciar coisas muito parecidas, que percebe diferenças em detalhes quase indistinguíveis.

Da mesma forma, dizer que “político é tudo igual, é tudo farinha do mesmo saco” é a maneira mais rápida e direta de confessar completa ignorância sobre política. As pessoas que dizem isso (coisa típica de coxinha) não têm ideia da gigantesca patetice que estão dizendo. É um comentário típico de gente politicamente confusa e perdida. É como achar que estão abafando, quando na verdade estão com a calça rasgada nos fundilhos.

“Elite brasileira acha que tem direito a saquear a coisa pública”, diz historiador (por Clarissa Neher/via Deutsche Welle Brasil e Pragmatismo Político)

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Por Clarissa Neher – 19/6/2017 – via Deutsche Welle Brasil e Pragmatismo Político.

“Brasil tem elite que se considera superior ao restante da população e que, por isso, acha que tem direito a saquear a coisa pública”, diz historiador.

Para o historiador João Cezar de Castro Rocha, a cordialidade é uma característica de sociedades hierárquicas e desiguais. Em entrevista à DW Brasil, o autor dos livros Literatura e cordialidade: O público e o privado na cultura brasileira e Cordialidade à brasileira: mito ou realidade? debate o conceito de homem cordial e sua ligação com a corrupção.

O problema da corrupção endêmica no Brasil só terá solução quando efetivamente constituirmos uma nação, quando em lugar de homem cordiais e elites que se consideram superior aos outros, nós formos de fato todos cidadãos“, destaca Castro Rocha.

Leia mais:

 https://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/06/elite-direito-saquear-publica-historiador.html

Por que a indignação contra a corrupção no Brasil é seletiva? (por Salah H. Khaled Jr./via Justificando)

Por que a indignação contra a corrupção no Brasil é seletiva?

Presidente Michel Temer, envolvido em uma série de escândalos de corrupção. Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP.

Por Salah H. Khaled Jr. – 20/6/2017 via Justificando.

A indignação seletiva contra a corrupção é um fenômeno a ser estudado. O vapor levantado contra Dilma produziu níveis elevados de ultraje moral, enquanto os indícios contra Aécio e Temer não parecem produzir mais do que leves aborrecimentos, como se fossem práticas rotineiras e aceitáveis da vida política.

Leia mais:

http://justificando.cartacapital.com.br/2017/06/20/por-que-indignacao-contra-corrupcao-no-brasil-e-seletiva

A união que disfarça a opressão

Por Celso Vicenzi – 21/6/2017.

Na hora em que as coisas não dão certo para a elite, chovem editoriais na imprensa do tipo “é hora de todos nos unirmos para sair da crise”. Não dizem, claro, quem criou a crise e, muito menos, o que têm a oferecer aos que menos tem. Vamos nos unir quem? A classe média? Que só bate panela contra corrupção em governos que ajudam os pobres? Que não quer a ascensão dos mais pobres? Unir em torno do quê? O de disfarçadamente continuar a levar vantagem em tudo? O de negar que o Brasil oferece privilégios a uma minoria que deles não quer abrir mãos? O discurso negado mas praticado do “tudo pela minha família” e danem-se os outros? Tenho pouquíssimas esperanças com a conscientização da classe média. Melhor investir na troca de saberes com a classe mais pobre, para que não seja ludibriada pela mídia e por quem quer que seja para votar em candidatos conservadores da elite que nunca farão nada para tirá-la da miséria. Se unir aos conservadores ou à direita mais fascista nunca será solução para os mais pobres.

Promovem um golpe e querem que o povo não reaja?

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Quem hoje se ofende com as agressões verbais esquece como elas começaram. 
Foto: jornalggn.com.br

Por Celso Vicenzi – 16/6/2017.

Primeiro, Fora Temer! Segundo, criar um clima de achincalhes, seja de esquerda ou de direita não é desejável, mas não dá para rodar os acontecimentos da história para trás. Portanto, aqui se faz, aqui se paga. Depois da violência do golpe vai ser difícil acalmar os ânimos. E é preciso ter noção do que é mais grave. A violência e a derrubada de direitos que estamos assistindo com o apoio desses comentaristas da Globo ou os protestos verbais por onde eles andam? O povo vai ter que aguentar, calado, toda a violência de que tem sido vítima desde o golpe?

Cada um vê o que quer e sabe de que lado deseja ficar. Há, por exemplo, quem fique ofendidíssimo e vai às redes protestar contra quem promove esses achincalhes (constrangedores, mas pacíficos) e, ao mesmo tempo, não diz nada e acha perfeitamente normal o que eles fazem, diariamente, nos veículos de comunicação, na defesa de um golpe que está ferrando e vai ferrar ainda mais com a população mais pobre.

Dão o golpe com o apoio da mídia e de seus principais jornalistas, destroem o país e acham que ninguém deve reagir ou falar nada por “educação”.

Ah, tá!

E esquecem como os golpistas xingavam aqueles que eram contra o golpe.

O Brasil em 2030

Imagem: Hiperfoto do francês Jean François Rauzier/Divulgação – via Correio Braziliense. 

Por Celso Vicenzi – 15/6/2017.

Estamos no ano de 2030, não se assuste, caro leitor, prezada leitora, pois o tempo corre e muita coisa aconteceu no Brasil depois daquele decisivo ano de 2016 – lá se vão já 24 anos. Tudo começou a mudar um pouco antes, por causa – imagine só! – de 20 centavos, lembram? Vieram aquelas manifestações gigantescas, em 2013, que ninguém sabia muito bem quem eram os alvos dos protestos, mas aos poucos, por inércia e ingenuidade do governo Dilma e ações orquestradas da mídia, foram sendo direcionados para o Palácio do Planalto. E veio o golpe, a Lava Jato, a Odebrecht, o Michel Temer, o STF, o TSE, o Joesley, o Gilmar Mendes e tantos fatos e personagens, numa avalanche como nunca houvera antes na história desse país. Muitos que pareciam ter sido soterrados, sobreviveram.

Para quem ainda não chegou a 2030, vou contar como as coisas estão no momento.

Eduardo Cunha não durou muito tempo na prisão e hoje desfruta de uma vida milionária graças ao dinheiro que amealhou com o seu silêncio. Finalmente se compreendeu aquela frase “o silêncio vale ouro”. No caso, uma mesada de R$ 2 milhões, pagos em malas de R$ 500 mil por semana. E pensar que tem gente que fica feliz com a megassena!

Aécio foi “o primeiro a ser comido”. Gostou tanto que passou a desfilar na parada gay de São Paulo, ao lado do ex-prefeito Doria, que mantém o hábito de aparecer fantasiado nas ruas da capital paulista. Começou vestindo-se de gari, mas atualmente prefere sair de odalisca, com muitos paetês e plumas esvoaçantes cada vez que tem um de seus costumeiros e agressivos chiliques.

Jucá, o mais famoso vidente do Planalto (“tem que estancar essa porra!”) aquele que previu tudo que deveria ser feito – e foi! – para dar o golpe e tentar barrar a Lava Jato (“bota o Michel num grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo”), abriu um escritório de previsões apocalípticas e tem faturado boa grana com deputados, senadores, prefeitos e governadores  que desejam saber como intervir para evitar desgraças futuras.

Os ministros Luis Roberto Barroso e Carmem Lucia, representando outros próceres do STF, assumiram poltronas (cadeiras é muito simples para figuras tão ilustres) na ABO – Academia Brasileira de Obviedades, de onde descortinam a paisagem que varreu o país, mas pouco incomodou suas capas pretas, imperturbáveis diante das intempéries que se abateram sobre a Constituição e os destinos da nação.

Prenderam este ano (lembre-se, estamos em 2030) mais três helicópteros da família do senador José Perrela, com 500 quilos cada um de pasta de cocaína endereçadas para A.E.C.I.O. – sigla que a Polícia Federal ainda não conseguiu identificar. O STF, por sua vez, sempre atento ao rigor dos autos, absolveu Perrela de formação de quadrilha justificando que eram apenas três helicópteros, faltando, portanto, um quarto para que houvesse de fato uma “quadrilha” e a acusação pudesse ser julgada procedente.

Também foi aprovado neste ano de 2030 a extensão do Auxílio-Moradia para que magistrados, em todo o país, possam custear despesas com as suas casas de praia. No entanto, como forma de contribuir à solução da crise, os magistrados aceitaram que esse auxílio não excederá a duas residências por Estado do litoral.

O caos, a violência, a barbárie e a falência dos órgãos têm se agravado, mas nada que preocupe o ministro Marco Aurélio Mello, que continua firme em sua declaração – hoje já alçada à condição de um mantra – de que “as instituições estão funcionando normalmente e não há motivo para preocupação”.

Gilmar Mendes, depois de presidir o STF, o STJ, o TSE e todas as siglas possíveis das instâncias judiciais sem ser incomodado por suas atuações políticas, resolveu ascender a outro plano e atualmente é padroeiro cultuado com muita devoção entre os integrantes do PSDB, que o invocam em busca de milagres sempre que um de seus membros é pego em corrupção e necessita de uma suprema absolvição.

José Serra criou uma fundação para apoiar golpes em vários cantos do planeta, para onde tem levado o seu olhar blasé e a sua expertise largamente testada em solo brasileiro.

FHC, num sociologuês raso como um pires, continua a culpar o PT por tudo que aconteceu no Brasil desde a chegada de Cabral e transformou seu instituto num centro de investigação. Quer saber por que um semianalfabeto como Lula tem mais títulos e honrarias internacionais do que ele.

Michel Temer está cada vez mais atento aos movimentos de Joesley Batista, depois que tomou conhecimento que o dono da Friboi estava interessado em outras carnes e não embarca mais em nenhum jatinho furado, sobretudo com flores, para Marcela.

Lula, desde 2018, tornou-se inelegível, mas continua a liderar todas as pesquisas de intenção de votos. Sem votos, em alguns rincões do Nordeste tem mais devotos do que o Padre Cícero.

Alckmin ainda não conseguiu se eleger presidente e não compreende o que o gosto de picolé de chuchu tem a ver com tudo isso.

Moro foi morar nos Estados Unidos, onde é professor catedrático de Direito Alienígena e recebe frequentes visitas de integrantes da CIA e do FBI em busca de aperfeiçoamento. Não obstante ter galgado a fama, tem constantes pesadelos sobre pedalinhos num sítio e um triplex sem dono.

O Brasil, enfim, continua no fundo do poço, agora já sem água depois que a Lava Jato usou tudo para tentar limpar a corrupção. Ao final, concluiu-se que foi água demais para uns e nem mesmo respingos para outros, enlameados até o pescoço.

Maluf decidiu que será candidato novamente e desafia qualquer um a provar que tenha dinheiro depositado no exterior, fruto de alguma atividade ilegal.

Deus, que era brasileiro, achou melhor pedir asilo político no Afeganistão.

Para uma Sociologia das Ausências (por Boaventura de Sousa Santos/via Outras Palavras)

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Imagem: Oswaldo Guayasamin, Ramblas.

Por Boaventura de Sousa Santos – 13/6/2017 – via Outras Palavras.

Por que, há cem anos, os círculos intelectuais e artísticos mais férteis da Europa eram cegos para o resto do mundo e a guerra em que mergulhariam. Como tudo isso se repete hoje.

Leia mais:

http://outraspalavras.net/capa/boaventura-muito-alem-do-universalismo-europeu

Agente da CIA? Treinado pelo FBI? Um raio-x da relação Moro-EUA (por Daniel Giovanaz/via Brasil de Fato/publicado por Luis Nassif/GGN)

Por Daniel Giovanaz – 9/6/2017 – Brasil de Fato – citado por Luis Nassif/GGN.

Em julho de 2016, a filósofa Marilena Chauí afirmou que o juiz de primeira instância Sérgio Moro havia sido “treinado pelo FBI” para atender aos interesses estadunidenses na condução da operação Lava Jato. O vídeo, publicado pelo Nocaute TV, teve mais de 160 mil visualizações e estimulou debates sobre o tema entre juristas, historiadores, cientistas políticos e sociólogos brasileiros.

Leia mais:

http://jornalggn.com.br/noticia/agente-da-cia-treinado-pelo-fbi-um-raio-x-da-relacao-moro-eua-por-daniel-giovanaz