“Reforma” da Previdência: os números da farsa (por Antonio Martins/via Outras Palavras)

Por Antonio Martins – 28/11/2017 – via Outras Palavras.

Governo fala em economizar R$ 50 bilhões ao ano para “salvar” o sistema. Mas acaba de desfalcá-lo em muito mais, com a Contrarreforma Trabalhista e os privilégios concedidos às petroleiras estrangeiras. Alternativa é revogação destas medidas.

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Hora de examinar o poder dos super ricos (por Antonio Cattani, entrevistado no IHU/via Outras Palavras)

171127-Super Ricos

Por  Antonio Cattani, entrevistado no IHU – 27/11/2017 – via Outras Palavras.

Mídia e academia quase não estudam o rentismo, sistema de privilégios que permite a uma pequena elite concentrar cada vez mais riquezas. Por isso, ainda acredita-se na meritocracia…

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Da arte de não se omitir

Artistas

Artistas brasileiros protestam contra a censura nas artes. (Reprodução).

Por Celso Vicenzi – 10/10/2017.

Sobre os vídeos da campanha #342ARTES, com depoimentos de artistas brasileiros de várias áreas, gostaria de dizer que a gente divulga, sim, e se solidariza com essa luta, mas onde estavam essas – e tantas outras – pessoas quando a democracia começou a ser atacada? Quando pessoas começaram a ser execradas sem direito à defesa, linchadas em capas de jornais e revistas, em emissoras de rádio e televisão? Quando ficou claro que boa parte das pessoas foi às ruas não para combater a corrupção, mas apenas para fazer desse mote a alavanca para derrubar um governo eleito legitimamente? Onde estavam quando calaram diante de vozes que defendiam tortura, estupro, pena de morte? De religiosos fundamentalistas, de empresários gananciosos, de políticos igualmente corruptos, de magistrados que usam de dois pesos e duas medidas? De defensores do “bandido bom é bandido morto”? Desde que seja pobre e de preferência negro, claro!

Boa parte dos artistas, que tanta empatia possui com a população, e tantos outros brasileiros que ocupam funções importantes no imaginário do país, calaram, foram omissos, não levantaram a voz para protestar contra um golpe tramado com toscos argumentos. Talvez na vã esperança que uma ditadura (principalmente por não ser militar), logo poria as coisas novamente em ordem e o país voltaria a crescer. Dessa vez, livre de petistas e de tudo o que eles – bem ou mal – representaram na esperança dos mais empobrecidos. Porque, embora seja difícil para cada um admitir, eram reféns do preconceito, no íntimo de suas almas, que atribuíam aos mais pobres todas as mazelas que conhecemos (não eram os nordestinos que não sabiam votar e deram – embora o argumento seja incorreto – mais uma vitória à Dilma?). Como se este país não fosse comandado, desde a chegada de Cabral, por privilegiados soberanos, com ou sem nobres coroas sobre suas cabeças, mas com os bolsos forrados com o dinheiro da miséria de milhões, e sem vontade nenhuma de refletir sobre os mecanismos que geram uma sociedade rica e tão desigual.

Boa parte dos artistas – como de resto da parte mais privilegiada da sociedade, é preciso reconhecer – que agora vê o chicote estalar no próprio lombo, pouco tem contribuído – para além de sua arte – como cidadãos e cidadãs, para denunciar a pobreza, o regime de castas, as injustiças que marcam a história do país. Poucos se dispõem a um enfrentamento mais direto contra um sistema desigual, perverso, que violenta a dignidade da maioria da população. Apelos pontuais, campanhas filantrópicas não mudam essa correlação de forças.

Ou a classe média e os mais privilegiados num país com as características do Brasil encaram essa luta sem olhar apenas para o próprio umbigo ou continuaremos a ser o que sempre fomos: um país racista, preconceituoso, cheio de regalias classistas, que tem ódio de pobre e sem coragem e vontade para lutar pelas reformas basilares que poderiam fazer desse nosso chão o lugar ideal para se erguer um grande país, soberano justo e solidário.

Eu gostaria de ter visto e ouvido toda essa defesa contra o retrocesso, o discurso do ódio e da intolerância, quando a democracia brasileira foi atacada por um golpe jurídico-midiático-parlamentar-policial-empresarial. Mas naquele momento, calaram. Poucas vozes – entre tantos artistas – se ergueram para tentar deter o que já se sabia que viria, se não houvesse resistência ao golpe. Um misto de ingenuidade, preconceito e garantia de privilégios de classe talvez explique essa omissão.

Sim, eu vou cerrar fileiras nessa luta contra a volta da censura. Contem comigo!

Eu também sei o quanto a educação, a cultura e a arte são fundamentais na construção de um país mais humano e civilizado e que boa parte dos artistas brasileiros estiveram na linha de frente para denunciar a ditadura militar de 64. Principalmente quando as perseguições, as mortes e as torturas atingiram  pessoas da classe média. Porque restabelecida a democracia no país, as perseguições, as mortes e as torturas continuaram contra as classes mais pobres, na periferia e nos porões do sistema carcerário brasileiro, sem que recebessem de nós a solidariedade que destinamos aos bem nascidos.

A pauta, portanto, nesse novo momento de tentativa de resistência ao novo modelo de golpe, não pode ser tão somente para usufruto da mesma classe média que não acolhe os mais necessitados e pouco faz para trazer milhões de pessoas à margem da cidadania para o que há de melhor na educação, na cultura e na arte, seja como protagonista, subindo aos palcos, seja como espectador, nos teatros, nos cinemas, nos museus, nas galerias, nos espaços em que ela está presente.

Porque quem tem fome e não tem casa e emprego, está expulso desse banquete lúdico, mágico e transcendente. Pouco sobra de si e de sua luta pela sobrevivência diária, para dispor de tempo e motivação para saciar a sede de conhecimento e usufruir de um prazer desconhecido: o de ser reconhecido como um cidadão, uma cidadã, não como párias, olhados com repulsa, desconfiança e nenhuma empatia por quem não se irmana em sua dor e é (quase) indiferente ao mal que essa gente padece, a de ter nascido em uma sociedade que empodera poucos, às custas da exploração do trabalho de muitos. Senhores de escravos – ontem e hoje – que mal destinam à maioria dos brasileiros o suficiente para o sustento de cada trabalhador e de sua família.

Que todo esse retrocesso, esse ódio à pobreza, mas também à inteligência, sirva para que compreendamos que não podemos ser ilhas de civilização em meio à barbárie. Ou queremos construir um país para todos, ou então, como escreveu certa vez o poeta Affonso Romano de Sant’Anna, seremos apenas um “ajuntamento” de pessoas. Da pior espécie que se pode imaginar para conviver.

Classe privilegiada acha natural a discriminação e a desumanização (por Luis Felipe Miguel)

Por Luis Felipe Miguel – 24/5/2017 – via Facebook.

A Folha publica sempre três artigos de opinião de jornalistas, na página 2, indicados pelo local de onde falam: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro. Aos cariocas cabe falar de temas “leves”, em geral em tom meio nostálgico – ou então da violência em sua própria cidade. Nem é preciso apontar como essa regra revela o apego dos paulistanos aos estereótipos relativos ao Rio. Mesmo quando destilam seu ódio à esquerda, como fazem sempre dois ocupantes regulares do espaço, Carlos Heitor Cony e Ruy Castro, deve ser assim, de forma “leve” e nostálgica.

Hoje escreveu Ruy Castro. Sua coluna termina com uma interessante transição do “fora PT” para o “são todos iguais”, típica de muita gente dessa direita envergonhada. Mas eu quero falar é do começo do texto. Reproduzo:

“Não sei como é hoje, mas, no passado, os pais se metiam para valer no futuro profissional dos filhos. Não importava que o garoto levasse jeito para o boxe, a taxidermia ou mesmo o corte e costura – a possibilidade de abraçar alguma dessas especialidades era mínima. Num país sem opções, o normal era que ele se voltasse para uma das três grandes carreiras: medicina, engenharia e direito. Talvez ainda seja assim”.

Ruy Castro deve ter chegado à idade de decidir sua vida profissional em meados dos anos 1960. Naquela época, o número de estudantes no ensino superior brasileiro ficava por volta de uns 300 mil, num país que já tinha mais de 80 milhões de habitantes (um estudante universitário para cada 250 ou 260 brasileiros; hoje, a relação é cerca de um para 30 e o acesso à universidade continua longe de ser universal). Cerca de 40% dos brasileiros eram analfabetos. O “normal” certamente não era ser médico, engenheiro ou advogado. O “normal”, para a esmagadora maioria das pessoas, era ser lavrador, pedreiro, balconista, empregada doméstica, vendedor ambulante.

O que leva Ruy Castro a ignorar todo esse contingente de pessoas é uma enfermidade bizarra, mas endêmica entre os grupos privilegiados: a incapacidade de ver os diferentes. A empregada que preparou seu café da manhã, o porteiro que lhe espera na entrada no prédio, a garçonete que lhe atende no boteco, o balconista da farmácia, nenhum desses aparece a ele como uma pessoa, com suas ambições, suas vontades, seus problemas, seus sonhos, alguns realizados, muitos frustrados. Por isso, ele pode generalizar a partir do que foi a sua experiência e a dos seus amigos ou do que é, hoje, a experiência de seus netos, dos amigos de seus netos e dos netos de seus amigos. Os outros não existem. É uma forma de desumanização, tão perfeita que nem é percebida.

Para mim, o melhor exemplo dessa postura, pelo grau de cegueira voluntária que expressa, ainda é a infame entrevista que o jovem Aécio Neves deu ao jornal da cidadezinha estadunidense na qual fazia intercâmbio, em 1977. Contando como era a vida no Brasil, ele explicou que “todo mundo tem uma empregada ou duas; uma para cozinhar, outra para limpar”. Por isso, “a vida das mulheres é fácil no Brasil”; elas “podem passar a maior parte de seu tempo na praia ou fazendo compras”. Fica claro, portanto, que para o jovem Aécio a “empregada” não faz parte da categoria “mulheres”.

Na mesma entrevista, o jovem Aécio contou que nunca na vida tinha arrumado a própria cama. Também por isso uma temporada na cadeia pode se revelar instrutiva.

Darwin e o Brasil, atualíssimos

Por Paulo Nogueira – 22/12/2016 – no Facebook.

Do caderno de viagens de Darwin, sobre o Brasil de 1832:

“Não importa o tamanho das acusações que possam existir contra um homem de posses, é seguro que em pouco tempo ele estará livre. Todos aqui podem ser subornados. Um homem pode tornar-se marujo ou médico, ou assumir qualquer outra profissão, se puder pagar o suficiente. Foi asseverado com gravidade por brasileiros que a única falha que eles encontraram nas leis inglesas foi a de não poderem perceber que as pessoas ricas e respeitáveis tivessem qualquer vantagem sobre os miseráveis e os pobres”.

Por que o STF “está puto com ela”? É só ler os privilégios que querem para os juízes (por Fernando Brito/via Tijolaço)

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Por Fernando Brito – 27/5/2017 – Via Tijolaço.

“Uma matéria da Folha, discreta – o Estadão havia publicado antes, com a mesma discrição, mostra o que os ministros do STF querem.

Privilégios. A consolidação de vários que já existem, alguns novos e, sobretudo, a unificação de todos, nacionalmente, de modo a que toda a corporação os tenha.”

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http://www.tijolaco.com.br/blog/por-que-o-stf-esta-puto-com-ela-e-so-ler-na-folha-os-privilegios-que-querem-para-os-juizes